Atividade física regular, mesmo curta, alimentação baseada em comida de verdade, regulação emocional, lazer e conexão social são pilares que reduzem ansiedade e depressão, melhoram sono, humor e equilíbrio hormonal, segundo especialista.
Saúde mental não é só terapia e remédio. O jeito de viver o dia a dia – como a pessoa se mexe, come, sente, descansa e se relaciona – pode aliviar bastante ansiedade e depressão, e este artigo reúne, em formato de curiosidades, pilares simples que qualquer pessoa pode começar a ajustar para cuidar melhor da própria cabeça, a partir das orientações da doutora Maria Fernanda.
Atividade física realmente ajuda na ansiedade e na depressão?
Entre todos os pilares da saúde mental, a atividade física costuma ser um dos mais ignorados, mesmo com tantos estudos mostrando resultados consistentes. Pesquisas apontam que se mexer com regularidade reduz o risco de depressão, melhora sintomas ansiosos, regula o sono e ainda contribui para controle de peso, pressão arterial e doenças cardiovasculares.
O curioso é que o corpo e a mente respondem mesmo a treinos curtos: algo em torno de 30 minutos por dia já começa a fazer diferença. Revisões sistemáticas recentes mostram que o exercício regular pode ser tão eficaz quanto alguns medicamentos em casos leves a moderados de depressão, quando acompanhado de acompanhamento profissional e inserido em um plano de cuidado amplo.

Como transformar os exercícios em um hábito possível na rotina
Um dos pontos mais curiosos levantados pela especialista é que a principal desculpa para não praticar atividade física é a falta de tempo, mas, mesmo que o dia tivesse 25 horas, muita gente não usaria a hora extra para treinar. Por isso, a orientação não gira em torno de vontade, e sim de estratégia, com metas diárias minúsculas que o cérebro entende como “fáceis”.
Para tornar esse processo mais concreto, algumas perguntas ajudam a retomar a motivação, como lembrar atividades prazerosas do passado ou esportes da adolescência. A partir daí, vale testar alternativas rápidas no dia a dia e criar gatilhos de horário e ambiente, que facilitam a formação de hábito e tornam o movimento parte natural da rotina.
- Começar com 2 minutos de caminhada por dia e acrescentar mais 2 a cada dia.
- Optar por treinos curtos de 20 a 30 minutos em academias ou aplicativos.
- Trocar elevador por escadas em alguns trajetos da rotina.
- Marcar os dias de atividade como compromisso na agenda, como se fosse reunião.
- Escolher atividades que tragam algum prazer, e não apenas “queimar calorias”.
De que forma a alimentação pode piorar ou melhorar ansiedade e depressão
Um dos temas mais comentados hoje em saúde mental é a chamada nutrição psiquiátrica, área que estuda a relação entre o que se come e transtornos como depressão e ansiedade. Estudos indicam que dietas ricas em açúcares refinados e carboidratos simples – bolos, pães brancos, pizzas e afins – podem piorar o sono, aumentar irritabilidade, favorecer hiperatividade e intensificar sintomas depressivos.
Do outro lado, padrões alimentares saudáveis estão associados a menor risco de depressão, como a dieta mediterrânea, baseada em frutas, verduras, legumes, gorduras boas, peixes e pouco açúcar. Em linhas gerais, quanto mais “comida de verdade” e menos ultraprocessados no prato, menor tende a ser o risco de alterações de humor e de flutuações intensas de energia ao longo do tempo.
O que é regulação emocional e como ela protege a saúde mental
Outro pilar fundamental é a chamada regulação das emoções, que envolve perceber o que se sente antes de agir no piloto automático. A proposta é fazer uma “pausa interna” em momentos de decisão e observar se a escolha foi tomada só por impulso ou se houve algum espaço para reflexão.
Para quem costuma focar apenas em erros e fracassos, técnicas simples podem ampliar o olhar, como registrar pequenas vitórias ao lado das dificuldades ou imaginar o próprio velório para identificar valores centrais. Estratégias baseadas em mindfulness, com exercícios breves de respiração e atenção ao corpo, fortalecem a capacidade de nomear o que se sente e responder com mais consciência.
Confira o vídeo do canal Neurologia e Psiquiatria, no YouTube, sobre exercícios para ansiedade e depressão, com orientações práticas que ajudam no controle emocional e no bem-estar mental.
Como lazer e conexão social influenciam ansiedade e depressão
No meio da correria, o lazer costuma ser visto como luxo, mas pesquisas indicam que ele funciona quase como um “remédio comportamental”. Atividades prazerosas – ler, dançar, praticar um hobby, brincar com animais, fazer um curso leve – reduzem estresse, melhoram o humor e fortalecem habilidades de raciocínio.
A interação social direta também ganha destaque como fator de proteção, já que pessoas com laços satisfatórios com família, amigos e comunidade tendem a ter menos problemas de saúde e a viver mais. Círculos de apoio, grupos de interesse em comum e atividades comunitárias simples podem servir como “antídotos” cotidianos contra a solidão, complementando movimento, alimentação e autoconhecimento no cuidado com ansiedade e depressão.




