O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China. Com 21 milhões de toneladas, o país fica bem à frente do Vietnã, que possui apenas 3,5 milhões de toneladas.
Esses minerais são fundamentais para tecnologias limpas e dispositivos modernos, e colocam o país em posição estratégica no cenário global.
Brasil avança como potência mundial em terras raras
Com cerca de 21 milhões de toneladas, o Brasil concentra aproximadamente 23% das reservas globais de terras raras. Esse volume é significativamente superior ao do Vietnã (3,5 milhões de toneladas) e inferior apenas ao da China, que possui 44 milhões de toneladas e domina 70% da produção mundial e 90% do processamento desses minerais.
Apesar do grande potencial, a produção brasileira ainda é tímida. Em 2024, foram extraídas apenas 20 toneladas, menos de 0,1% da produção global. A única mina em operação comercial em escala fica em Minaçu (GO), controlada pela Serra Verde.
O aumento das exportações também chama atenção: somente no primeiro semestre de 2025, as vendas brasileiras para a China triplicaram, alcançando US$ 6,7 milhões.
Por que os minerais de terras raras são tão importantes?
- Servem na fabricação de ímãs de alta performance usados em turbinas e motores elétricos.
- São fundamentais para baterias recarregáveis e dispositivos como smartphones e tablets.
- Impulsionam a indústria de energia limpa, como eólica e solar.
- Estão presentes em equipamentos militares e tecnologias médicas de ponta.
A dependência global desses elementos aumentou com a transição energética e a digitalização acelerada. Na prática, quem controla esses recursos controla boa parte da cadeia tecnológica do futuro.

Projetos milionários prometem mudar o jogo até 2030
Estão em curso no país investimentos expressivos, especialmente em Poços de Caldas (MG), que concentra dois grandes projetos em desenvolvimento:
- Projeto Colossus, da Viridis: investimento de R$ 1,35 bilhão com construção prevista para 2026 e operação em meados de 2027
- Projeto Caldeira, da Meteoric: aporte previsto de R$ 1,18 bilhão, também em fase de testes e planejamento para operação
Ao todo, o setor estima investimentos de aproximadamente US$ 18,45 bilhões até 2029, representando um crescimento significativo na capitalização de projetos de terras raras no Brasil. Além de gerar empregos e aquecer economias locais, os projetos posicionam o Brasil como ator-chave no fornecimento internacional de matérias-primas tecnológicas.
A CBMM, por exemplo, lançou um projeto-piloto que já produz 100 toneladas mensais e anunciou recentemente que começará a vender subprodutos de terras raras.
Como o Brasil pretende extrair terras raras de forma sustentável?
A extração sustentável de terras raras é prioridade para o Brasil. Isso passa por três frentes principais:
- Criação de um marco regulatório claro e eficiente, já em debate no Congresso
- Desenvolvimento de tecnologias limpas de extração e separação de minerais
- Parcerias público-privadas e cooperação internacional com países experientes
O país já participa da Minerals Security Partnership, grupo internacional liderado pelos Estados Unidos para diversificar a cadeia de suprimentos de minerais estratégicos. O governo americano, através da International Development Finance Corporation (DFC), aprovou financiamento de até US$ 5 milhões para o estudo de viabilidade do Projeto Carina, que possui investimento total de US$ 1,5 bilhão e prevê produção comercial para 2028.
Dica rápida: Pesquisadores brasileiros identificaram concentrações excepcionais de terras raras em Roraima, com teores até seis vezes maiores que os da China. Embora ainda em fase de pesquisa e não cadastrada na Agência Nacional de Mineração, essa descoberta reforça o potencial do Brasil de se tornar um player global em minerais estratégicos.
Quais são as perspectivas para o Brasil nesse mercado bilionário?
As perspectivas futuras para o Brasil no setor de terras raras são extremamente favoráveis. O avanço tecnológico, a demanda global por fontes energéticas limpas e o interesse de países em reduzir a dependência da China tornam o Brasil um fornecedor estratégico.
Com mais investimentos, infraestrutura e segurança jurídica, o país pode se transformar não só em um grande exportador, mas também em um centro de inovação na cadeia de valor desses minerais.
Atenção: especialistas alertam que a distribuição justa dos benefícios e o respeito ao meio ambiente serão fatores-chave para garantir um crescimento sustentável e socialmente responsável.






