Crowdfunding bate recorde e CVM pode liberar até R$ 25 milhões por oferta
Setor movimentou R$ 2,1 bilhões em seis meses e reforma na CVM promete mudar as regras do jogo para investidores e empresas
O crowdfunding de investimento, aquela modalidade que permite investir em empresas e projetos por meio de plataformas online, viveu um semestre histórico no Brasil. De janeiro a junho de 2026, o setor movimentou R$ 2,1 bilhões em 477 emissões, um crescimento de 75% na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são do escritório Mattos Filho, apresentados em evento no Cubo Itaú, em agosto. Para se ter ideia do salto, em 2023 o setor inteiro movimentou menos de R$ 200 milhões no ano todo.
Setor cresce e CVM confirma consolidação
O Boletim CVM nº 109 mostra que existem hoje 76 plataformas autorizadas a operar no país, com a maior parte do dinheiro concentrada em poucos operadores, um sinal de que o mercado está amadurecendo. Segundo o boletim, o setor saltou de R$ 1,2 bilhão em 2024 para R$ 3,9 bilhões em 2025, e a expectativa é fechar 2026 com novo recorde. Bruno Luna, superintendente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), afirmou que os números mostram que o crowdfunding virou uma alternativa séria de financiamento no Brasil.
O que pode mudar nas regras
A CVM está analisando uma reforma na Resolução 88, a norma que regula o setor, depois de uma consulta pública encerrada em janeiro de 2026. Entre as mudanças propostas está o aumento do limite de captação por oferta, que pode saltar de R$ 15 milhões para R$ 25 milhões, chegando a R$ 50 milhões em casos específicos. Produtores rurais também ganhariam um limite próprio de R$ 2,5 milhões por safra.
A proposta ainda prevê o fim do teto de faturamento das empresas que buscam captação, hoje limitado a R$ 40 milhões (ou R$ 80 milhões para grupos), e uma mudança na regra para investidores: em vez de um limite anual fixo de R$ 20 mil para investir em todas as plataformas, cada plataforma teria seu próprio teto, o que na prática permite investir mais.
Antonio Carlos Berwanger, da CVM, detalhou a proposta em evento no Blockchain.RIO, em agosto. Segundo a autarquia, a ideia é modernizar as regras sem abrir mão da proteção aos investidores. A CVM também criou, em julho, um grupo de trabalho para estudar como regular a tokenização de ativos.
Nem todo mundo concorda
A proposta ainda gera divergências. O Valor Econômico noticiou, em julho, que participantes do mercado têm restrições a alguns pontos da minuta, como a exigência de um agente fiduciário, que pode encarecer a operação, e mudanças que afetariam boa parte das operações que hoje usam certos modelos de garantia. Há também receio de que as novas regras dificultem a entrada de operadores menores no mercado. Nada está definido, e os números podem mudar até a votação final.
Quem vai estar pronto para a mudança?
Com as regras mudando e o mercado crescendo, surge uma pergunta prática: quem tem estrutura para operar dentro das novas normas assim que elas começarem a valer? É o que destaca Tânia Oliveira, fundadora da CrowdTech, empresa brasileira que fornece tecnologia para plataformas de crowdfunding regulamentadas pela CVM. Segundo ela, o diferencial vai estar em quem já tem segurança, compliance e capacidade de auditoria prontos para o novo cenário.
A CrowdTech não opera plataforma própria, apenas fornece a tecnologia por trás das plataformas de outras empresas, o que evita conflito de interesse. O sistema inclui verificação automática de identidade e prevenção à lavagem de dinheiro (KYC/AML), validações de segurança e uma camada financeira com conta garantia (escrow). Quem decide aprovar ou não um cliente continua sendo a plataforma; a CrowdTech entrega as ferramentas para essa decisão ser tomada dentro das regras. Segundo a empresa, isso reduz um processo que levaria de 18 a 24 meses para ser desenvolvido do zero para poucos meses.
A CrowdTech está entre as 100 finalistas do Prêmio Sebrae Startups 2026 e entre as 10 melhores na categoria Inovação Financeira.
Juros altos empurram o setor
Com a Selic em 14,25% ao ano, pegar crédito no banco tradicional ficou mais caro, e isso empurra pequenas e médias empresas para alternativas como o crowdfunding. O mercado de capitais como um todo movimentou R$ 420 bilhões até o segundo trimestre de 2026, alta de 10,8% em relação ao ano anterior. Uma nova regra, o Regime Fácil, também facilitou o acesso de empresas com faturamento menor à bolsa de valores, o que reforça a ideia de que o crowdfunding pode ser a porta de entrada para empresas que depois crescem no mercado de capitais.
Semana de eventos em Florianópolis
Essa também é a semana em que o mercado de investimento em startups se reúne em Florianópolis. No dia 25 de agosto acontece o Startup Investment Summit, organizado pela Anjos do Brasil, seguido pelo Startup Summit, de 26 a 28 de agosto, ambos no CentroSul. A CrowdTech vai participar dos dois eventos.
Sobre a CrowdTech
A CrowdTech é uma empresa brasileira de tecnologia que fornece infraestrutura para plataformas de crowdfunding de investimento regulamentadas pela CVM (Resolução 88/2022). Com sistema de compliance integrado, verificação de identidade automatizada e menor tempo para colocar a plataforma no ar, a empresa permite que escritórios de investimento, securitizadoras e instituições financeiras operem suas próprias plataformas sem precisar criar a tecnologia do zero.
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