Um sistema viário de alta complexidade que une inovação chinesa, fundações a 120 metros de profundidade e 22 km de novas vias para transformar a mobilidade na Baía de Todos-os-Santos.
Por que construir uma ponte no mar exige uma plataforma de apoio paralela de 12 km?
Erguer pilares gigantescos no oceano dependendo exclusivamente de balsas flutuantes expõe a obra a paralisações frequentes por causa de ondas e ventos fortes. Essa limitação logística atrasa o cronograma e aumenta os riscos no transporte de materiais pesados, exigindo um acesso fixo contínuo conhecido como passarela de trabalho provisória.
A plataforma de 12 km funciona como uma rodovia temporária cravada ao lado da ponte definitiva, permitindo o trânsito direto de caminhões, guindastes e operários. Essa estrutura abriga inclusive uma central de concreto montada sobre o mar, reduzindo em 70% o tráfego de embarcações de apoio e garantindo concretagem ininterrupta dos blocos de fundação.

Quais são as dimensões e especificações técnicas do Sistema Salvador–Itaparica?
O projeto executivo conduzido pela Concessionária 2 de Julho combina trechos de aproximação viária, viadutos marítimos e um vão estaiado central dimensionado para a navegação de grandes navios transatlânticos e petroleiros.
Extensão principal sobre o mar: 12,4 quilômetros de comprimento na Baía de Todos-os-Santos, conectando Salvador à Ilha de Itaparica com tabuleiro de estrutura mista em aço e concreto armado.
- Vão livre de navegação: 400 metros de largura útil e 85 metros de altura livre sobre o nível do mar no trecho estaiado, garantindo a passagem contínua de grandes embarcações comerciais.
- Altura das torres estaiadas: duas torres centrais em formato de diamante com 248 metros de altura, erguidas em 34 segmentos com fôrmas trepantes hidráulicas.
- Plataforma provisória de apoio: 12 quilômetros de extensão instalados sobre estacas metálicas no mar, abrigando uma central de concreto dedicada para aceleração da obra.
- Sistema viário terrestre: 22 quilômetros de nova via expressa na ilha, 2 túneis paralelos à Via Expressa em Salvador e 8,8 quilômetros de duplicação na rodovia BA-001.
Como funciona a execução das fundações e da concretagem submersa no leito marinho?
A construção começa com a cravação de tubos metálicos de grande diâmetro no fundo do mar por meio de bate-estacas flutuantes de alta precisão. Em seguida, perfuratrizes especializadas escavam o interior do tubo até perfurar a rocha sã, onde a armadura de aço pré-montada é inserida para receber a estrutura do pilar.
A concretagem submersa utiliza o método do tubo tremie, onde o concreto fluido de alta densidade é injetado do fundo para a superfície, expulsando a água do mar sem se misturar a ela. Após essa etapa, fôrmas metálicas recebem quatro camadas sucessivas de concreto para formar o bloco de coroamento que trava o conjunto de estacas.
Como a tecnologia de balanço sucessivo e cabos estaiados erguerá o vão principal?
A superestrutura do vão principal utiliza aduelas metálicas de 30 metros de largura e 2,8 metros de altura transportadas por navios até o local da obra. O içamento inicial é feito por guindastes pesados acoplados aos pilares centrais, permitindo que a montagem avance de forma simétrica em relação às torres.
Conforme os segmentos metálicos são instalados em balanço sucessivo, cabos de aço de alta resistência são fixados e tensionados diretamente na estrutura das torres de 248 metros. Esse sistema estaiado distribui as cargas do tabuleiro e reduz as deformações provocadas pelo tráfego e pela ação dos ventos marítimos.
Abaixo, um vídeo do canal Concessionária 2 de Julho que aprofunda o tema:
Quais normas técnicas da ABNT garantem a resistência da estrutura contra a maresia?
O projeto estrutural segue rigorosamente as diretrizes da norma NBR 7187 para pontes de concreto armado e protendido e da NBR 6122 para o projeto e execução de fundações profundas. Devido ao ambiente marinho de altíssima agressividade, o concreto possui aditivos minerais e cobrimento reforçado das armaduras conforme exige a norma NBR 6118.
Além das normas nacionais, o dimensionamento das torres de 248 metros e dos cabos estaiados adota padrões da ASCE e do Eurocode para testes de túnel de vento e fadiga estrutural. Essas exigências normativas garantem vida útil superior a 100 anos com custos reduzidos de manutenção preventiva.

Quando é necessário contratar um engenheiro especialista em estruturas marítimas?
Projetos de infraestrutura sobre lâmina d’água, tais como pontes, cais ou piers, exigem a atuação direta de um engenheiro civil especialista em estruturas marítimas e de um engenheiro geotécnico. Esses profissionais realizam levantamentos batimétricos, modelagem hidrodinâmica e ensaios de capacidade de carga do solo oceânico.
Tentar executar estruturas em áreas costeiras sem acompanhamento técnico especializado gera riscos de recalque das estacas e colapso prematuro por corrosão salina. A assessoria qualificada assegura o atendimento aos órgãos ambientais estaduais como o Inema e garante total segurança operacional.
Contexto importante: Este artigo é informativo. Para projetos estruturais locais similares, recomenda-se avaliação de um engenheiro civil especialista em estruturas marítimas ou engenheiro geotécnico, especialmente em contextos de risco de comprometimento estrutural, recalque de fundações ou corrosão em ambiente marinho.

