As escavações realizadas no castelo ducal de Kolno, localizado na Polônia, recentemente permitiram a descoberta de um fascinante achado arqueológico: uma ametista engastada em prata dourada, datando de cerca de 600 anos atrás. Sob a direção de Lech Marek, arqueólogo da Universidade de Wrocław, uma equipe de pesquisadores encontrou esta joia nos sedimentos de um fosso, um local que, apesar de sua aparente banalidade, revelou um objeto de grande valor histórico. Aparentemente perdida por um membro da alta nobreza, esse artefato revela muito sobre a cultura material de sua época.
A ametista, apreciada por sua tonalidade violeta distinta, foi muito valorizada durante a Idade Média. Contudo, este exemplar se destaca pelo excepcional trabalho de ourivesaria. A pedra preciosa é sustentada por uma montagem complexa, mostrando um estilo característico do século XIII. Esta confecção inclui uma garra cônica e um halo de raios ou palmetas vazadas ao redor da ametista, revelando uma técnica de douradura a fogo. Esse tipo de engaste foi identificado em diversos objetos reais, como a coroa do rei Sancho IV da Espanha, destacando sua clara associação com ambientes aristocráticos altamente privilegiados.
Qual o significado desta descoberta em seu contexto histórico?
A particularidade deste objeto reside também no contexto em que foi achado. Ao contrário das joias medievais tipicamente encontradas em tesouros ou sepulturas aristocráticas, esta foi descoberta em um contexto associado a atividades cotidianas. O castelo de Kolno, erguido no início do século XIII pelo duque Bolesław III de Brzeg, situava-se outrora em uma posição estratégica entre os ducados de Opole e Brzeg. É provável que a joia tenha sido perdida acidentalmente por um nobre que atravessava a ponte do castelo, o que adiciona uma dimensão singular à sua história.

Qual o papel da ametista na cultura medieval?
No imaginário coletivo da Idade Média, a ametista era investida de poderes sobrenaturais. Acreditava-se que possuía virtudes protetoras contra intoxicações e venenos, simbolizando também fé e modéstia. A pedra também era reputada por prevenir diversos males, tais como a gota ou pesadelos. Essa dimensão mística, relatada em obras medievais como o Lancelot da Vulgata, reforçava seu valor aos olhos daqueles que a possuíam, servindo como símbolo de status social importante.
Quais são as implicações sociais e simbólicas desta joia?
Além de suas supostas propriedades, objetos como esse ornamento representavam marcadores sociais. Não serviam apenas para exibir riqueza; definiam também o status jurídico de seu proprietário e indicavam, por vezes, uma pertença a uma elite específica. Tais artefatos serviam como símbolos de consumo ostensivo, indo além de sua função original para se tornarem manifestações de prestígio e poder. Embora a identidade do proprietário original permaneça incerta, presume-se que pertencia à aristocracia ducal, sublinhando o papel crucial desses objetos como testemunhos dos valores e da cultura material da nobreza medieval.
Essa descoberta em Kolno, portanto, nos oferece uma janela única sobre o passado, enriquecendo nossa compreensão sobre o simbolismo e a importância das joias na sociedade medieval, ao mesmo tempo em que questiona nossas percepções sobre as práticas e valores das antigas nobrezas.






