O termo “água que pega fogo” pode soar contraditório à primeira vista, já que a água é conhecida justamente por apagar chamas. No entanto, essa expressão se refere a um fenômeno real observado em algumas regiões do mundo, onde a água de rios, lagos ou até mesmo de torneiras pode ser incendiada. Esse acontecimento está diretamente relacionado à presença de gases inflamáveis dissolvidos na água, especialmente o metano.
Esse fenômeno ganhou notoriedade principalmente após a divulgação de vídeos e reportagens mostrando pessoas acendendo fogo em água corrente. O evento, apesar de surpreendente, tem explicações científicas e está ligado a fatores ambientais e atividades humanas, como a extração de gás natural por meio do fraturamento hidráulico, também conhecido como fracking.
Como o metano chega à água e permite que ela seja incendiada?
O metano é um gás natural que pode se infiltrar em reservatórios de água subterrânea devido a processos naturais ou por conta de atividades industriais. Em áreas onde o solo é rico em matéria orgânica, a decomposição dessa matéria pode liberar metano, que se mistura à água. No entanto, a principal preocupação está atualmente relacionada à extração de combustíveis fósseis, que pode provocar vazamentos desse gás para aquíferos e poços artesianos.
Quando a concentração de metano dissolvido na água atinge níveis elevados, o gás pode escapar em bolhas quando a água é exposta ao ar, como em torneiras ou fontes naturais. Se houver uma fonte de ignição próxima, como um fósforo aceso, essas bolhas inflamáveis podem pegar fogo, criando o efeito conhecido como “água que pega fogo”.
Quais são os riscos associados à água contaminada com metano?
A presença de metano na água potável representa riscos tanto para a saúde quanto para a segurança das pessoas. Embora o metano em si não seja tóxico em baixas concentrações, sua acumulação em ambientes fechados pode causar explosões ou incêndios. Além disso, a contaminação pode indicar a presença de outros poluentes perigosos, provenientes de processos industriais.
Outro ponto de preocupação é a possibilidade de intoxicação indireta. O consumo contínuo de água contaminada pode afetar a qualidade de vida das comunidades, além de prejudicar o meio ambiente local. Por isso, a detecção e o monitoramento desse gás em fontes de água são essenciais para evitar acidentes e proteger a saúde pública.
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Onde já foram registrados casos de água inflamável?
Casos de água inflamável foram documentados em diferentes partes do mundo, com destaque para regiões dos Estados Unidos, como Pensilvânia e Colorado. Nessas áreas, a exploração de gás natural por fraturamento hidráulico contribuiu para o aumento dos relatos de água que pega fogo. No Brasil, também há registros em localidades próximas a atividades de exploração de petróleo e gás.
Esses episódios costumam gerar preocupação entre moradores e autoridades, levando à realização de estudos e investigações ambientais. A divulgação desses casos, principalmente por meio de vídeos na internet, ampliou o debate sobre os impactos ambientais da extração de combustíveis fósseis e a necessidade de regulamentação mais rigorosa.
Como é possível identificar a presença de metano na água?
A identificação do metano dissolvido na água pode ser feita por meio de análises laboratoriais específicas. No entanto, alguns sinais podem indicar a presença desse gás, como o surgimento de bolhas quando a água é coletada, cheiro característico ou relatos de pequenas explosões ao acender uma chama próxima à água.
Em situações suspeitas, recomenda-se que a população evite o uso da água para consumo até que seja realizada uma avaliação técnica. Empresas de saneamento e órgãos ambientais costumam ser acionados para coletar amostras e determinar a origem e a concentração do gás, garantindo a segurança dos moradores.
Quais medidas podem ser adotadas para evitar o fenômeno da água que pega fogo?
Para prevenir a ocorrência desse fenômeno, é fundamental investir em monitoramento ambiental e fiscalização das atividades de extração de gás e petróleo. O uso de tecnologias seguras e a adoção de boas práticas na perfuração de poços podem reduzir o risco de vazamentos de metano para os aquíferos.
Além disso, políticas públicas voltadas para a proteção dos recursos hídricos e a conscientização das comunidades sobre os riscos associados à contaminação da água são essenciais. O acompanhamento constante e a transparência nas informações ajudam a minimizar os impactos e a garantir o acesso à água potável de qualidade.






