Estudos mostram que muitos animais passam por fases de sono semelhantes às humanas, como o sono REM. Pesquisas com mamíferos, aves e até invertebrados indicam que sonhar pode ter origem evolutiva antiga e funções ligadas à memória e sobrevivência.
Você já observou um cachorro se mexendo enquanto dorme e se perguntou se ele está sonhando com algo? A ciência vem mostrando que muitos animais também passam por experiências internas durante o sono, sugerindo que o ato de sonhar é bem mais antigo e diverso do que imaginávamos na história evolutiva.
Quais animais sonham e como a ciência identifica esses sonhos
A palavra-chave central nesse debate é animais que sonham. O critério mais utilizado para identificá-los é a presença de fases de sono semelhantes ao sono humano, principalmente o sono REM, com movimentos rápidos dos olhos e forte atividade neuronal. Em mamíferos como ratos e cães, eletroencefalogramas mostram ciclos alternados de sono profundo e sono ativo, sugerindo a ocorrência de sonhos.
Em aves, como os pinhões-de-Zebra, também se registram padrões cerebrais específicos durante o descanso noturno. Em certos momentos o corpo permanece imóvel, mas o cérebro apresenta ritmo comparável ao de quando o animal está acordado e cantando. Estudos com répteis apontam algo semelhante, indicando uma possível raiz evolutiva antiga para esse fenômeno.

Para que servem o sono e os sonhos nos animais
O sono, com ou sem sonho, está ligado à manutenção do sistema nervoso. Em diferentes espécies, ele contribui para a consolidação da memória, a regulação emocional e o equilíbrio químico do cérebro. Na prática, o cérebro reorganiza informações, descarta o que é menos útil e fortalece conexões importantes para a sobrevivência.
Experimentos com pássaros que aprendem cantos mostram que, durante o sono, algumas regiões cerebrais se ativam como se o animal estivesse cantando acordado. Em roedores, atividades de navegação em labirintos parecem ser “repetidas” enquanto dormem, reforçando mapas mentais usados na busca por alimento diário e rotas de fuga.
Quais estratégias os animais usam para dormir em segurança
Dormir traz benefícios, mas também riscos. Ao reduzir a atenção ao ambiente, o animal fica mais vulnerável a predadores ou a mudanças repentinas ao redor. Espécies consideradas presas tendem a dormir por períodos menores ou em ciclos muito fragmentados, enquanto grandes predadores podem passar muitas horas em repouso contínuo.
Nos oceanos, alguns mamíferos desenvolveram soluções particulares. Golfinhos exibem o chamado sono uni-hemisférico: um hemisfério cerebral descansa enquanto o outro permanece em vigília. Em ambientes terrestres, há espécies que dormem em pé ou em locais elevados, reduzindo o tempo necessário para reagir a um possível ataque surpresa. Se você gosta de curiosidades, separamos esse vídeo do Dr Bruno Chipitelli mostrando com mais detalhes sobre esse assunto:
Como os cientistas conseguem influenciar ou observar melhor os sonhos dos animais
Ainda que os animais não possam descrever o conteúdo de seus sonhos, alguns experimentos indicam que é possível interagir indiretamente com essa experiência. Em estudos com ratas treinadas em labirintos, sons associados a determinadas direções são apresentados novamente enquanto dormem, reativando áreas do cérebro como o hipocampo de forma parecida à vigília.
Outra linha de pesquisa investiga o controle dos movimentos durante o sono. Certas regiões cerebrais atuam como um “freio” motor, impedindo que o corpo execute o que o cérebro simula. Em experimentos antigos com gatos, lesões nessas áreas levaram alguns animais a caminhar e adotar posturas de caça ainda em estado de sono, ajudando a entender distúrbios como o sonambulismo humano.
O que ainda falta descobrir sobre os sonhos no reino animal
Mesmo com avanços significativos, muitas perguntas permanecem em aberto sobre animais que sonham. Ainda não há métodos diretos para saber o que um cão, uma sepia ou um pássaro “vê” durante o sono, nem se eles lembram dessas experiências ao acordar ou se isso influencia decisões futuras de forma parecida com a dos seres humanos.
Pesquisadores apontam algumas frentes que devem crescer nos próximos anos:
Sobre animais que sonham e convite para observar mais de perto
Ao descobrir que tantos animais sonham, nossa visão sobre o sono deixa de ser limitada à experiência humana e passa a incluir uma ampla diversidade de estratégias que a natureza criou para cuidar do cérebro em repouso. Na próxima vez que seu pet se mexer dormindo, talvez você esteja vendo um pedacinho desse mundo invisível de sonhos animais.
Se esse tema despertou sua curiosidade, observe com mais atenção os hábitos de sono dos bichos ao seu redor e compartilhe suas descobertas com outras pessoas. Esse olhar atento, somado aos estudos científicos, ajuda a aproximar nosso cotidiano da fascinante pesquisa sobre sonhos no reino animal e inspira mais gente a cuidar melhor do próprio sono também.






