Existem cidades brasileiras que carregam títulos maiores do que o próprio tamanho. No noroeste do Espírito Santo, a 130 km de Vitória, uma cidade cortada pelo Rio Doce guarda uma estátua religiosa considerada, na década de 1970, a segunda maior do Cristo Redentor em todo o Brasil, atrás apenas da imagem no Corcovado. Também aparece entre as quatro melhores cidades para viver do estado no ranking Firjan, mantém o único distrito capixaba onde ainda se produz um pão alemão trazido pelos imigrantes no século XIX e chegou a ser capital do estado por 33 dias durante uma revolta política. Tudo isso em um município que ainda preserva o apelido dado ainda no fim do século XIX: Princesa do Norte.
Como uma vila da margem do Rio Doce virou a Princesa do Norte capixaba?
De acordo com o Portal Descubra o Espírito Santo, iniciativa oficial do Governo do Estado, a região foi ocupada a partir de 1850 por imigrantes europeus, especialmente italianos e alemães, que subiram o vale do Rio Doce em busca de terras. O crescimento veio pelo café e pela abertura de novas rotas de transporte, com destaque para a chegada da Estrada de Ferro Vitória-Minas, cuja estação em Colatina foi inaugurada em 20 de dezembro de 1906.
O nome é uma homenagem a Colatina Soares de Azevedo, esposa do governador Muniz Freire, oficializada em 9 de dezembro de 1899. A construção da Ponte Florentino Ávidos, em 1928, foi a primeira sobre o Rio Doce e transformou o município em um dos maiores entrepostos comerciais da região Norte capixaba. A emancipação oficial se deu em 30 de dezembro de 1921, quando Colatina se separou de Linhares.

Por que a cidade abriga o 2º maior Cristo Redentor do Brasil quando foi inaugurado?
Inaugurado em 1975, o Cristo Redentor de Colatina tem 35,5 metros de altura total, sendo 20 metros de estátua e 15,5 metros de pedestal. Conforme o portal ES Brasil, publicação especializada em turismo capixaba, na época foi considerado a segunda maior estátua do Cristo Redentor do Brasil, atrás apenas do monumento carioca do Corcovado.
A obra foi construída pelo arquiteto e escultor autodidata Antonio Francisco Moreira, sob idealização do então prefeito Paulo Stefenoni. O monumento fica no bairro Bela Vista, na região central da cidade, e conta com uma capela, ampla escadaria e mirante com vista panorâmica do Rio Doce. A visitação é gratuita, aberta ao público de segunda a sexta das 8h às 16h e nos fins de semana até 17h, com guia turístico local disponível para contar a história da obra.

O que faz Colatina figurar entre as 4 melhores cidades para viver no ES?
Segundo o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), elaborado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro desde 2008, Colatina figura entre os quatro melhores municípios para viver no Espírito Santo, ao lado de Aracruz, Vitória e Linhares. O ranking avalia as condições de saúde, educação, emprego e renda dos municípios brasileiros.
A economia é diversificada. O município concentra um dos maiores polos de confecção do Brasil, gera milhares de empregos diretos e mantém forte tradição no beneficiamento de granito, no comércio e nos serviços. A infraestrutura inclui hospitais de referência regional, universidades e um dos maiores centros comerciais do Norte capixaba. Segundo a mesma fonte, Colatina foi por 33 dias a capital do Espírito Santo durante a Revolta de Xandoca, um episódio pouco conhecido da política estadual do início do século XX.
O que ver e o que fazer no roteiro colatinense?
A cidade combina turismo religioso, natureza e cultura. Confira abaixo os principais pontos:
- Cristo Redentor de Colatina: no bairro Bela Vista, com mirante panorâmico do Rio Doce e capela na base do monumento.
- Pedra do Boi: formação rochosa no interior do município, procurada para prática de voo livre e rapel.
- Ponte Florentino Ávidos: primeira ponte sobre o Rio Doce, inaugurada em 1928, cartão-postal da cidade.
- Área Verde: espaço público de convivência que sedia grandes eventos e celebrações do aniversário da cidade.
- Praça do Congresso: no coração do centro histórico, ponto de encontro tradicional dos colatinenses.
- Distrito de Baunilha: parada da Rota da Pereveca, com cenário rural e casas de imigrantes alemães.
- Cachoeiras do interior: os distritos rurais concentram trilhas curtas até quedas d’água em meio à Mata Atlântica remanescente.
Este vídeo do canal Cristiane Siqueira apresenta os principais pontos turísticos e atrativos de Colatina (Espírito Santo), destacando belezas naturais e marcos da cidade.
O que é a Rota da Pereveca?
A Pereveca, também conhecida como Birewegge, é um pão de origem alemã trazido pelos imigrantes que colonizaram a região no fim do século XIX. Tem formato de rocambole e é recheado com banana assada, amendoim torrado, cravo, canela, noz-moscada e cachaça. Conforme o Portal Descubra o Espírito Santo, o distrito de Baunilha é hoje o único do estado onde a iguaria continua sendo produzida.
Para valorizar a tradição, a Prefeitura criou um circuito turístico e gastronômico que passa pelos distritos de Barbados e Baunilha, chamado Rota da Pereveca. O roteiro combina compra do pão em produtores locais, visitas a propriedades de imigrantes e paradas em pontos de gastronomia tradicional. É uma das experiências mais autênticas do turismo rural do Norte capixaba.
Como é o clima no Vale do Rio Doce?
A cidade tem clima tropical quente com temperaturas altas o ano inteiro e chuvas concentradas no verão. Confira abaixo as médias por estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Colatina?
A cidade fica a cerca de 130 km do centro de Vitória, com acesso principal pela BR-259. O trajeto de carro leva em média duas horas partindo da capital. Também é possível chegar pela Estrada de Ferro Vitória-Minas, uma das poucas ferrovias do país que ainda opera trens regulares de passageiros, com trajeto até Belo Horizonte.
Há linhas regulares de ônibus interestaduais que atendem o município, com destaque para a operação da Viação Águia Branca. A localização estratégica no Norte capixaba permite combinar Colatina com passeios em Linhares, Nova Venécia e São Mateus, além do acesso ao Vale do Aço mineiro pelo lado oeste.
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Uma cidade que combina fé indústria e um bom pôr do sol
Poucos municípios do interior brasileiro conseguem juntar em um mesmo endereço um monumento religioso do porte do Cristo colatinense, um dos maiores polos de confecção do país, uma tradição gastronômica alemã única no estado e um dos rios mais importantes do Sudeste passando pelo meio da cidade. A combinação sustenta o cotidiano dos moradores e ainda dá material de sobra para um roteiro completo de fim de semana.
Você precisa conhecer Colatina, subir até o mirante do Cristo Redentor, cruzar a Ponte Florentino Ávidos e sentir o ritmo de uma cidade que virou princesa do Norte capixaba sem esquecer o passado da margem do Rio Doce.
