O ipê-amarelo (Handroanthus albus) é uma árvore nativa do Brasil amplamente conhecida por sua beleza ornamental e também por seu uso tradicional na medicina popular. Pesquisas científicas investigam os compostos bioativos de sua casca e folhas, revelando potenciais efeitos terapêuticos.
- Propriedade anti-inflamatória
- Ação antioxidante
- Atividade antimicrobiana e antifúngica
Propriedade anti-inflamatória
O ipê-amarelo apresenta ação anti-inflamatória devido à presença de compostos quinônicos, como o lapachol, que inibem mediadores inflamatórios e citocinas pró-inflamatórias. Essa atividade auxilia na modulação da resposta imune e na redução de processos inflamatórios, como apontado em estudos pré-clínicos.
“Os extratos da casca mostraram supressão significativa de marcadores da resposta inflamatória ex vivo, sugerindo potente atividade anti-inflamatória” (RYAN et al., 2021).

Ação antioxidante
Os flavonoides e compostos fenólicos do ipê-amarelo exercem efeito antioxidante ao neutralizar radicais livres e diminuir o estresse oxidativo. Esse mecanismo protege células e tecidos de danos oxidativos, sendo evidenciado em ensaios in vitro de alta capacidade redutora.
“Extratos ou compostos isolados de Handroanthus spp. exibiram atividade antioxidante em diferentes modelos in vitro” (ZHANG et al., 2020).
Atividade antimicrobiana e antifúngica
O ipê-amarelo contém princípios ativos com ação antimicrobiana e antifúngica, capazes de inibir o crescimento de bactérias e fungos patogênicos. Essa atividade reforça seu uso tradicional como aliado no combate a infecções.
“Os constituintes fitoquímicos de Handroanthus demonstraram efeitos antibacterianos e antifúngicos em múltiplos ensaios in vitro” (ZHANG et al., 2020).
Potencial anticancerígeno
O lapachol e seus derivados encontrados no ipê-amarelo têm sido avaliados pelo potencial de inibir a proliferação celular e induzir apoptose em células tumorais. Essa atividade é atribuída à regulação de proteínas apoptóticas e ao estresse oxidativo seletivo em células cancerígenas.
“A β-lapachona e outras quinonas da casca despertaram interesse devido à atividade anticancerígena em linhagens de células tumorais” (ZHANG et al., 2020).
Uso e modo de preparo
O uso tradicional do ipê-amarelo é feito em forma de chá de casca: 1 a 2 colheres (chá) da casca seca em infusão por 10 a 15 minutos, até 3 vezes ao dia. Também existem preparações fitoterápicas padronizadas que devem ser utilizadas sob orientação profissional.
Precauções e contraindicações
O uso do ipê-amarelo é contraindicado em gestantes, lactantes e pessoas com problemas hepáticos ou renais, devido aos riscos de toxicidade do lapachol. Além disso, pode interagir com medicamentos anticoagulantes, aumentando o risco de sangramentos.
“A segurança do lapacho durante a gravidez e lactação não foi estabelecida e, em altas doses, pode causar efeitos adversos graves” (UTEP Herbals, s.d.).
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Benefícios comprovados e futuras perspectivas
- O ipê-amarelo possui efeito anti-inflamatório demonstrado em modelos experimentais (Ryan et al., 2021)
- Compostos fenólicos revelaram ação antioxidante eficaz em ensaios in vitro (Zhang et al., 2020)
- Foi comprovada atividade antimicrobiana e antifúngica contra diferentes micro-organismos (Zhang et al., 2020)
- O possível efeito anticancerígeno ainda requer estudos clínicos mais robustos
Referências Bibliográficas
- RYAN, R. Y.; et al. The medicinal plant Handroanthus spp. potently modulates inflammatory responses ex vivo. Scientific Reports, v. 11, 85211, 2021.
- ZHANG, J.; et al. Handroanthus: A Comprehensive Review on Traditional Uses, Phytochemistry and Immunopharmacological Properties. Molecules, v. 25, n. 18, 4294, 2020.
- UTEP Herbals. Lapacho (Ipê) Fact Sheet. UTEP, s.d.
- McCLURE, C.; et al. Handroanthus for primary dysmenorrhea: A randomized trial in mice. PMC, 2022.






