Poucos parques nacionais brasileiros conseguem juntar em pouco espaço mais de 200 cavernas catalogadas, sítios arqueológicos com vestígios de ocupação humana de até 12 mil anos e uma estalactite considerada a maior do mundo em desenvolvimento. No norte de Minas Gerais, entre os municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu guarda esse conjunto. A unidade foi criada em 1999 e reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade em 13 de julho de 2025.
Como o Cânion do Rio Peruaçu virou Patrimônio da Humanidade?
A resposta está em uma combinação rara de paisagem geológica e arte pré-histórica. Segundo a Agência Brasil, o conjunto do Cânion do Rio Peruaçu foi inscrito na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 13 de julho de 2025, durante a 47ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, em Paris, como bem natural, sob os critérios vii e viii.
A unidade de conservação foi criada em 1999 em uma área de 56.448 hectares. Concentra mais de 200 cavernas catalogadas, sítios arqueológicos com vestígios humanos de até 12 mil anos, pinturas rupestres e uma biodiversidade que integra espécies típicas da Mata Atlântica, do Cerrado e da Caatinga. O reconhecimento internacional destacou a combinação singular de paisagem cárstica, cavernas monumentais, arte rupestre e registros da ocupação humana antiga no norte mineiro.

Como o parque se formou geologicamente?
A resposta está a milhões de anos atrás. Segundo o portal do Município de Januária, a origem das cavernas data de quando parte do Brasil estava submersa pelas águas de um mar interior. Com a elevação do nível do continente, esse mar secou e deixou grandes maciços de calcário. O Rio Peruaçu, afluente do Rio São Francisco, teve seu curso natural fechado por um desses maciços.
Com o tempo, a ação erosiva das águas foi esculpindo o calcário em busca de uma saída. O resultado foi um conjunto de cavernas monumentais, muitas ainda virgens. O rio corta o parque em um cânion com paredões calcários de dezenas de metros, e passa por dentro de algumas cavernas como a dos Troncos e a dos Cascudos. A Gruta do Janelão, a maior do parque, atinge 100 metros de altura.

Como as pinturas rupestres foram preservadas?
As cavernas protegem mais de 80 sítios arqueológicos com pinturas rupestres datadas de até 9 mil anos. Os desenhos são feitos com pigmentos derivados do próprio calcário e retratam animais, figuras humanas e símbolos geométricos. As pinturas estão distribuídas em cavernas ao longo do vale do Peruaçu e servem como referência para o estudo da pré-história no norte de Minas Gerais.
Nas proximidades do parque fica a Terra Indígena Xakriabá, comunidade que reivindica descendência dos povos que produziram parte dessas pinturas. Segundo o ICMBio, o parque também abriga um número significativo de espécies ameaçadas de extinção em outras regiões do país. A visitação é feita exclusivamente com condutores credenciados, com regra de um condutor para cada grupo de 8 pessoas.
Onde fica a maior estalactite do mundo?
Uma das principais atrações do parque é a Perna da Bailarina, considerada a maior estalactite do mundo em desenvolvimento, com 28 metros de comprimento. Fica na Gruta do Janelão, a maior caverna do parque, com 100 metros de altura e vasta abertura para o céu. A formação leva o nome pela semelhança com uma perna esticada. Estalactites são formações minerais que crescem lentamente a partir do teto das cavernas, com o gotejamento de água carregada de calcário.
Quais são os principais atrativos abertos ao público?
O parque tem 11 atrativos abertos ao público, cada um com trilhas e experiências específicas. Confira os principais:
- Gruta do Janelão: a maior do parque, com 100 metros de altura e a Perna da Bailarina.
- Lapa do Boquête: um dos principais sítios arqueológicos, com sepultamentos e silo pré-histórico.
- Gruta do Rezar: com pinturas e gravuras rupestres bem preservadas.
- Gruta do Caboclo: paredão com pinturas do estilo Caboclo, descobertas pela primeira vez neste local.
- Arco do André: trilha com mirantes naturais, incluindo o das Cinco Torres e o do Mundo Inteiro.
- Caverna dos Troncos e Caverna dos Cascudos: com o Rio Peruaçu passando por dentro.
- Lapa Bonita: uma das mais ornamentadas, com o Salão Vermelho e a Lapa do Índio.
Este vídeo do canal Rolê Família, com 128 mil visualizações, apresenta um guia completo pelo Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em Januária (Minas Gerais), destacando cavernas monumentais como a Gruta do Janelão, o Arco do André, pinturas rupestres milenares e as belezas do norte mineiro.
Como é o clima no Parque Cavernas do Peruaçu ao longo do ano?
A região tem clima semiárido, com duas estações bem definidas, uma seca e outra chuvosa. Veja abaixo a divisão por estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo para Januária, cidade-base do parque. Condições podem variar.
Como chegar ao Parque Cavernas do Peruaçu?
Os principais pontos de apoio são as cidades de Januária e Itacarambi. De Belo Horizonte, o trajeto até Januária é de aproximadamente 573 km, com cerca de 8 horas de carro. Também há saídas de ônibus de Montes Claros e Brasília. O aeroporto mais próximo é o de Montes Claros, a cerca de 200 km. A entrada no parque é gratuita, mas a contratação de um condutor credenciado é obrigatória.
O parque mineiro onde a arte pré-histórica dividiu espaço com cavernas monumentais
O Parque Nacional Cavernas do Peruaçu combina em um único território mais de 200 cavernas catalogadas, sítios arqueológicos com quase 12 mil anos, a maior estalactite do mundo em desenvolvimento e uma paisagem cárstica reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade. Poucos lugares no país conseguem oferecer essa combinação de geologia colossal, arte pré-histórica e biodiversidade em um único trecho de Minas Gerais.

