Ismael Feitosa, morador da zona rural, mantém uma rotina de convivência próxima com uma coruja da espécie murucututu-de-barriga-amarela. O animal, resgatado ainda filhote durante um incêndio na Chapada, retorna frequentemente ao local do salvamento no final de cada dia. Quando a ave vê o homem se aproximando, ela faz uma espécie de “dancinha”, movendo-se de um lado para o outro.
O que aconteceu no resgate da coruja filhote durante o incêndio?
O resgate ocorreu quando Ismael encontrou a ave em situação de vulnerabilidade extrema à beira de uma estrada, enquanto a vegetação ao redor era rapidamente consumida pelo fogo. Diante do risco iminente de morte, ele optou por acolher o animal para garantir sua sobrevivência imediata. Atualmente, a coruja vive totalmente livre no ambiente rural, sem qualquer tipo de restrição física em suas patas, e mantém o hábito constante de visitar o seu protetor ao entardecer.
Um vídeo publicado em 5 de agosto mostra uma dessas visitas ao homem. A publicação tem 551 mil visualizações, 54 mil curtidas e 746 comentários. “A minha aparece de manhã fica o dia todo e sai umas 5hs da tarde”, comentou um internauta. A rotina de visitas despertou a atenção de pessoas que vivem em regiões diferentes do país e não têm essa proximidade com a fauna brasileira.
Por que a coruja murucututu retorna todos os dias para visitar seu salvador?
Três pilares explicam o comportamento da coruja. O primeiro é a memória associativa: animais silvestres resgatados podem associar seus salvadores a experiências positivas, como alimentação e segurança. O segundo é a confiança construída: a convivência regular cria um vínculo que faz o animal se sentir seguro na presença do humano. O terceiro é a gratidão instintiva: embora não seja “gratidão” no sentido humano, o retorno da coruja reflete o reconhecimento de que aquele local e aquela pessoa representam segurança.
A murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana) é uma das maiores corujas encontradas no território brasileiro, podendo atingir 44 centímetros de comprimento. A espécie pesa entre 405 e 562 gramas (machos) e 331 a 670 gramas (fêmeas). A espécie é endêmica da Mata Atlântica e habita predominantemente regiões do sul e sudeste do Brasil.
Como a espécie murucututu-de-barriga-amarela se comporta na natureza?
A murucututu-de-barriga-amarela é uma ave de hábitos noturnos, caçando ao final da tarde ou durante a noite. Durante o dia, permanece empoleirada, geralmente sozinha ou em casais. Possui uma vocalização forte e profunda, usada para comunicação territorial. Apesar do tamanho, é uma coruja ágil e silenciosa ao voar, e seu canto grave pode ser ouvido a longas distâncias durante a noite.
- A murucututu é uma das maiores corujas do Brasil, com até 44 cm de comprimento
- A espécie é endêmica da Mata Atlântica, habitando regiões de sul e sudeste
- É uma ave de hábitos noturnos, caçando ao entardecer e durante a noite
- Possui vocalização forte e profunda para comunicação territorial
- É naturalmente tímida, solitária e discreta, o que torna o vínculo com Ismael ainda mais especial

O que a ciência diz sobre a capacidade das corujas de reconhecerem humanos?
Estudos mostram que aves, especialmente corvídeos e corujas, são capazes de reconhecer rostos humanos, lembrar de pessoas por anos e criar associações positivas com quem as ajuda. Embora as corujas não sejam domesticadas como cães ou gatos, elas podem desenvolver laços com humanos que as resgataram e cuidaram delas.
No caso da coruja de Ismael, o vínculo é ainda mais notável porque a ave é totalmente livre, sem qualquer tipo de restrição física. “Ela é livre, não tem nada prendendo os pés dela”, ressaltou o homem. Apesar da liberdade, ela escolhe retornar todos os dias ao entardecer — uma demonstração de que a confiança e o afeto genuínos não precisam de amarras para existir.
| Comportamento da coruja | Interpretação psicológica | Lição para humanos |
|---|---|---|
| Retorno diário ao entardecer Visitas regulares ao salvador | Associação do local e da pessoa a segurança e cuidado | O afeto genuíno não precisa de amarras |
| “Dancinha” ao ver Ismael Movimentos de excitação | Reconhecimento e antecipação de interação positiva | Animais também expressam alegria no reencontro |
| Vida totalmente livre Escolhe retornar voluntariamente | Vínculo baseado em confiança, não em cativeiro | A liberdade não enfraquece o amor; o fortalece |
Por que a história da coruja e Ismael nos ensina sobre a importância do resgate e da liberdade?
Ismael resgatou a coruja, cuidou dela e, em seguida, a devolveu à natureza mas a natureza, por sua vez, a trouxe de volta. A ave não está presa, não tem coleira nem corrente. Ela é livre e, ainda assim, escolhe retornar. Essa é a essência da relação: o vínculo não foi imposto; foi construído sobre a confiança.
A história de Ismael e da coruja murucututu é um lembrete de que a liberdade e o amor não são excludentes. A ave poderia ter ido embora para sempre, mas preferiu voltar. E, ao voltar, nos ensinou que o verdadeiro cuidado não é sobre controle é sobre estar presente e ser lembrado. Como Ismael mesmo disse: “Papai chegou, estava era com saudade na minha filha, viu”.

