Construída ao lado da travessia antiga em Cristal, a nova ponte eleva a capacidade do trecho entre Guaíba e Pelotas com duas faixas de tráfego e acostamento dimensionado. Duplicar um trecho rodoviário de alta densidade sem interromper a circulação exige erguer uma estrutura paralela independente para absorver o tráfego pesado.
Por que erguer uma segunda ponte paralela elimina os congestionamentos na BR-116?
Quando uma rodovia passa por processo de duplicação, os trechos sobre rios tornam-se afunilamentos críticos se a pista antiga continuar operando sozinha em mão dupla. A solução de engenharia adotada no município gaúcho de Cristal foi construir uma nova ponte espelhada paralela para separar os sentidos de circulação. Esse arranjo é conhecido como segregação de tráfego por obras de arte especiais independentes.
A nova ponte passa a receber os veículos que viajam em uma das direções, enquanto a estrutura antiga atende exclusivamente ao sentido oposto após passar por restauração. Esse isolamento operacional aumenta a velocidade média da via e reduz o risco de colisões frontais em ultrapassagens. Assim, o fluxo de carretas rumo ao Porto de Rio Grande ganha fluidez e segurança.

Quais são as especificações técnicas da nova ponte sobre o Rio Camaquã?
A execução da obra no quilômetro 428 da BR-116/RS foi coordenada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), integrando as intervenções de duplicação do corredor entre Guaíba e Pelotas.
Comprimento total da estrutura: possui 680 metros de extensão contínua para atravessar o leito do rio e sua várzea de inundação.
- Largura da plataforma de rolamento: mede 13,2 metros de largura, comportando duas faixas de tráfego, acostamento e passeio seguro para pedestres.
- Aporte financeiro investido: utilizou R$ 60,9 milhões provenientes de recursos federais para concluir a infraestrutura.
- Tipo de estrutura de suporte: emprega vigas pré-moldadas em concreto armado e protendido apoiadas sobre blocos de fundação profunda.
- Capacidade de carga rodoviária: projetada conforme o trem-tipo padrão para suportar veículos comerciais pesados de até 45 toneladas.
Como funciona a fundação de uma ponte de grande porte em leito de rio?
A construção dos pilares de sustentação em rios com cheias sazonais exige afundar a base estrutural até encontrar a camada de rocha sã abaixo da lama. Os engenheiros cravam tubos metálicos ou escavam estacas de grande diâmetro no leito hídrico para injetar concreto de alta resistência.
Sobre esse grupo de estacas profundas, é concretado um bloco de coroamento que trava a fundação e serve de base para os pilares verticais. Esse conjunto transfere todo o peso da ponte e das carretas diretamente para o substrato rochoso profundo. Dessa forma, a água da correnteza passa pelos pilares sem abalar a estabilidade do tabuleiro.
O que mostram os registros em vídeo da travessia em Cristal?
Acompanhamentos em vídeo da travessia registram o avanço da infraestrutura sobre o leito do Rio Camaquã no município de Cristal. As imagens detalham a disposição dos pilares de sustentação e a plataforma de 680 metros concluída paralelamente à via antiga.
Os registros mostram como a estrutura se integra aos trechos de pistas duplicadas da BR-116/RS. A sinalização viária e o asfaltamento do tabuleiro garantem a passagem contínua das cargas do agronegócio que abastecem o sul do país.
Abaixo, um vídeo do canal SulTV que mostra o andamento da travessia:
Quais normas técnicas de pontes do DNIT orientam o projeto da estrutura?
Projetos de obras de arte especiais em rodovias federais devem seguir rigorosamente os manuais técnicos do órgão gestor e os códigos nacionais da ABNT. Entre as principais diretrizes estão a ABNT NBR 7187 para projeto de pontes de concreto armado e protendido e a ABNT NBR 7188 para cargas móveis rodoviárias.
Essas normas exigem dimensionar o tabuleiro para resistir à combinação de peso dos caminhões, frenagem brusca e forças do vento. Além disso, estipulam barreiras de segurança do tipo New Jersey ao longo das bordas para reter veículos fora de controle sem romper a estrutura.

Quando é necessário contratar um engenheiro estrutural para projetos de pontes?
A presença do engenheiro estrutural é obrigatória em qualquer etapa de dimensionamento, construção ou recuperação de pontes e viadutos. Esse especialista calcula a resposta dos materiais ao esforço de flexão e projeta a armadura de aço interna que impede o colapso do concreto.
Executar obras de arte especiais sem análise técnica qualificada expõe a estrutura a trincas precoces, erosão em pilares e risco de ruptura sob tráfego pesado. O rigor nos cálculos garante que a travessia atinja sua vida útil projetada de mais de 50 anos sem exigir intervenções emergenciais.
Contexto importante: Este artigo é informativo. Para projetos estruturais locais similares, recomenda-se avaliação de engenheiro civil ou especialista em estruturas de pontes, especialmente em contextos de risco de sobrecarga, erosão hídrica ou comprometimento estrutural.

