Presente em quintais, hortas e varandas por todo o Brasil, o mastruz (ou erva-de-santa-maria) é uma dessas plantas que atravessam gerações carregando uma sabedoria silenciosa. Conhecido pelo aroma intenso e pelas folhas pequenas, ele é símbolo de força natural, purificação e vitalidade. Em muitas casas, o chá ou o suco de mastruz é o primeiro remédio que se aprende a fazer e, ao longo dos anos, a ciência tem confirmado o que a tradição popular sempre soube: o mastruz é, de fato, uma planta de poder.
Originário da América Central, o Dysphania ambrosioides é uma planta medicinal reconhecida oficialmente pelo Ministério da Saúde do Brasil e estudada em diversas universidades por suas propriedades antimicrobianas, anti-inflamatórias, antiparasitárias e expectorantes. É um dos pilares da fitoterapia brasileira e um verdadeiro exemplo de como a natureza pode ser medicina viva.
O mastruz na medicina popular e científica
O uso medicinal do mastruz é antigo. Povos indígenas já utilizavam suas folhas para tratar feridas, gripes e infecções intestinais. Nas casas do interior, o chá era conhecido por “limpar o sangue” e fortalecer o organismo. Essa fama não é à toa: segundo pesquisas da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e da Universidade de Brasília (UnB), o mastruz contém substâncias bioativas com alto potencial terapêutico, como o ascaridol e o limoneno.
Esses compostos conferem ao mastruz propriedades:
- Antiparasitárias: eficazes no combate a verminoses intestinais (confirmado por estudos laboratoriais da UnB);
- Antimicrobianas: inibem bactérias e fungos, auxiliando no tratamento de infecções leves;
- Expectorantes: facilitam a eliminação de muco e aliviam sintomas de gripes e resfriados;
- Anti-inflamatórias: reduzem inchaços e inflamações musculares quando usadas topicamente.
O pesquisador fitoterápico Dr. André Vianna (Fiocruz) explica: “O mastruz tem uma composição química complexa e potente. Seu óleo essencial apresenta atividade significativa contra bactérias intestinais e respiratórias, sendo uma planta de valor medicinal comprovado, desde que usada com cautela.”
Como usar o mastruz de forma segura
Apesar de natural, o mastruz é uma planta concentrada e deve ser utilizado com moderação. O modo de preparo e a dosagem correta fazem toda a diferença entre o benefício e o risco.
1. Chá de mastruz (uso interno)
Indicado para fortalecer o sistema imunológico e aliviar gripes, tosses e verminoses leves.
- Ferva uma xícara de água, desligue o fogo e adicione de 5 a 7 folhas frescas de mastruz.
- Tampe e deixe em infusão por 10 minutos.
- Coe e beba morno, de preferência em jejum, até duas vezes por semana.
O sabor é forte e levemente amargo, mas o efeito é revigorante. Segundo estudos da Universidade Federal do Ceará, o consumo regular e moderado estimula a imunidade e atua como regulador natural do metabolismo intestinal.
2. Suco de mastruz com leite
Clássico das casas brasileiras, é conhecido por ajudar no combate a parasitas intestinais e melhorar a disposição.
- Bata 1 copo de leite morno com 4 folhas frescas de mastruz.
- Beba imediatamente, uma vez por semana.
Esse preparo potencializa a absorção dos princípios ativos e, segundo a Embrapa, é uma das formas mais tradicionais e seguras de uso doméstico.
3. Uso tópico (para feridas e inflamações)
A folha macerada, misturada com um pouco de azeite, pode ser aplicada sobre feridas pequenas, picadas ou áreas inflamadas. O efeito calmante e regenerador é imediato. Um estudo da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA) mostrou que o extrato da planta acelera a cicatrização e reduz a proliferação de microrganismos em ferimentos superficiais.
Cuidados e contraindicações
O mastruz é seguro quando usado de forma controlada, mas, por conter compostos potentes, deve ser evitado por gestantes, lactantes e crianças pequenas sem orientação médica. Seu uso excessivo pode causar irritação estomacal ou intoxicação leve.

A fitoterapeuta Dra. Lígia Soares alerta: “O poder do mastruz é impressionante, mas é preciso respeitar seus limites. Em pequenas doses, ele cura. Em excesso, pode irritar o organismo. A sabedoria está na medida.”
Se houver sintomas persistentes ou uso prolongado, é sempre indicado consultar um médico ou especialista em fitoterapia.
O simbolismo do mastruz: purificação e força
Além da sua potência física, o mastruz carrega um significado espiritual profundo. Em muitas tradições populares, ele é usado em banhos e defumações para “limpar energias pesadas” e renovar a vitalidade da casa. Seu aroma intenso simboliza proteção e coragem, uma planta que “abre caminhos”, como dizem os antigos.
Na aromaterapia natural, é considerado um estimulante energético: seu cheiro verde e penetrante traz sensação de limpeza, coragem e foco. Uma simples infusão de folhas frescas usada como spray natural já muda a vibração do ambiente.
Uma planta que cura corpo e história
O mastruz é mais do que uma erva medicinal, é uma herança viva. Ele une ciência e sabedoria popular, mostrando que o verdadeiro poder da cura está na simplicidade. É uma planta que nasceu para servir, proteger e equilibrar.
Em um mundo cada vez mais químico e acelerado, voltar ao natural é um ato de reconexão. Cuidar com mastruz é também cuidar das nossas raízes, das memórias de quem aprendeu a curar com o que a terra oferece. É lembrar que, às vezes, o remédio está no quintal, e o que cura o corpo também acalma a alma.






