Décio Otero nasceu em 15 de julho de 1933, em Ubá (MG), e faleceu em 28 de julho de 2025, aos 92 anos, por causas naturais. Sua trajetória na dança teve início em 1951, no Ballet de Minas Gerais, sob a direção de Carlos Leite. Foi nesse ambiente que ele teve os primeiros contatos com grandes nomes da dança brasileira, como Klauss Vianna e Angel Vianna. Essas influências foram fundamentais para o desenvolvimento de sua técnica e visão artística.
Desde cedo, Otero demonstrava um talento incomum e dedicação intensa à arte do movimento. Por consequência, rapidamente se destacou entre seus colegas, consolidando as bases de uma carreira que viria a influenciar profundamente a história da dança no Brasil e no exterior.
Qual foi a importância de sua atuação no Theatro Municipal do Rio?
Décio Otero teve papel central no Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro a partir de 1956, tornando-se solista em 1957. O convite feito por Tatiana Leskova marcou uma virada importante em sua carreira, permitindo-lhe trabalhar com figuras históricas como Maryla Gremo e Nina Verchinina.

Sua performance no célebre Pas de Deux de “Cisne Negro”, em 1959, foi aclamada como um marco. Esse período consolidou não apenas seu prestígio como intérprete, mas também sua autoridade no cenário artístico carioca, colocando-o entre os grandes nomes da dança clássica brasileira.
De que forma Décio Otero impactou a dança internacional?
Otero expandiu sua atuação internacional ao se tornar solista do Ballet Du Grand Théâtre de Genève em 1963. Convidado por Beatriz Consuêlo, ele brilhou sob a direção de Serge Golovine e logo chamou atenção de outras companhias europeias de prestígio.
Décio Otero (1933–2025)
— Grupo Corpo (@grupocorpo) July 30, 2025
O Grupo Corpo se despede, com carinho, de Décio Otero, coreógrafo, diretor e referência da dança brasileira.
Nosso abraço a Marika Gidali, à família e ao Ballet Stagium. Sua arte abriu caminhos e marcou gerações. 🌹 pic.twitter.com/8fGuklB5lZ
Nos anos seguintes, atuou no Ballet da Ópera de Colônia e na Ópera de Frankfurt, ampliando seu repertório e firmando seu nome em palcos renomados. A seguir, três momentos marcantes dessa fase:
- Ascensão como solista em companhias europeias de alto nível
- Reconhecimento por crítica especializada e público internacional
- Participações ao lado de ícones como Margot Fonteyn
Por que o Ballet Stagium é tão significativo na carreira de Otero?
O Ballet Stagium, fundado por Décio Otero e Marika Gidali em 1971, se tornou um divisor de águas na dança brasileira. Após retornar ao Brasil em 1969, Otero buscava um espaço onde pudesse integrar inovação coreográfica com relevância social e cultural.

A proposta do Stagium foi além dos palcos tradicionais: levou espetáculos a escolas públicas, praças e periferias, transformando a relação entre dança e público. Dessa forma, a companhia tornou-se referência nacional e contribuiu ativamente para a popularização da arte do balé.
Como a trajetória de Otero influenciou gerações futuras?
Décio Otero influenciou gerações de bailarinos com sua técnica refinada e compromisso com a formação artística. Seus ensinamentos ultrapassaram os estúdios e se refletiram em projetos educacionais, mentorias e parcerias institucionais.
Além disso, sua carreira serviu como modelo de excelência e dedicação. Ao longo de décadas, ele combinou atuação cênica com criação coreográfica e formação de novos talentos. Veja três legados deixados por ele:
- Referência como coreógrafo e diretor artístico no cenário brasileiro
- Inspirador de projetos sociais ligados à dança contemporânea
- Educador comprometido com o crescimento técnico e humano de seus alunos
O que torna Décio Otero uma figura essencial na história da dança?
O legado de Décio Otero está na sua contribuição contínua à dança clássica e contemporânea brasileira. Ele conseguiu unir talento, disciplina e visão de futuro em uma carreira que atravessou fronteiras e tempos, mantendo-se relevante até hoje.
Sua jornada é marcada por momentos de excelência artística, colaborações históricas e o desejo constante de transformar vidas por meio da dança. Décio não apenas brilhou nos palcos, mas também nos bastidores, como criador e educador, consolidando-se como um verdadeiro mestre da arte do movimento.






