A engenharia de travessia marítima que uniu a Dinamarca combinando uma ponte suspensa e um túnel imerso duplo para trens e carros. Atravessar o perigoso Estreito de Storebælt exigia separar o fluxo de trens e carros sem bloquear o tráfego naval entre o Mar do Norte e o Mar Báltico.
Por que a ferrovia vai por baixo do mar enquanto os carros passam por cima?
Quando um trem pesado tenta subir uma rampa íngreme de ponte, o atrito das rodas de aço diminui e a locomotiva perde tração. Na Ligação Great Belt, os engenheiros decidiram colocar a linha férrea dentro de um túnel subterrâneo sob o leito marinho para manter o trajeto quase plano.
Enquanto os automóveis sobem a ponte rodoviária de 6,8 km no trecho oriental sem dificuldades motoras, os trens cruzam um túnel escavado de 8.024 metros a até 75 metros abaixo da superfície da água. Essa divisão de modais garante velocidade constante para as composições sem exigir rampas inviáveis.

Quais são as dimensões técnicas do túnel ferroviário e da ponte?
Os dados oficiais mantidos pela operadora Sund & Bælt detalham a engenharia da infraestrutura que une as ilhas de Zelândia e Fyn.
Extensão do túnel ferroviário oriental: consiste em dois tubos paralelos com 8.024 metros de comprimento cada um, cravados em rocha e argila marinha.
- Passagens transversais de emergência: possui exatamente 31 conectores tubulares entre as galerias dispostos a cada 250 metros ao longo do trajeto.
- Extensão da ponte rodoviária oriental: possui 6,8 quilômetros de comprimento total, apresentando um vão livre suspenso de 1.624 metros.
- Gabarito de navegação sob a ponte: mantido a 65 metros acima da lâmina d’água para permitir a passagem livre de navios cargueiros e cruzeiros.
- Profundidade máxima da escavação: o ponto mais baixo do túnel atinge 75 metros abaixo do nível médio do Mar Báltico.
Como funcionam as 31 passagens de segurança dentro do túnel marinho?
Em um túnel ferroviário sob a água, uma pane ou princípio de incêndio impede a evacuação direta para a superfície. As 31 passagens transversais conectam o tubo afetado ao tubo paralelo, que permanece pressurizado e livre de fumaça.
Se um trem parar por emergência, os passageiros caminham poucos metros até a porta estanque mais próxima e passam para a galeria segura. Além disso, esses túneis curtos abrigam subestações elétricas, bombas de drenagem de infiltração e sistemas de ventilação forçada.
Quais normas técnicas regem a segurança de pontes e túneis combinados?
A operação mantida pela Sund & Bælt cumpre requisitos das normas europeias Eurocode 1 para cargas em pontes e Eurocode 3 para estruturas de aço. No contexto brasileiro, o dimensionamento equivalente segue a norma ABNT NBR 7187 para pontes e a ABNT NBR 15645 para obras subterrâneas.
Essas diretrizes exigem análises dinâmicas de fadiga dos cabos de aço e simulações de resistência ao fogo nas paredes do túnel. O cumprimento desses padrões impede que a vibração do tráfego cause trincas na estrutura imersa.

Quando é necessário contratar um engenheiro especialista em infraestrutura viária?
Projetar grandes travessias, viadutos ou túneis de transporte requer a consultoria de um engenheiro de estruturas viárias ou engenheiro geotécnico. Apenas esses especialistas conseguem calcular o comportamento do solo e a capacidade de carga de vigas sob uso contínuo.
Executar obras de contenção ou modificações em travessias sem laudo estrutural pode provocar desmoronamentos ou falhas de impermeabilização. Todo projeto desse porte necessita de registro com emissão de ART perante o CREA.
Contexto importante: Este artigo é informativo. Para projetos de pontes, túneis e contenções subterrâneas, recomenda-se a avaliação de um engenheiro de estruturas viárias ou engenheiro geotécnico, especialmente em áreas de risco de infiltração, recalque de solo ou vibração intensa.

