Existe um ponto no norte do Paraná, na divisa com São Paulo, em que o mapa do estado troca as marcas urbanas por um mosaico de cachoeiras, paredões de arenito e mata nativa. Sengés, a 240 km de Curitiba, tem pouco mais de 20 mil habitantes, uma economia historicamente sustentada pelo setor madeireiro e um catálogo natural que impressiona pelo tamanho: mais de 60 quedas d’água mapeadas, um cânion com paredões de até 100 metros e uma das poucas áreas de Cerrado preservadas no Sul do país.
Por que Sengés é chamada de Capital da Madeira?
O apelido vem da história econômica da região. O nome do município é uma homenagem ao engenheiro Gastão Sengés, responsável pela construção do trecho da estrada de ferro que cortava a cidade, e o assentamento cresceu vinculado à extração e ao beneficiamento de madeira. Até hoje, o setor madeireiro é a principal fonte de renda dos sengeanos, o que consolidou o título usado pelo próprio poder público estadual.
Segundo o portal oficial Viaje Paraná, mantido pela Secretaria do Turismo do Paraná (Setur-PR), o município tem cerca de 23 pontos turísticos mapeados com mais de 60 cachoeiras distribuídas em vários trechos. Boa parte fica em propriedades particulares abertas à visitação, o que exige planejamento e, muitas vezes, guia local.

O que é o Cânion do Jaguaricatu?
O Cânion do Jaguaricatu é o principal cartão-postal natural de Sengés. Formado por paredões de arenito que variam entre 80 e 100 metros de altura, ele corta o vale do rio de mesmo nome em um trecho fechado de mata nativa, com largura entre 400 metros e um quilômetro. A visitação acontece em um mirante natural sobre uma plataforma rochosa, com cerca de 22 km de estrada de terra a partir do centro e uma trilha curta de 250 metros até o ponto de observação.
A geologia da região é o que sustenta o cenário. Trata-se da mesma formação de arenitos que originou o famoso Parque Estadual de Vila Velha, nos Campos Gerais, e algumas paredes do Jaguaricatu apresentam camadas fossilíferas semelhantes às das furnas de Vila Velha.

Quais cachoeiras vale conhecer em Sengés?
O município concentra cachoeiras em dois eixos principais. No sentido Curitiba, as quedas ficam entre Sengés e Jaguariaíva. No sentido São Paulo, as atrações se estendem em direção a Itararé. Um roteiro de dois dias costuma dar conta dos principais pontos.
- Cachoeira do Sobradinho (Véu da Noiva): aproximadamente 40 metros de queda com piscina natural de água cristalina esverdeada. Trilha fácil de 700 metros a partir da represa do Rio Jaguaricatu.
- Cachoeira da Ponte: queda de cerca de 10 metros ao lado de uma ponte no Jaguaricatu, com acesso rápido pela beira da estrada.
- Cachoeira do Navio: duas quedas em sequência, com pedra abaixo em formato que lembra a proa de um navio.
- Cachoeira do Corisco: no sentido Itararé, uma das mais volumosas da região.
- Poço do Encanto: pequena lagoa azulada onde a nascente movimenta a areia fina do fundo, criando pequenas ondas que fascinam pelo movimento silencioso.
- Parque Ecológico da Barreira: unidade de lazer com cachoeiras, trilhas e área de camping.
Este vídeo do canal Carro de Viagem, com 936 visualizações, apresenta um roteiro de aventura e ecoturismo por Sengés (PR), uma região paranaense famosa por abrigar mais de 60 cachoeiras e belas paisagens naturais.
Por que o Parque Estadual do Cerrado é uma raridade no Sul?
Nas proximidades de Sengés fica o Parque Estadual do Cerrado, uma unidade de conservação criada em 1992 com cerca de 1.830 hectares, considerada rara no Sul do Brasil. A vegetação típica de Cerrado nesta latitude é uma sobrevivência ecológica: um remanescente de tempos em que o bioma se estendia por áreas mais amplas antes de recuar para o Centro-Oeste.
O parque preserva vegetação típica do Cerrado, trilhas ecológicas e áreas de observação de fauna e flora. É uma das principais razões para o crescimento do turismo científico e de aventura na região, com pesquisas botânicas e ambientais em andamento.
Como é o clima de Sengés ao longo do ano?
Sengés tem clima subtropical úmido, com verões quentes e invernos frios, marcados por geadas frequentes. É comum a temperatura cair para próximo de zero em julho e agosto, o que exige agasalho pesado para trilhas cedo pela manhã.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar ao longo do ano.
Como chegar em Sengés?
A cidade fica a cerca de 240 km de Curitiba pela BR-476 e depois pela PR-151. A viagem de carro leva em média três a quatro horas, com boa parte do trajeto em rodovia asfaltada. Vindo de São Paulo, o acesso é feito por Itararé em cerca de 400 km. O aeroporto mais próximo com voos regulares é o Aeroporto Internacional Afonso Pena, em Curitiba. Também há linhas regulares de ônibus com passagem por Ponta Grossa e Jaguariaíva.
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Suba a Serra da Esperança e conheça a Capital da Madeira
Sengés é o tipo de cidade em que a paisagem só cresce à medida que se avança. Um cânion com paredões de 100 metros aparece depois de 22 km de estrada de terra. Uma cachoeira de 40 metros exige uma trilha curta pela mata. Uma nascente com areia dançante espera no fim de uma trilha silenciosa. E, no meio de tudo isso, um parque estadual preserva um pedaço improvável de Cerrado em pleno Sul do Brasil.
