A valeriana (Valeriana officinalis) é uma planta medicinal tradicionalmente usada para melhorar o sono e aliviar a ansiedade. Seus compostos bioativos atuam em receptores do sistema nervoso, oferecendo benefícios terapêuticos com boa segurança quando utilizada de forma correta.
- Melhora do sono e redução da latência para adormecer
- Ação ansiolítica leve em estados de tensão nervosa
- Efeito antiespasmódico útil em cólicas e desconfortos digestivos
Benefícios para o sono
A valeriana concentra sesquiterpenos como o ácido valerênico e iridóides como os valepotriatos, que atuam no sistema GABAérgico associado ao relaxamento. Estudos clínicos sugerem melhora na qualidade do sono, com evidências reunidas em revisão sistemática (BENT et al., 2006).
“As evidências disponíveis sugerem que a valeriana pode melhorar a qualidade do sono sem produzir efeitos adversos.” (BENT et al., 2006).
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Ação ansiolítica leve
Em quadros de tensão nervosa e irritabilidade, a valeriana é usada como fitoterápico tradicional. Diretrizes europeias reconhecem seu papel no alívio de sintomas leves de estresse e como coadjuvante no tratamento da insônia (EMA/HMPC, 2016).
“Medicamento fitoterápico tradicional indicado para o alívio de sintomas leves de estresse mental e como auxílio no sono.” (EMA/HMPC, 2016).
Mecanismo GABAérgico
O ácido valerênico é um modulador positivo dos receptores GABAA, especialmente em subunidades β2/β3, o que explica efeitos ansiolíticos e sedativos leves. Essa seletividade foi demonstrada em estudos experimentais e comportamentais (KHOM et al., 2010).
“O ácido valerênico foi identificado como modulador específico de subunidades β2/3 dos receptores GABAA, com potencial ansiolítico.” (KHOM et al., 2010).
Propriedade antiespasmódica digestiva
Além dos efeitos no sono, a valeriana é descrita como adjuvante em espasmos da musculatura lisa e desconfortos gastrointestinais de origem nervosa. Essa ação está relacionada a compostos com efeito miorrelaxante (WHO, 1999).
“Usada como auxiliar digestivo e adjuvante em estados espasmódicos da musculatura lisa e dores gastrointestinais de origem nervosa.” (WHO, 1999).
Modo de uso e cuidados práticos
Para uso doméstico, a forma mais comum é a infusão da raiz seca em água quente, ingerida à noite. Diretrizes internacionais descrevem dosagens usuais por infusão, respeitando limites diários e avaliações individuais (WHO, 1999).
“Raiz seca, 2–3 g por xícara em infusão oral, até 5 vezes ao dia, total de 10 g.” (WHO, 1999).
- Dica de preparo: infundir 2–3 g em 200–250 mL de água quente, tampado por 10–15 minutos.
- Uso noturno: ingerir 30–60 minutos antes de deitar para otimizar o efeito sobre o sono.
- Cuidados: evitar combinação com álcool ou sedativos e observar possível sonolência no dia seguinte.

Segurança e contraindicações essenciais
A valeriana é bem tolerada, mas pode causar sonolência; por isso, recomenda-se cautela ao dirigir ou operar máquinas. Durante gestação e lactação, seu uso não é indicado por falta de dados consistentes (EMA/HMPC, 2016).
“Pode comprometer a capacidade de dirigir e operar máquinas. Pacientes afetados devem evitar tais atividades.” (EMA/HMPC, 2016).
Valeriana bem indicada para sono e tensão leve
- Evidência clínica: melhora do sono em revisão sistemática com bom perfil de segurança (BENT et al., 2006).
- Mecanismo: modulação GABAA pelo ácido valerênico apoia efeito ansiolítico e sedativo (KHOM et al., 2010).
- Uso responsável: infusão padronizada e cautela em associações medicamentosas, conforme monografias oficiais (WHO, 1999; EMA/HMPC, 2016).
Referências bibliográficas
- BENT, Stephen; PADULA, Amy; MOORE, Dan; PATTERSON, Michael; MEHLING, Wolf. Valeriana para o sono: revisão sistemática e meta-análise. The American Journal of Medicine, v. 119, n. 12, p. 1005–1012, 2006.
- EUROPEAN MEDICINES AGENCY (HMPC). Monografia da União Europeia sobre Valeriana officinalis L., aetheroleum. Londres: EMA, 2016.
- KHOM, S.; STROMMER, B.; RAMHARTER, J.; et al. Derivados do ácido valerênico como novos ligantes seletivos de subunidades do receptor GABAA – caracterização in vitro e in vivo. British Journal of Pharmacology, v. 161, n. 1, p. 65–78, 2010.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION. Monografias da OMS sobre plantas medicinais selecionadas. Vol. 1. Genebra: WHO, 1999.
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