Duas irmãs de 72 e 73 anos vivem isoladas na Serra Catarinense, sustentadas por horta orgânica de 1 hectare, ordenha manual e feira semanal. Trabalham até 4 horas diárias, usam plantas medicinais e não dependem de remédios industriais.
Duas irmãs de 72 e 73 anos vivem sozinhas no meio do mato, na Serra Catarinense, onde produzem o próprio sustento com uma horta orgânica de mais de 1 hectare e venda semanal de leite fresco.
Sem utilizar remédios industrializados, elas mantêm a saúde com plantas medicinais e seguem práticas herdadas da tradição centenária da família.
Resiliência no campo exige esforço físico diário mesmo na terceira idade
O trabalho diário na horta e com os animais começa antes do nascer do sol, com capina, irrigação, colheita e ordenha manual de vacas leiteiras. O terreno de mais de 10 mil metros quadrados é mantido sem venenos, o que demanda força e técnica para conter pragas e garantir produtividade sem agrotóxicos.
Capinar manualmente cada linha de cultivo exige pelo menos 4 horas de trabalho físico contínuo por dia. Na rotina, elas também carregam baldes com leite e sacas de hortaliças para preparar a produção que será vendida na feira semanal.
Apesar da idade, não há máquinas pesadas envolvidas. A escolha pela autossuficiência vem da convicção de que o corpo deve se manter ativo, mesmo que sob desgaste. “Se parar, enferruja”, dizem elas com naturalidade.
Como funciona o sustento baseado em feira semanal e produção própria?
A renda das irmãs vem exclusivamente da venda direta de leite, couve, alface, temperos, abóbora, mandioca e ovos, em uma feira regional que ocorre aos sábados. Esse modelo garante autonomia financeira modesta, mas estável, com clientes fixos que valorizam alimentos sem veneno e produção artesanal.
- Leite fresco vendido em garrafas de vidro retornáveis
- Verduras colhidas no mesmo dia da feira
- Ovos de galinhas soltas, alimentadas com sobras da horta
- Trocas por outros produtos orgânicos com produtores vizinhos
Elas não utilizam cartões ou maquininha: toda a comercialização é feita em dinheiro ou por escambo, numa rede de confiança que se manteve firme mesmo com o avanço da tecnologia e das redes sociais.

Plantas medicinais substituem farmácia em isolamento rural
Em vez de remédios convencionais, a dupla confia nas ervas do próprio quintal. Para pressão alta, usam chá de oliveira. Para dores, recorrem a compressas de arnica. Inflamações são tratadas com extrato de malva ou calêndula. Todas as plantas são cultivadas ao redor da casa, em meio às hortaliças e flores.
- Chá de dente-de-leão para o fígado
- Babosa para queimaduras e cortes
- Folhas de guaco com mel contra gripe
- Banhos de assento com barbatimão
A pequena estufa que elas mantêm abriga espécies sensíveis ao frio da serra. Há registros em cadernos antigos, passados de mãe para filhas, com instruções detalhadas sobre infusões, decocções e pomadas caseiras.
Envelhecer no campo ainda é sinônimo de abandono social
A ausência de políticas públicas para idosos em áreas rurais torna histórias como essa cada vez mais raras. Sem transporte público, acesso rápido a postos de saúde ou assistência técnica agrícola, o envelhecimento no campo muitas vezes implica isolamento completo e invisibilidade social.
- Consultas médicas a mais de 40 km de distância
- Ausência de internet ou sinal de celular confiável
- Dependência de vizinhos para emergências
- Falta de linhas de crédito para pequenos agricultores idosos
Mesmo com essas barreiras, as irmãs seguem firmes. O segredo, segundo elas, está no vínculo com a terra, no trabalho com as mãos e na rotina silenciosa que garante autonomia.




