No mês de outubro, uma cidade do Vale do Rio Pardo, a 155 km de Porto Alegre, se transforma na terceira capital global de uma tradição bávara nascida em Munique. Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, sedia a Oktoberfest considerada a terceira maior do mundo, resultado direto de uma colonização alemã que começou em dezembro de 1849 e virou identidade cultural. A cidade também guarda uma catedral neogótica com torres de 82 metros de altura e um passado ligado ao tabaco que lhe rendeu o título de Capital Nacional do Fumo.
Como a colonização alemã chegou ao Vale do Rio Pardo em 1849?
A ocupação começou na década de 1840, quando o então distrito de Rio Pardo começou a receber levas de imigrantes europeus atraídos pela política imperial brasileira de incentivo à imigração estrangeira. Os primeiros habitantes chegaram em dezembro de 1849, oriundos das regiões alemãs do Reno e da Silésia, e se estabeleceram na antiga Colônia Picada Velha, hoje conhecida como Linha Santa Cruz.
A herança dessa colonização se manteve ao longo de gerações e explica o termo Deutschtum, que traduz a ideologia de conservação das características culturais germânicas. Em 1949, a cidade celebrou o centenário da colonização com festividades e a inauguração do Parque do Centenário, área que anos depois abrigaria a maior festa da cidade.

Por que a Oktoberfest de Santa Cruz do Sul nasceu do fumo?
A economia do município cresceu vinculada ao cultivo do tabaco, atividade que rendeu à cidade o título de Capital Nacional do Fumo e concentrou os maiores produtores da cultura no Brasil. Em 1966, foi realizada a primeira Festa Nacional do Fumo (Fenaf), com o objetivo de celebrar a indústria fumageira. Segundo o site oficial da Oktoberfest Santa Cruz do Sul, a Fenaf teve edições em 1966, 1972 e 1978.
Em 1984, a organização decidiu substituir a Fenaf por uma festa inspirada na Oktoberfest de Munique, com foco na cultura alemã em vez da agrícola. Nasceu ali a Oktoberfest Santa Cruz do Sul, que segue no mesmo Parque do Centenário e chegou a receber delegações de Alemanha, Argentina e Uruguai a partir de 1998. Em 40 anos, a festa só não aconteceu em 1993, por dificuldades financeiras, e em 2020, por causa da pandemia.

Como funciona a terceira maior Oktoberfest do mundo?
A festa é organizada em parceria entre a Associação de Entidades Empresariais de Santa Cruz do Sul (Assemp) e o município. A programação típica dura 12 dias e inclui bandinhas típicas, dança folclórica, gastronomia alemã, o tradicional Desfile Cultural pelas ruas do centro e a comercialização de artesanato colonial produzido no Vale do Rio Pardo. Chope, salsichas, chucrute e cucas dividem espaço com pratos de origem indígena e apresentações musicais internacionais.
O evento acontece no mesmo terreno desde a primeira edição da Fenaf, hoje batizado de Parque da Oktoberfest, na Rua Galvão Costa, no centro. A cidade atrai centenas de milhares de visitantes todos os anos durante o período do evento, o que triplica ou quadruplica a movimentação hoteleira do Vale.
Por que a Catedral São João Batista tem 82 metros de altura?
O centro histórico de Santa Cruz do Sul é dominado pela Catedral São João Batista, um dos maiores templos neogóticos da América Latina. As torres alcançam 82 metros de altura e servem de referência visual em quase toda a cidade. A construção é adornada com vitrais detalhados e pinturas sacras que refletem o esforço da comunidade imigrante para reproduzir a arquitetura religiosa de origem germânica.
O estilo neogótico tardio segue os cânones das grandes catedrais europeias, com nave alta, arcos ogivais e ornamentação robusta em pedra. É uma das poucas igrejas brasileiras com essa escala vertical e um dos motivos que reforçam o apelido de Alma Alemã atribuído à cidade.
O que ver em Santa Cruz do Sul além da Oktoberfest?
A cidade tem cerca de 130 mil habitantes e combina indústria, universidade e atrativos culturais em um centro compacto.
- Catedral São João Batista: torres de 82 metros e interior neogótico, principal ponto turístico religioso da região.
- Parque da Oktoberfest: sede permanente da festa, aberto o ano inteiro, com pavilhões e área verde.
- Museu do Colono Alemão: acervo com objetos, ferramentas e mobiliário trazidos pelos primeiros imigrantes.
- Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc): campus com áreas verdes abertas ao público e programação cultural.
- Praça Getúlio Vargas: coração do centro histórico, cercada por prédios coloniais e a Catedral.
- Linha Santa Cruz: distrito rural onde chegaram os primeiros imigrantes, com propriedades familiares e agroindústrias abertas à visitação.
Este vídeo do canal Coisas do Mundo, com 11,3 mil visualizações, apresenta um panorama completo sobre Santa Cruz do Sul (RS), destacando sua força econômica, alta qualidade de vida e a forte herança da colonização alemã.
Como é o clima de Santa Cruz do Sul ao longo do ano?
O clima é subtropical úmido, com estações bem definidas. Verão quente e úmido, inverno frio com temperaturas próximas de zero em algumas noites de julho.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar ao longo do ano.
Como chegar em Santa Cruz do Sul?
A cidade fica a 155 km de Porto Alegre pela BR-287 e pela RSC-471, com viagem média de duas horas de carro. O aeroporto mais próximo com voos regulares é o Aeroporto Salgado Filho, na capital gaúcha. Há linhas regulares de ônibus com várias saídas diárias da Rodoviária de Porto Alegre. Durante a Oktoberfest, muitas agências operam pacotes com transporte e hospedagem incluídos, o que costuma ser a solução mais prática dado o volume de turistas na cidade.
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Conheça a cidade gaúcha com alma alemã
Santa Cruz do Sul é o tipo de destino em que a história econômica virou identidade cultural. O fumo trouxe as primeiras riquezas. Os imigrantes alemães trouxeram a arquitetura da catedral e o Deutschtum. A Fenaf abriu caminho para a Oktoberfest, que hoje transforma a cidade em um endereço internacional durante 12 dias por ano.

