Localizado a 89 quilômetros da costa leste do Reino Unido, o complexo offshore Hornsea 2 opera 165 turbinas gigantescas para abastecer mais de 1,4 milhão de residências britânicas.
Por que instalar geradores eólicos no meio do oceano é mais eficiente que em terra firme?
Você já tentou soltar pipa na praia e percebeu como o vento sopra muito mais forte e contínuo do que dentro da cidade? Em alto-mar, não existem prédios ou morros para desacelerar o ar, o que permite produzir muito mais eletricidade.
Para aproveitar esse fluxo constante no solo marinho, os engenheiros cravam tubos gigantes de aço chamados monopilhas no leito oceânico. Essas fundações profundas seguram torres pesadas e permitem que as pás girem sem balançar perigosamente, garantindo estabilidade e eficiência contínua na geração de energia.

Quais são as dimensões reais e a capacidade técnica do parque offshore Hornsea 2?
Desenvolvido e operado pela gigante de energia renovável Ørsted, o empreendimento marinho demandou soluções logísticas complexas para transportar e erguer componentes metálicos que pesam centenas de toneladas cada.
Potência instalada do complexo: capacidade total de 1,32 gigawatt (GW), suficiente para cobrir o consumo elétrico diário de milhões de pessoas.
- Dimensão das pás dos aerogeradores: hélices de fibra de vidro com 81 metros de comprimento, cobrindo uma área de varredura maior que um campo de futebol a cada volta.
- Número de turbinas em operação: 165 unidades modelo Siemens Gamesa SG 8.0-167 DD instaladas sobre monopilhas de aço.
- Área total de ocupação marinha: abrange 462 quilômetros quadrados em águas com profundidades que variam entre 30 e 40 metros.
- Extensão da rede de transmissão oceânica: utiliza 390 km de cabos inter-array e 370 km de cabos de exportação de alta tensão para trazer a energia até a costa.
Como funciona o transporte da eletricidade gerada no mar até as cidades?
Quando o vento gira as pás de 81 metros, o gerador no topo da torre transforma a força mecânica em eletricidade na tensão de 66 kilovolts (kV). Essa energia desce pelo interior do tubo até os cabos submarinos instalados abaixo do leito marinho.
Toda a corrente produzida pelas 165 turbinas converge para a maior subestação offshore do mundo, construída no meio do parque. Lá, transformadores elevam a tensão para 220 kV, reduzindo perdas elétricas durante a viagem de quase 90 km pelos cabos blindados até chegar à subestação terrestre de Killingholme.
Qual norma técnica garante a integridade de estruturas eólicas em ambiente marinho?
Projetos eólicos marinhos seguem os rigorosos padrões internacionais da IEC 61400-3 para turbinas eólicas offshore e diretrizes de cálculo estrutural da DNV-ST-0126 para fundações marítimas sujeitas à fadiga mecânica.
Para evitar a oxidação causada pelo ar salino do oceano, as superfícies metálicas recebem sistemas de pintura epóxi de alta resistência e anodos de sacrifício. Assim, a corrosão do aço é contida e a estrutura mantém sua vida útil operacional projetada para mais de 25 anos.

Quando é necessário contratar um engenheiro especialista em estruturas offshore?
Qualquer projeto de infraestrutura em ambiente marinho ou costeiro exige o planejamento de um engenheiro de estruturas offshore e de um engenheiro especialista em energia renovável. Eles realizam estudos hidrodinâmicos para avaliar o impacto das ondas e correntes no solo marinho.
Esse acompanhamento é fundamental porque erros no dimensionamento de cabos de transmissão ou das monopilhas podem causar falhas na transmissão elétrica e até o tombamento de torres com prejuízos milionários.
Contexto importante: Este artigo é informativo. Para empreendimentos eólicos, instalações elétricas de alta tensão ou obras oceânicas, recomenda-se a avaliação técnica de um engenheiro naval, estrutural ou de energia renovável qualificado, prevenindo falhas de ancoragem, corrosão precoce ou curtos-circuitos em cabos de transmissão.

