Em um cenário onde a tecnologia avança rapidamente, os fraudadores também têm inovado suas técnicas, tornando-se cada vez mais sofisticados em seus golpes. Um dos métodos de fraude que tem se destacado é o golpe do “presente de aniversário”. Esse esquema envolve falsos entregadores que surpreendem as vítimas com a cobrança de uma taxa de entrega fictícia. Ao inserir o cartão em uma máquina de pagamento adulterada e digitar a senha, as vítimas, inadvertidamente, fornecem suas informações financeiras a criminosos.
Essa prática tem ganhado proporções alarmantes em várias regiões do Brasil. De acordo com a Polícia Civil, Curitiba é uma das cidades que tem registrado um aumento significativo nos casos, onde vítimas relataram prejuízos superiores a R$ 28 mil em questão de horas. Golpes semelhantes têm sido documentados em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, demonstrando que essa tática está se espalhando rapidamente pelo país.
Como os golpistas operam nessas fraudes?

O modus operandi seguido pelos golpistas no golpe do presente de aniversário é engenhoso. A armadilha começa com um falso entregador que comparece à porta da vítima com um suposto presente, geralmente coincidente com datas comemorativas. Alega-se então que há uma taxa simbólica de entrega, geralmente em torno de R$ 10. Durante a transação, a vítima é induzida a inserir o cartão porque “a aproximação não está funcionando”. Após digitar a senha, a suposta taxa é debitada, mas os criminosos acabam transmitindo os dados para uma central de operações via Bluetooth, resultando rapidamente em compras fraudulentas de alto valor. Recentemente, autoridades identificaram uma ligação cada vez mais frequente desses grupos de golpistas com quadrilhas organizadas que atuam em diferentes regiões utilizando tecnologias importadas para o Brasil.
Quais são os outros golpes com maquininhas de pagamento?
Além do golpe do presente de aniversário, outras modalidades de fraude com maquininhas de pagamento são motivo de preocupação. Entre as estratégias usadas pelos criminosos, destacam-se:
- Erro na aproximação: Os golpistas induzem a vítima a inserir o cartão com a desculpa de que houve um erro na leitura por aproximação.
- Senha antes da hora: Vítimas são levadas a digitar a senha em momentos inadequados, permitindo que dados sejam capturados.
- Golpe do delivery: Motoristas de aplicativos mencionam cobranças extras e utilizam maquininhas adulteradas para práticas fraudulentas.
- Compra duplicada: Após uma transação, alegam que houve um erro e repetem a cobrança indevida.
- Visor adulterado: Maquininhas com visores falsos ou quebrados escondem o valor real da transação, confundindo a vítima.
Bancos podem ser responsabilizados pelas fraudes?
A responsabilidade das instituições financeiras nesses casos é um ponto controverso. Segundo o Código de Defesa do Consumidor, os bancos podem ser responsabilizados por falhas na prestação de serviços. Entretanto, muitos bancos se recusam a ressarcir os valores alegando que a transação foi efetuada com a autorização do cliente, por meio de sua senha. Existem já algumas decisões judiciais que obrigam as instituições a reembolsar valores quando as compras realizadas fogem ao padrão de consumo do cliente, mas essa responsabilidade nem sempre é reconhecida, gerando um desafio adicional para as vítimas de fraude. Advogados especializados recomendam que as vítimas registrem toda comunicação com o banco e detalhem divergências percebidas nas transações recentes para ampliar suas chances de ressarcimento.
Como identificar uma maquininha de cartão adulterada?

Existem alguns sinais que podem alertar para uma possível maquininha adulterada. É importante observar se a máquina apresenta danos físicos, como lacres violados, telas com brilho ou coloração diferentes e teclados soltos ou desalinhados. Muitas vezes, golpistas usam máquinas com visores falsificados ou até sobrepõem dispositivos para capturar dados do cartão. Também é recomendável nunca permitir que o atendente ou entregador leve a maquininha para longe do seu campo de visão durante a transação. Atualizações de segurança, como verificação do tipo de modelo e análise do comprovante após a transação, também são úteis para identificação precoce de fraudes. Ao desconfiar de qualquer irregularidade, evite usar seu cartão e denuncie o caso às autoridades competentes.
Quais medidas devem ser tomadas imediatamente ao perceber que foi vítima de um golpe desse tipo?
Se a pessoa perceber que caiu em um golpe com maquininha adulterada, é fundamental agir rapidamente. O primeiro passo é entrar em contato com o banco ou operadora do cartão para bloquear o cartão e contestar as transações suspeitas. Em seguida, deve-se registrar um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima. Também é importante guardar comprovantes, fotos e qualquer prova que possa ajudar na investigação. Quanto mais rápido esse procedimento for seguido, maiores são as chances de reverter parte do prejuízo ou evitar novas fraudes em sua conta. Em casos recentes, algumas vítimas relatam sucesso ao contatar empresas de monitoramento de crédito que ajudam a bloquear tentativas adicionais de fraude vinculadas ao CPF.






