A Flybe encerrou suas operações em 27 de janeiro de 2023, apenas um ano após ter retornado ao mercado. Essa foi a segunda vez em três anos que a empresa entra em colapso, com o primeiro ocorrido em 2020, durante o auge da pandemia de COVID-19.
O principal motivo do novo colapso foi a combinação entre dificuldades financeiras, atrasos na entrega de aeronaves e a pressão exercida por grandes companhias de baixo custo. Mesmo com a tentativa de retomada em 2022, o cenário competitivo e a recuperação lenta do setor dificultaram sua sustentabilidade.
Quais fatores dificultaram a recuperação da Flybe após 2022?
O plano da empresa incluía aumentar a frota e a malha aérea de forma gradual, mas 17 aeronaves não chegaram dentro do prazo previsto. Esse atraso comprometeu diretamente a expansão e operação de rotas estratégicas.
Além disso, o ambiente pós-pandemia favoreceu gigantes como Ryanair e easyJet, que aproveitaram a alta demanda no verão europeu. Já empresas menores, como a Flybe, enfrentaram dificuldades logísticas e financeiras, sem margem para erros.
O que aconteceu com os passageiros após o fim das operações?
A suspensão definitiva afetou cerca de 75 mil passageiros que tinham voos agendados. Todos os bilhetes foram cancelados, e a companhia orientou para que os clientes não fossem aos aeroportos, pois os voos não seriam reacomodados.
A Autoridade de Aviação Civil (CAA) orientou os afetados a procurar reembolso com operadoras de cartão ou por meio de seguros. Como a legislação britânica atual não garante compensação direta nesses casos, muitos passageiros ficaram desamparados.

Como o fechamento afetou os funcionários da Flybe?
Dos 321 colaboradores da empresa, 276 foram demitidos no mesmo dia do anúncio. Apenas um grupo reduzido permaneceu temporariamente para apoiar a administração judicial conduzida pela Interpath Advisory.
A súbita dispensa gerou protestos de sindicatos, que pediram maior proteção trabalhista diante de falências no setor aéreo. Muitos profissionais relataram não ter recebido qualquer tipo de suporte ou plano de transição.
Quais os impactos para o mercado de aviação regional britânico?
A Flybe operava 21 rotas que conectavam 17 destinos regionais, incluindo cidades como Belfast, Birmingham e Exeter. Com sua saída, comunidades menos atendidas podem sofrer com a redução da conectividade aérea.
Empresas concorrentes devem ocupar parte dessas rotas, mas não há garantias sobre a manutenção dos mesmos horários ou preços. Esse cenário reacende discussões sobre políticas públicas de incentivo à aviação regional.
Existe alguma chance de reativação ou novo comprador?
A administração judicial está avaliando possibilidades para o nome e ativos da companhia, mas ainda não há propostas concretas. O mais provável é que a marca Flybe permaneça inativa nos próximos anos.
Especialistas apontam que, diante do histórico recente e dos altos custos do setor, novos investidores devem priorizar ativos logísticos e rotas viáveis, em vez de tentar manter o modelo operacional anterior da Flybe.

Quais aprendizados o caso Flybe traz para passageiros e reguladores?
O episódio reforça a importância de políticas mais eficazes para proteger consumidores em falências de companhias aéreas. Leis mais robustas e seguros específicos são temas em debate no Reino Unido.
Para os passageiros, a recomendação é considerar sempre adquirir passagens com cobertura de reembolso via cartão ou seguro viagem. O caso também mostra como empresas regionais precisam de apoio governamental para sobreviver a crises sistêmicas.
Curiosidade: você sabia que a Flybe já foi a maior regional da Europa?
No auge de sua operação, antes da pandemia, a Flybe chegou a ser a maior companhia aérea regional da Europa, com mais de 8 milhões de passageiros anuais. A queda vertiginosa em menos de cinco anos evidencia como o setor é sensível a choques externos.
Esse dado ressalta que, mesmo empresas de grande porte, com forte presença doméstica, podem desaparecer rapidamente se não houver planejamento e adaptação a novos contextos econômicos.