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Início Curiosidades

A ligação entre Dinamarca e Suécia vira uma ilha e depois mergulha no mar: por que seus 16 km não foram construídos apenas como ponte

Por Gustavo Trindade
10/09/2026
Em Curiosidades, Diversão
Vista aérea panorâmica da ligação de Øresund mostrando a ponte estaiada descendo na ilha artificial de Peberholm e mergulhando no túnel submarino.

A transição na ilha artificial de Peberholm permitiu que a ponte virasse túnel para manter livre o canal naval e o espaço aéreo — Créditos: Imagem gerada por IA

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Resumo executivo
🌉
Engenharia Híbrida de 15,9 kmCombinação de 7.845 metros de ponte estaiada, uma ilha artificial de 4.055 metros (Peberholm) e o Túnel Drogden com 4.050 metros de extensão total.
✈️
Restrição Aeronáutica de KastrupPilares elevados no trecho oeste invadiriam a rampa de descida do Aeroporto de Copenhague, situado a apenas 1.500 metros da costa da ilha de Amager.
🚢
Canal Naval e Calado DesobstruídoO Canal de Drogden concentra o tráfego de cargueiros internacionais do Mar Báltico ao Mar do Norte, eliminando o risco de colisão contra pilastras.
🧱
20 Blocos Imersos de 55.000 tO leito marinho recebeu caixões pré-moldados de concreto armado de 176 metros cada, assentados em vala escavada a 20 metros de profundidade.

Do alto da cabine de um avião sobrevoando o Estreito de Öresund, a colossal estrutura de aço e concreto parece subitamente cortada pela metade em pleno oceano. A pista dupla e os trilhos ferroviários avançam da Suécia sobre pilares de 204 metros de altura, tocam uma ilha artificial erguida do nada e desaparecem sob a lâmina d’água em direção à Dinamarca.

Por que os 15,9 km da ligação de Øresund precisaram trocar uma ponte estaiada por uma ilha artificial e um túnel imerso?

O primeiro obstáculo insuperável à construção de uma ponte contínua foi a proximidade crítica com as pistas 04L/22R e 04R/22L do Aeroporto de Copenhague (Kastrup). Com cabeceiras posicionadas a menos de 1.500 metros da margem marinha, a legislação da Organização de Aviação Civil Internacional (ICAO) proibia qualquer obstáculo vertical que perfurasse a superfície cônica de aproximação dos aviões, inviabilizando pilares de suspensão que precisariam atingir mais de 150 metros de altura.

O segundo fator determinante foi a hidrodinâmica e o tráfego mercante do Canal de Drogden. Como essa hidrovia registra a passagem contínua de cargueiros de grande calado e petroleiros, erguer uma ponte com vão móvel causaria gargalos inaceitáveis ao fluxo ferroviário de alta frequência. Além disso, pilares adicionais próximos ao canal criariam o risco de colisão de embarcações desgovernadas por correntes marítimas ou tempestades de inverno.

Corte transversal ilustrando as cinco galerias de tráfego do túnel imerso de Drogden assentado no fundo do mar sob passagem de navio.
Estrutura celular do túnel de 38,8 metros de largura assentada a 20 metros de profundidade no leito marinho — Créditos: Imagem gerada por IA

Quais são as dimensões estruturais, cotas batimétricas e materiais que sustentam a ponte e o túnel de Drogden?

A superestrutura da travessia divide-se em três setores de engenharia civil pesada com características geotécnicas e mecânicas específicas, dimensionadas pelo consórcio de projeto liderado pelo grupo Arup e pelas construtoras do consórcio VINCI Construction Grands Projets:

Pilares de Engenharia da Ligação Øresund
📐
Especificação técnica
Treliça Dupla e Carga Mista
O tabuleiro da ponte utiliza treliça de aço contínua de 82.000 toneladas: tráfego rodoviário de 4 faixas no nível superior e 2 vias férreas de alta velocidade com trens pesados de carga no piso inferior.
📜
Norma / Órgão
Vida Útil de 100 Anos
Projetada sob os requisitos estruturais das normas europeias Eurocodes e regulamentações DS 411 e BBK 94, com cobrimento de armadura de 75 mm e concreto de alta densidade resistente a cloretos.
🌊
Desafio estrutural
Transição em Ilha Artificial
A ilha de Peberholm precisou suportar o empuxo de ondas e a transição geométrica das vias, separando as rampas rodoviárias e ferroviárias antes do emboque no túnel submerso.

Como foi executada a imersão de 20 blocos de concreto de 55 mil toneladas no leito marinho do Estreito de Öresund?

A construção do Túnel de Drogden descartou o uso de tuneladoras escavadoras (tatuzões) em virtude da baixa cobertura de rocha sedimentar no leito e da enorme seção retangular transversal necessária (38,8 metros de largura). A engenharia adotou a técnica de túnel imerso pré-moldado (immersed tube tunnel), executado em uma linha de montagem fabril localizada no porto de Copenhague.

Em terra firme, foram concretados segmentos de 22 metros de comprimento em ambiente termicamente controlado para evitar fissuras geradas pelo calor de hidratação do cimento. Oito segmentos eram pré-tensionados e unidos longitudinalmente para formar cada um dos 20 caixões monolíticos gigantescos, medindo 176 metros de extensão e pesando aproximadamente 55.000 toneladas cada.

Segmento da Ligação Extensão e Cotas Solução e Desafio Crítico
🌉 Ponte Estaiada (Leste) 7.845 m | Vão de 490 m | Pilares de 204 m Treliça bi-nível de aço e concreto; resiste a ventos de furacão e impactos de navios mercantes.
🏝️ Ilha Peberholm (Centro) 4.055 m | Cota de topo a +6,0 m do mar Solo artificial com 1,6 milhão de m³ de pedras e 6 milhões de m³ de dragados; transição física das vias.
🚇 Túnel Drogden (Oeste) 4.050 m | Cota de fundo a -20 m de profundidade 20 elementos imersos de 55.000 t; desobstrui o espaço aéreo de Kastrup e o canal naval.

Como a engenharia civil construiu a maior travessia rodoferroviária da Europa sob o Estreito de Öresund?

A construção da ligação binacional entre Dinamarca e Suécia mobilizou fábricas de pré-moldados terrestres, sistemas marítimos de içamento por balsas-guindaste de grande porte e tecnologia de batimetria computadorizada em tempo real. O maior desafio residiu em manter o sincronismo entre a cravação dos tubulões da ponte estaiada no calcário fraturado de Copenhague e a escavação subaquática da trincheira marinha.

O registro técnico das obras documenta a manobra milimétrica dos rebocadores contra fortes correntes setentrionais do Báltico e o assentamento dos caixões de 55.000 toneladas sobre bases de brita niveladas a laser. O projeto arquitetônico de Georg Rotne conciliou a transição de vias férreas de alta tonelagem e pistas rodoviárias sobre uma ilha concebida sem nenhuma vegetação inicial, hoje reserva biológica protegida.

Abaixo, um documentário técnico da série MegaStructures (National Geographic) que aprofunda o tema:

▶ Assistir no YouTube: MegaStructures – Megabridges: Denmark To Sweden (National Geographic Documentary)

Quando a intervenção de um engenheiro civil especialista em geotecnia marítima e estruturas subterrâneas é indispensável?

Obras que combinam transição mar-terra e túneis subaquáticos exigem a atuação obrigatória de um engenheiro civil geotécnico e de projetistas estruturais especializados em mecânica das rochas e solos litorâneos. A estabilidade de uma vala marinha depende de ensaios de piezocone (CPTu), sondagens rotativas contínuas e modelagens tridimensionais de liquefação de areias sob abalos sísmicos ou variações de maré de tempestade.

Na fase executiva e de inspeção, cabe ao especialista em patologia das estruturas marítimas monitorar tensões de compressão nos caixões, o comportamento das juntas hidrofílicas e o funcionamento ininterrupto dos poços de drenagem e bombas de recalque. Qualquer falha no cálculo de empuxo hidrostático pode levar à perda de flutuabilidade na instalação ou ao colapso de estanqueidade sob a pressão contínua do mar.

📖
Leia também:
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→
⚠️

Contexto importante: Este artigo é informativo. Para projetos estruturais locais similares, recomenda-se avaliação de engenheiro civil especializado em geotecnia marítima, túneis imersos e fundações profundas, especialmente em contextos de risco de vazamento, infiltração, ou impacto ambiental.

Tags: Ligação de Øresundtúnel imerso
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