PicPay devolverá R$ 1 milhão a beneficiários do INSS cobrados indevidamente por seguro prestamista. Restituição será feita em até 60 dias via PIX, crédito em conta, abatimento ou SVR.
O PicPay assinou recentemente um termo de compromisso com o INSS, garantindo a devolução de aproximadamente R$ 1 milhão a beneficiários que foram cobrados de forma indevida por seguro prestamista em empréstimos consignados. Essa ação vem como resultado de fiscalização e denúncias que identificaram práticas consideradas abusivas e em desacordo com as regras de proteção ao consumidor.
A restituição será realizada em até 60 dias após a assinatura do acordo e poderá ocorrer de diversas formas, incluindo abatimento das parcelas do empréstimo, crédito em conta, transferências via PIX ou pelo Sistema de Valores a Receber (SVR) do Banco Central. Essa variedade de opções foi pensada para oferecer maior flexibilidade aos beneficiários e garantir que o dinheiro retornasse de maneira rápida e segura.
O que motivou o acordo entre PicPay e INSS?
O termo de compromisso surgiu a partir de uma constatação clara de irregularidades na cobrança de seguros prestamistas. Esses seguros, quando cobrados diretamente do benefício previdenciário, configuram uma prática considerada ilegal por ferir o direito à liberdade de escolha do consumidor e o princípio da dignidade do beneficiário. A fiscalização identificou que muitos aposentados e pensionistas estavam sendo obrigados a contratar produtos financeiros vinculados a empréstimos, sem uma escolha efetiva.
O PicPay se comprometeu a interromper imediatamente a comercialização desses produtos e a proibir a chamada “venda casada”, uma prática em que a contratação de um produto é condicionada à aquisição de outro. Essa medida protege os beneficiários de cobranças abusivas e garante que apenas produtos realmente desejados sejam contratados. Além do caráter corretivo, o acordo reforça a responsabilidade da instituição em respeitar normas legais e assegurar transparência na relação com seus clientes.
Como os beneficiários poderão receber a restituição?
Para tornar o processo mais acessível e prático, o INSS e o PicPay definiram múltiplas formas de devolução. Cada beneficiário poderá escolher a opção que melhor se adapta à sua situação financeira, garantindo que o valor seja restituído de maneira eficiente e sem complicações.
- Abatimento nas parcelas do empréstimo consignado, permitindo reduzir o valor total a pagar sem a necessidade de movimentar dinheiro fisicamente;
- Crédito em conta corrente, que oferece flexibilidade total para o beneficiário utilizar o valor da forma que preferir, seja para pagar dívidas ou para despesas pessoais;
- PIX, garantindo transferências rápidas e seguras, com liquidez imediata;
- Sistema de Valores a Receber (SVR) do Banco Central, uma alternativa digital que centraliza valores que podem estar pendentes ou esquecidos, simplificando o acesso aos recursos.

Quais cuidados os aposentados devem ter agora?
Mesmo com a restituição garantida, é fundamental que os beneficiários adotem práticas de prevenção para evitar futuras cobranças indevidas. A atenção aos extratos e contratos é o primeiro passo para manter o controle financeiro e proteger-se contra irregularidades.
- Revisar os extratos do INSS regularmente para identificar qualquer desconto que não tenha sido autorizado;
- Ficar atento a novas ofertas de seguros vinculadas a empréstimos, questionando sempre a obrigatoriedade e a real necessidade do produto;
- Registrar reclamações junto às instituições financeiras ou órgãos de defesa do consumidor caso alguma cobrança irregular persista, garantindo que haja registro formal da ocorrência;
- Salvar comprovantes das restituições recebidas, mantendo histórico claro das transações para eventual conferência futura.
Por que a prática de “venda casada” é proibida?
A venda casada é uma prática considerada abusiva e ilegal, pois limita a liberdade de escolha do consumidor. Ela ocorre quando um produto ou serviço só pode ser adquirido mediante a contratação de outro, criando uma situação de coerção velada. Para os beneficiários do INSS, isso significa que poderiam ser obrigados a aceitar seguros ou produtos financeiros sem real necessidade, impactando negativamente o orçamento e violando direitos básicos.
Além da proteção ao consumidor, a proibição da venda casada garante:
- Transparência: assegura que o beneficiário compreenda claramente o que está contratando, sem surpresas ou imposições;
- Evita prejuízos: impede que descontos indevidos comprometam o valor do benefício, que muitas vezes é a principal fonte de renda do aposentado;
- Cumprimento da lei: alinha as operações das instituições financeiras às normas do Código de Defesa do Consumidor e às diretrizes do INSS;
- Autonomia do beneficiário: garante que a decisão sobre a contratação de produtos seja tomada de forma consciente e voluntária.
Dicas para evitar cobranças indevidas no futuro
Para manter o controle sobre o próprio dinheiro e evitar problemas similares, os beneficiários podem adotar algumas práticas simples, mas extremamente eficazes. A prevenção é sempre mais fácil do que a correção de irregularidades.
- Leia atentamente todos os contratos antes de assinar, verificando cláusulas de seguros ou produtos adicionais;
- Verifique periodicamente se algum desconto está sendo feito diretamente no benefício do INSS sem autorização expressa;
- Questione as instituições financeiras sobre a obrigatoriedade de qualquer produto vinculado ao empréstimo, garantindo que a contratação seja opcional;
- Use canais oficiais do INSS e de órgãos de defesa do consumidor para esclarecer dúvidas, registrar reclamações e confirmar valores corretos.
Com essas medidas, os beneficiários podem recuperar o controle sobre suas finanças e reduzir os riscos de cobranças indevidas. A iniciativa do PicPay é um passo importante, mas a conscientização e o acompanhamento constante são essenciais para garantir que os direitos sejam respeitados de forma contínua.






