O setor de serviços sob demanda experimentou forte expansão ao longo dos últimos anos, especialmente em áreas relacionadas ao cuidado com animais de estimação. Em meio a este cenário dinâmico, uma empresa de destaque com atuação em San Francisco optou por iniciar um processo de reestruturação financeira em julho de 2025. Fundada em 2014, a Wag conquistou notoriedade com sua proposta de passeios para cães e serviços complementares, atingindo avaliações expressivas no auge da economia baseada em aplicativos.
Apesar do crescimento inicial acelerado, a companhia enfrentou desafios significativos nos anos seguintes. Entre 2022 e 2024, a queda na receita e o acúmulo de perdas criaram um cenário adverso, agravado por mudanças no comportamento dos donos de pets após a pandemia de COVID-19. O aumento da concorrência, aliado aos custos operacionais elevados, contribuiu para a decisão recente da Wag de buscar proteção judicial para viabilizar uma reorganização.
Como a Wag atingiu o ápice e o que desencadeou sua crise?
No final da década passada, o mercado de pets experimentou uma valorização expressiva. Com investimentos vultosos, a Wag se consolidou como referência ao oferecer passeios, hospedagem, opções de seguros para animais e facilidades como acesso a cuidados veterinários. O investimento de 300 milhões de dólares da SoftBank, em 2018, ilustrou o otimismo em relação ao potencial do setor, refletindo a confiança dos investidores no modelo de negócios proposto pela companhia.
Entretanto, a partir de 2020, a empresa passou a enfrentar obstáculos contínuos. A pandemia impactou diretamente a demanda, uma vez que mais pessoas permaneciam em casa, reduzindo a busca por passeios de cães e outros serviços terceirizados. Paralelamente, a presença de concorrentes fortes, como a Rover, intensificou a disputa por fatias do mercado, tornando a sustentabilidade financeira ainda mais desafiadora para a Wag.

Quais fatores contribuíram para o pedido de falência da Wag?
Além do contexto econômico desfavorável, o modelo de negócio se mostrou vulnerável diante de mudanças repentinas na demanda e da dificuldade para captar novos recursos. O endividamento tornou-se um ponto crítico à medida que a empresa cumpriu obrigações superiores à sua capacidade de geração de caixa. A busca por investimentos adicionais não foi suficiente para reverter o cenário, culminando no pedido de recuperação judicial.
- Redução na demanda: Mudanças no estilo de vida dos consumidores após 2020.
- Concorrência acirrada: Atuação de outras empresas de tecnologia focadas em serviços para pets.
- Estrutura de custos elevada: Desafios para equilibrar despesas administrativas e operacionais.
- Dificuldade de captação: Restrições no acesso a novos aportes financeiros.
O que muda com a reestruturação da Wag?
A empresa optou por um plano de recuperação que prevê o funcionamento contínuo de suas atividades durante o processo, mantendo o suporte a clientes, tutores de pets e profissionais parceiros. O controle acionário será transferido para a Retriever LLC, seu maior credor, como parte do acordo, e o objetivo declarado é eliminar dívidas e ajustar a estrutura de capital para se alinhar à real capacidade de operação da Wag.
Esse movimento deve representar uma tentativa de preservar o valor de mercado e proteger trabalhadores e tutores que dependem dos serviços. Listam-se, abaixo, alguns dos principais pontos do plano de reestruturação:
- Continuidade dos serviços para clientes já cadastrados.
- Reorganização dos contratos de dívida e repactuação com fornecedores.
- Foco na sustentabilidade financeira a médio e longo prazo.
- Manutenção dos empregos durante o processo de recuperação, sempre que possível.
O cenário das startups de serviços para pets em 2025 mudou?
O caso da Wag ilustra as transformações vividas por empresas do segmento pet nos últimos anos. A necessidade de adaptação a novos hábitos de consumo, o crescimento moderado na demanda e a busca por rentabilidade a longo prazo continuam sendo temas centrais para iniciativas que atuam na chamada economia gig. Muitas startups do ramo passaram a rever estratégias para lidar com oscilações de mercado e garantir maior segurança financeira.
Após anos de crescimento impulsionado pelo uso de aplicativos e investimento de grandes fundos, o setor agora busca soluções mais sólidas para enfrentar incertezas. O caso da Wag ressalta a importância de uma gestão equilibrada e flexível, voltada não só para a expansão, mas também para a manutenção de recursos suficientes para superar períodos de adversidade. A reestruturação sinaliza um novo capítulo para modelos de negócios voltados ao cuidado de animais de estimação e aponta para um futuro de adaptações e desafios renovados na economia digital.






