Tem uma novidade rondando as ruas brasileiras que está fazendo barulho – no bom sentido. A Mottu Sport 110i chegou de mansinho e hoje está entre as motos mais vendidas do país. Isso mesmo, uma marca que praticamente ninguém conhecia há alguns anos está dando trabalho para gigantes como a Honda.
Os números não mentem. Em 2025, a Sport 110i já emplacou mais de 22 mil unidades só nos primeiros quatro meses do ano. Para ter uma ideia do que isso significa: ela está na sexta posição do ranking nacional, deixando para trás veteranas consagradas como a Honda PCX 160 e XRE 300.
O mais impressionante é que estamos falando de uma startup brasileira que começou alugando motos por aplicativo. A Mottu pegou uma moto indiana da TVS, colocou sua marca e criou um fenômeno de vendas. Parece história de filme, mas é real e está acontecendo agora.
É claro que a Honda continua dominando as primeiras posições com CG 160, Biz e Pop 110i. Mas pela primeira vez em muito tempo, uma marca não japonesa conseguiu furar o bloqueio e se colocar entre as sete mais vendidas do Brasil.
Como uma marca desconhecida conseguiu tanto sucesso?
A receita da Mottu foi simples e genial ao mesmo tempo. Primeiro, eles identificaram um nicho: entregadores e motoristas de app que precisavam de uma moto barata, econômica e confiável. Começaram alugando através de aplicativo, criando uma base sólida de usuários.
Quando decidiram vender também, já tinham uma vantagem enorme: milhares de pessoas conheciam a moto na prática. Não era só propaganda, era experiência real. Quem alugou e gostou, virou cliente potencial para a compra.
O preço também ajudou muito. Por R$ 9.990 à vista (hoje já custa R$ 13.000), a Sport 110i chegou como uma das motos novas mais baratas do mercado. Para quem não tinha dinheiro na mão, ainda ofereciam parcelas semanais de R$ 126 ou mensais de R$ 540.
A estratégia de distribuição foi outro acerto. Em vez de brigar por espaço em concessionárias tradicionais, criaram seu próprio canal de vendas online. Comprou, recebeu em casa com documento e placa na hora. Praticidade total.

Por que os brasileiros estão escolhendo a Sport 110i?
O consumo é o grande trunfo da Sport 110i. Ela faz até 65 km/l, o que significa rodar quase 650 km com o tanque de 10 litros cheio. Com a gasolina custando o que custa, essa economia faz toda a diferença no orçamento familiar.
O motor 109,7 cc da TVS entrega 8,1 cv de potência, suficiente para o trânsito urbano. Não é uma máquina de corrida, mas cumpre bem o papel para quem precisa de transporte eficiente. A velocidade máxima chega a 100 km/h, dentro do que se espera para uma moto dessa categoria.
O design também conquista. A Sport 110i tem visual moderno e esportivo, fugindo do padrão “moto de trabalho” que domina essa faixa de preço. Para quem quer economizar sem abrir mão do estilo, ela oferece uma boa opção.
A manutenção é outro ponto positivo. Como usa a tecnologia TVS, que já era conhecida no Brasil através da parceria com a Dafra, as peças são acessíveis e a mecânica é simples. Isso reduz os custos de manter a moto rodando.
Qual o impacto real nas vendas da Honda?
Vamos com calma aqui. A Honda continua absoluta no mercado brasileiro. As cinco primeiras posições do ranking são todas dela: CG 160 (34.119 unidades), Biz (33.930), Pop 110i (31.526), Bros 160 (30.875) e CB 300F (28.119).
A Mottu Sport 110i está em sexto lugar com 13.306 emplacamentos no primeiro trimestre. É um número expressivo, mas ainda longe de ameaçar o domínio japonês. O que ela fez foi quebrar a hegemonia total, mostrando que existe espaço para outras marcas.
O impacto maior está no segmento específico de motos urbanas econômicas. A Sport 110i compete diretamente com a Honda Pop 110i, e ali a coisa fica mais equilibrada. A diferença de vendas entre elas não é tão absurda.
Para a Honda, isso significa que não pode mais relaxar. Ter uma concorrente real fazendo barulho obriga a empresa a se mexer, seja em preço, tecnologia ou estratégia de vendas.
O que explica esse fenômeno de crescimento?
O sucesso da Mottu Sport 110i revela mudanças importantes no comportamento do consumidor brasileiro. As pessoas estão mais abertas a experimentar marcas novas, especialmente quando oferecem vantagens claras em preço e custo-benefício.
O modelo de negócio da Mottu também surfou na onda da economia compartilhada. Começar com aluguel criou uma base de usuários que conhecia o produto antes de decidir comprar. É um tipo de “test drive estendido” que funciona muito bem.
A digitalização do processo de compra atraiu um público jovem, acostumado a resolver tudo pelo celular. Não precisar ir à concessionária, negociar com o vendedor e enfrentar burocracia foi um diferencial importante.
A TVS, fabricante indiana, também soube aproveitar a oportunidade. Com a saída da Dafra do mercado brasileiro, eles encontraram na Mottu um parceiro ideal para continuar presente no país.
A Honda deveria se preocupar com essa concorrência?
A Honda não está em pânico, mas certamente está prestando atenção. Quando uma marca nova consegue emplacar mais de 50 mil motos em dois anos, isso não passa despercebido por quem domina o mercado há décadas.
O maior risco para a Honda não é perder o primeiro lugar – isso está longe de acontecer. O problema é ver o mercado se fragmentar, com outras marcas ganhando fatias cada vez maiores. Menos participação significa menos margem de lucro.
A Mottu mostrou que existe demanda reprimida por motos baratas e eficientes. Se outras marcas seguirem o mesmo caminho, a Honda pode ver sua hegemonia sendo corroída aos poucos, modelo por modelo.
Por outro lado, a Honda tem vantagens que a Mottu ainda não consegue oferecer: rede de concessionárias gigantesca, tradição no mercado, variedade de modelos e valor de revenda superior. São trunfos que não se constroem da noite para o dia.
Qual o futuro da Mottu no mercado brasileiro?
A Mottu Sport 110i provou que tem potencial para crescer ainda mais. Com a TVS planejando ampliar a presença no Brasil, é possível que vejamos novos modelos chegando em breve. A empresa indiana tem uma linha extensa de motos que poderiam interessar aos brasileiros.
O desafio agora é manter o crescimento sem perder a qualidade do atendimento. Vender 50 mil motos por ano é uma coisa; vender 100 mil ou 200 mil é outra completamente diferente. Vai exigir investimentos pesados em infraestrutura e pessoal.
A Mottu também precisa trabalhar a imagem da marca além do aluguel. Muita gente ainda associa a empresa apenas aos entregadores de aplicativo. Expandir para outros públicos será fundamental para o crescimento sustentável.
Se conseguir superar esses desafios, a Mottu Sport 110i pode se estabelecer definitivamente como alternativa sólida às japonesas. E isso seria histórico no mercado brasileiro de motocicletas, tradicionalmente dominado por Honda, Yamaha e Suzuki.
O que está claro é que a Mottu chegou para ficar. E a Honda, pela primeira vez em muito tempo, tem uma concorrente real para se preocupar.






