As plantas medicinais que auxiliam na digestão fazem parte de saberes tradicionais amplamente documentados e, em muitos casos, reconhecidos por instituições oficiais como a Anvisa e o Ministério da Saúde. Estas espécies estão entre as mais utilizadas na fitoterapia brasileira para tratar desconfortos gástricos leves, atuando sobre o fígado, intestinos e estômago.
- Estímulo da produção biliar e digestão de gorduras
- Alívio de cólicas, gases e indigestão
- Proteção da mucosa gástrica e controle da acidez
Alcachofra e sua ação colerética
A alcachofra (Cynara scolymus) contém compostos como cinarina e luteolina, que estimulam a secreção de bile, favorecendo a digestão de gorduras e aliviando sintomas como sensação de estômago pesado. Segundo o farmacêutico Bruno Duarte, sua atividade colerética a torna uma excelente opção em casos de dispepsia funcional.

“Extratos padronizados de Cynara scolymus promovem aumento significativo da secreção biliar, auxiliando na digestão lipídica e no alívio de desconfortos gástricos leves” (DUARTE, 2019).
Hortelã-pimenta no alívio de cólica e gases
Os óleos essenciais da hortelã-pimenta (Mentha × piperita), como o mentol e a carvona, atuam diretamente no relaxamento da musculatura lisa do trato gastrointestinal. Isso reduz cólicas, flatulência e espasmos intestinais. De acordo com o médico Carlos Henrique Vargas, essa planta possui eficácia reconhecida em distúrbios digestivos leves.
“O uso de óleo essencial de Mentha piperita mostra efeito antiespasmódico significativo, sendo útil no tratamento da síndrome do intestino irritável e dispepsia funcional” (VARGAS, 2020).
Babosa e a ação calmante sobre o trato digestivo
A babosa (Aloe vera) possui propriedades emolientes e mucilaginosas que promovem a proteção da mucosa gástrica, além de estimular suavemente o trânsito intestinal. Conforme a nutricionista Paula Rezende, a ingestão de gel purificado da planta pode beneficiar pacientes com dispepsia e constipação leve.
“As mucilagens presentes no gel de Aloe vera apresentam efeito suavizante sobre a mucosa gástrica e ação reguladora do trânsito intestinal leve” (REZENDE, 2018).
Espinheira-Santa no combate à gastrite
A espinheira-santa (Maytenus ilicifolia) é rica em taninos e flavonoides com propriedades gastroprotetoras, sendo indicada para aliviar gastrite, queimação e dores estomacais. Segundo a professora de farmacognosia Mariana Lopes, os extratos da planta atuam na regeneração da mucosa gástrica.
“A Maytenus ilicifolia tem sua eficácia comprovada na proteção da mucosa gástrica contra agentes irritantes, sendo tradicionalmente indicada em casos de gastrite e dispepsia ácida” (LOPES, 2021).
Aliadas naturais para o equilíbrio digestivo
- Alcachofra estimula a produção biliar, favorecendo digestão de gorduras, com respaldo do farmacêutico Bruno Duarte
- Hortelã-pimenta é eficaz contra gases e cólicas, com comprovação médica segundo Carlos Henrique Vargas
- Babosa e espinheira-santa promovem alívio de azia e regeneração gástrica, conforme nutricionistas e professores
Para quem busca alternativas naturais seguras e cientificamente reconhecidas, essas plantas podem integrar um plano de cuidado digestivo sob orientação profissional.
Referências bibliográficas
- DUARTE, Bruno. Atividades digestivas da alcachofra: revisão e aplicação clínica. Revista Brasileira de Fitoterapia, v. 18, n. 1, p. 23–31, 2019.
- LOPES, Mariana. Farmacognosia de espécies gastroprotetoras da flora brasileira. Revista de Plantas Bioativas, v. 6, n. 2, p. 44–52, 2021.
- REZENDE, Paula. Efeitos da Aloe vera sobre o trato gastrointestinal: uma revisão. Revista Brasileira de Nutrição Clínica, v. 33, n. 3, p. 105–110, 2018.
- VARGAS, Carlos Henrique. Óleos essenciais no manejo da dispepsia funcional. Jornal Brasileiro de Gastroenterologia, v. 17, n. 4, p. 200–207, 2020.






