A quarta fase do Parque Solar Mohammed bin Rashid Al Maktoum em Dubai une painéis fotovoltaicos e energia solar concentrada para gerar eletricidade ininterrupta no deserto. No deserto dos Emirados Árabes Unidos, a intermitência da luz solar noturna exigiu um projeto de engenharia capaz de armazenar calor extremo em sal líquido em vez de depender de baterias elétricas comuns.
Por que o sal líquido consegue guardar energia para a noite?
Você já reparou como uma pedra no sol continua quente horas depois que o dia acaba? No projeto executado pela DEWA, os engenheiros levaram esse princípio físico ao limite utilizando uma mistura fluida de sais de nitrato de sódio e nitrato de potássio que absorve calor extremo e o mantém trancado em tanques isolados. Essa solução técnica é chamada de armazenamento térmico em sais fundidos.
O sistema funciona aquecendo essa mistura química líquida até 565 °C por meio do feixe de radiação focado pelos espelhos. O calor estocado nos tanques com capacidade de 5.907 MWh aciona geradores a vapor durante a madrugada, garantindo alta eficiência de conversão térmica para suprir a rede elétrica sem interrupções.

Quais são as dimensões da maior torre solar heliotérmica do mundo?
Construída no projeto Noor Energy 1 dentro da quarta fase do parque solar, a estrutura estabeleceu recordes mundiais homologados com métricas de engenharia sem precedentes.
Altura da torre central de captação: possui 263,126 metros de altura em concreto armado, atuando como o ponto focal para toda a radiação refletida do complexo.
- Capacidade de armazenamento térmico: armazena 5.907 MWh de energia térmica em tanques de sal fundido, o que garante até 15 horas de geração contínua sem radiação solar direta.
- Potência total instalada da quarta fase: alcança 950 MW no total, somando 700 MW de energia solar concentrada (CSP) e 250 MW de painéis fotovoltaicos.
- Campo de espelhos helióstatos: conta com mais de 70.000 espelhos automatizados com rastreamento solar em dois eixos para direcionar a luz ao topo da torre.
- Redução de emissões poluentes: evita a emissão de 1,6 milhão de toneladas de dióxido de carbono por ano na atmosfera local.
Como os espelhos e a torre trabalham juntos no deserto?
Durante o dia, milhares de espelhos motorizados se movimentam milimetricamente para acompanhar o percurso do sol e focar a iluminação no topo da torre de 263 metros. Naquele ponto, um receptor construído com ligas metálicas de alta resistência absorve a radiação concentrada e transfere a energia térmica para o fluido de sal que circula pelos tubos internos.
O sal superaquecido desce para tanques térmicos subterrâneos isolados e, ao cair da noite, passa por trocadores de calor para ferver água e produzir vapor sob alta pressão. Esse vapor movimenta turbinas elétricas convencionais sem parar, mantendo as luzes de Dubai acesas até o amanhecer.
Como é a estrutura da torre solar vista de perto?
A erupção da torre central no terreno arenoso exigiu fundações profundas em estacas reforçadas e técnicas de concretagem contínua para resistir aos ventos fortes e às rajadas de tempestades de areia do deserto.
A coordenação entre a estrutura vertical e o arranjo concêntrico de espelhos garante que a energia luminosa incida de maneira uniforme sobre o receptor no topo.
Abaixo, um vídeo da Dubai Electricity and Water Authority (DEWA) que aprofunda o tema:
Quais normas técnicas garantem a segurança sob calor extremo?
O dimensionamento dos tubos de distribuição e tanques de armazenamento de fluidos térmicos segue rigorosamente os requisitos do padrão ASME Boiler and Pressure Vessel Code (Section VIII), que estabelece critérios estruturais para recipientes submetidos a ciclos de temperatura severos. Além disso, os mecanismos mecânicos dos espelhos helióstatos são qualificados sob a norma IEC 62817, responsável por testar a precisão de rastreamento sob condições ambientais extremas de poeira e vento.
A observância estrita dessas diretrizes técnicas evita o surgimento de trincas por fadiga térmica no aço inoxidável e previne o congelamento indesejado do sal fundido, assegurando uma durabilidade operacional projetada de ao menos 30 anos.

Quando é necessário consultar engenheiros especializados nesse tipo de estrutura?
O planejamento de plantas heliotérmicas e torres de grande porte demanda o trabalho conjunto de um engenheiro geotécnico para calcular a estabilidade das fundações profundas no solo arenoso e de um engenheiro termomecânico focado na dinâmica dos fluídos em alta temperatura.
Essas soluções não podem ser executadas sem simulações computacionais detalhadas, pois pequenos erros na distribuição do fluxo térmico ou no cálculo do arrasto do vento podem trincar tubulações críticas e paralisar todo o complexo de geração.
Contexto importante: Este artigo é informativo. Para projetos de engenharia e infraestrutura térmica similares, recomenda-se a consultoria técnica de um engenheiro termomecânico e de um engenheiro geotécnico, especialmente em cenários com risco de fadiga por estresse térmico, dilatação de tubulações sob pressão e instabilidade em fundações profundas.

