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Início Sem categoria

Uma pena ficou preservada dentro de fezes de dinossauro por 66 milhões de anos: ela pode ajudar a explicar por que só uma linhagem de aves atravessou a extinção

Por Paulo Vinicio
14/09/2026
Em Sem categoria
Pena em coprólito revela pista sobre aves após extinção

Pena em coprólito revela pista sobre aves após extinção

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Uma pena preservada dentro de fezes de dinossauro fossilizadas no fim do Cretáceo atravessou cerca de 66 milhões de anos até chegar aos pesquisadores. O achado reúne plumagem, restos de peixe e ossos de uma ave antiga e pode ajudar a testar se o isolamento térmico influenciou quem sobreviveu à grande extinção.

Como uma pena conseguiu sobreviver em fezes de dinossauro?

O material foi encontrado em 2016 na Formação Hell Creek, em Montana. O pequeno coprólito, nome dado a fezes fossilizadas, preservava na superfície uma pena minúscula e, por dentro, outros restos que ficaram protegidos durante o processo de fossilização.

Tomografias permitiram enxergar o interior sem destruir a peça. Elas revelaram várias penas em três dimensões, pequenas escamas de peixe e ossos da perna de uma ave aquática extinta. A combinação transformou um fragmento de excremento em um registro direto de alimentação no fim do Cretáceo.

Pena em coprólito revela pista sobre aves após extinção
Pena em coprólito revela pista sobre aves após extinção

O que havia de diferente nessas penas de 66 milhões de anos?

A equipe liderada pela Universidade de Washington identificou características associadas às penas das aves atuais, incluindo uma haste de formato quadrado com centro esponjoso. Essa combinação ainda não havia sido registrada em outra pena mesozoica analisada pelos pesquisadores.

Ao mesmo tempo, o animal possuía penas corporais menores e mais primitivas. Essa mistura sugere uma plumagem intermediária: parte dela já tinha características modernas, enquanto outra parte lembrava estruturas mais simples vistas em dinossauros e aves antigas. Isso abriu uma nova comparação com as aves que atravessaram a extinção.

Por que a plumagem pode ter pesado na sobrevivência das aves?

Depois do impacto do asteroide, partículas lançadas na atmosfera reduziram a luz e contribuíram para um período de resfriamento. Se algumas aves possuíam uma cobertura corporal mais eficiente para conservar calor, o isolamento térmico poderia ter oferecido uma vantagem em condições ambientais severas.

Os pesquisadores destacam quatro pontos que tornam a hipótese relevante:

  • Penas modernas: algumas estruturas do fóssil se aproximam das encontradas nas aves atuais.
  • Penas primitivas: outras partes da plumagem eram mais simples e possivelmente menos eficientes para retenção de calor.
  • Ave aquática extinta: o animal vivia perto da água, mostrando que esse habitat sozinho não garantiu sobrevivência.
  • Comparação evolutiva: a combinação permite testar diferenças entre linhagens que desapareceram e as que permaneceram.
Pena em coprólito revela pista sobre aves após extinção
Pena em coprólito revela pista sobre aves após extinção

De que ave eram as penas encontradas no coprólito?

Os ossos encontrados junto às penas pertencem a um hesperornitiforme, grupo de aves mergulhadoras extintas. O Field Museum explica que esses animais eram parentes próximos das aves sobreviventes, mas desapareceram no fim do Cretáceo, tornando a comparação especialmente útil.

O coprólito também continha escamas de peixe, indicando uma pequena cadeia alimentar preservada em um único fóssil. Um peixe foi consumido pela ave e, depois, a própria ave acabou ingerida por um grande terópode carnívoro, possivelmente um tiranossaurídeo, antes de seus restos serem preservados.

Essa pena resolve por que as aves modernas sobreviveram?

A resposta ainda é não. O fóssil oferece uma pista nova, mas não demonstra sozinho que a plumagem decidiu a sobrevivência. Alimentação, tamanho corporal, reprodução, habitat e comportamento também podem ter influenciado quais grupos atravessaram uma crise que eliminou a maioria dos dinossauros e muitas aves antigas.

O valor do achado está em permitir uma comparação que antes praticamente não existia. Uma pena preservada em três dimensões mostra que certas características modernas já estavam presentes antes da extinção, enquanto outras ainda eram primitivas. Isso dá aos paleontólogos uma nova variável para investigar a sobrevivência das aves.

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