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Início Psicologia

Winnie não podia caminhar por conta própria, mas bastou a chegada de Marley para ganhar asas e correr o mundo

Por Gustavo Davi Silvestrin
21/08/2026
Em Psicologia
Winnie não podia caminhar por conta própria, mas bastou a chegada de Marley para ganhar asas e correr o mundo

Marley seria apenas uma hóspede temporária por "questão de dias", mas bastou o destino agir para torná-las inseparáveis - Créditos: Instagram @marcia_tasca

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Ao dar à luz nove filhotes de pelagem preta, a golden retriever Nina demonstrou um comportamento que deixou sua tutora, Márcia Tasca, de Joinville (SC), intrigada. Em vez do instinto maternal esperado, a cadela evitava os filhotes, recusava-se a amamentá-los e tentava se afastar deles. A golden rejeita filhotes pretos por uma razão simples: a diferença visual entre sua pelagem dourada e a cor escura dos filhotes a fez questionar se aqueles eram realmente seus descendentes.

Como a história de Nina e seus filhotes viralizou?

A trajetória de Nina ganhou notoriedade na internet após a tutora compartilhar o comportamento incomum da cadela. A gestação foi uma surpresa completa: a família só descobriu a gravidez dez dias antes do nascimento, após suspeitar de um tumor. A investigação revelou que o pai era um shih-tzu chamado Thor, que cruzou com Nina durante sua estadia em um hotelzinho. O resultado foi uma ninhada de nove filhotes com pelagem preta.

A diferença física marcante entre a pelagem dourada de Nina e a cor escura dos filhotes gerou um estranhamento inicial. A cadela evitava o contato com os pequenos, não demonstrava interesse em amamentá-los e, por vezes, chegava a se sentar sobre eles, exigindo intervenção constante da família. A tutora e sua rede de apoio assumiram os cuidados integrais dos recém-nascidos.

Ver essa foto no Instagram

Um post compartilhado por Márcia Tasca (@marcia_tasca)

Por que os cães reconhecem seus filhotes principalmente pelo olfato?

Três pilares explicam o comportamento de Nina e a dinâmica do reconhecimento maternal em cães. O primeiro é a predominância do olfato: os cães possuem cerca de 300 milhões de receptores olfativos, e o cheiro é a principal ferramenta de identificação. O segundo é a importância da visão em segundo plano: embora Nina tenha estranhado a pelagem preta, o reconhecimento olfativo é o mecanismo primário pelo qual as mães identificam seus filhotes. O terceiro é a plasticidade do reconhecimento: mesmo quando a aparência difere, o contato contínuo e o cheiro podem superar a estranheza inicial.

Especialistas em comportamento canino explicam que as mães caninas são a primeira fonte de amor e proteção para os filhotes recém-nascidos. Filhotes nascem sem capacidade de ver ou ouvir, e a comunicação inicial entre mãe e filhotes é essencialmente olfativa e tátil. Estudos mostram que, desde o nascimento, os filhotes preferem o odor da mãe, e as mães conseguem reter a informação olfativa de seus filhotes por até dois anos.

👃 Olfato como guia
Cães têm 300 milhões de receptores olfativos. O cheiro é a principal ferramenta de identificação entre mãe e filhotes, superando qualquer diferença visual.
🧬 Genética da pelagem
Goldens carregam um alelo recessivo para a cor dourada. Ao cruzarem com cães de pelagem preta, os filhotes herdam a cor dominante, explicando a ninhada escura.
⏳ Tempo e reconhecimento
Mesmo com a estranheza inicial, o contato contínuo e a convivência permitem que a mãe reconheça seus filhotes, superando a barreira da aparência.

Como a genética explica a cor dos filhotes de Nina?

A explicação para a pelagem preta dos filhotes está na genética. Golden retrievers possuem um alelo recessivo “e” no locus de extensão, que resulta na cor dourada. Quando uma golden cruza com um cão que carrega o gene dominante para pelagem preta, os filhotes herdam uma cópia desse gene dominante, que é suficiente para sobrescrever completamente a característica recessiva da mãe.

  • O alelo recessivo “e” nos goldens resulta na pelagem dourada
  • O gene dominante para pelagem preta do pai sobrescreve a característica recessiva
  • Filhotes herdam uma cópia do gene dominante e nascem com pelagem escura
  • Zé Milagre pesava 1 kg enquanto os irmãos pesavam quase 3 kg
  • A disparidade de tamanho reflete a diferença de porte entre as raças
Winnie não podia caminhar por conta própria, mas bastou a chegada de Marley para ganhar asas e correr o mundo
Marley seria apenas uma hóspede temporária por “questão de dias”, mas bastou o destino agir para torná-las inseparáveis – Créditos: Instagram @marcia_tasca

O que aconteceu quando os filhotes cresceram?

Com o tempo, os filhotes cresceram, se fortaleceram e conquistaram o afeto de quem acompanhava a história online. A família decidiu ficar com um dos filhotes, Maui, e os outros oito foram encaminhados para adoção por lares selecionados. A transição da fase de filhote para a idade adulta alterou a percepção de Nina.

Ao observar a interação dos cães já crescidos e a persistência deles em seguir a mãe, Nina finalmente demonstrou um comportamento de aceitação e carinho. O que antes era rejeição se transformou em um vínculo consolidado, provando que o amor maternal, mesmo quando tardio, pode florescer quando o reconhecimento acontece.

Fase da história Comportamento de Nina Intervenção humana
Nascimento Filhotes pretos nascem Evita contato, recusa amamentação, tenta se afastar Família assume cuidados integrais dos filhotes
Crescimento Filhotes se fortalecem Permanece desatenta, senta sobre os filhotes Vigília contínua para garantir integridade dos filhotes
Idade adulta Filhotes crescem Demonstra aceitação e carinho Filhotes encaminhados para adoção, um fica com a família

Por que a persistência e a convivência são fundamentais para superar a rejeição maternal?

A história de Nina e seus filhotes é um exemplo poderoso de como o tempo e a convivência podem curar lacunas no reconhecimento maternal. Mesmo quando a aparência física dos filhotes não corresponde ao esperado, a exposição contínua ao cheiro, ao toque e à interação permite que a mãe estabeleça o vínculo. O cérebro canino é plástico o suficiente para aprender novos padrões de reconhecimento, especialmente quando o olfato o sentido mais confiáve confirma a relação.

Além disso, a dedicação da família humana foi essencial. Ao assumir os cuidados dos filhotes e garantir sua sobrevivência durante o período de rejeição, a tutora e sua rede de apoio criaram as condições para que Nina, eventualmente, pudesse se conectar com sua prole. A história de Nina nos ensina que o amor maternal, mesmo quando tardio, pode florescer e que a persistência, tanto da mãe quanto dos humanos ao seu redor, é a chave para transformar a rejeição em aceitação.

Tags: Curiosidadesgolden Ninapsicologia
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