Poucos municípios brasileiros combinam duas identidades tão distantes no tempo. Marília, no centro-oeste do estado de São Paulo, a 443 km da capital, é a Capital Nacional do Alimento, com cerca de 1.100 empresas do setor alimentício instaladas em seu parque industrial. A mesma cidade tem em seu subsolo fósseis de titanossauros que habitaram a região há 65 a 80 milhões de anos, no fim da Era dos Dinossauros. O município é Município de Interesse Turístico (MIT) desde 2019 e tem uma formação geológica que carrega seu nome: a Formação Marília.
Como Marília virou a Capital Nacional do Alimento?
A trajetória começou na década de 1940. Segundo a Prefeitura de Marília, o parque industrial da cidade é composto por cerca de 1.100 empresas dos setores alimentício, metalúrgico, construção, têxtil, gráfico e plástico, entre outros.
O ciclo do algodão nos anos 1930 abriu caminho para a industrialização, com a instalação das duas primeiras indústrias em 1934 e 1935 (fábricas de óleo). Após a Segunda Guerra Mundial, o município se firmou como polo alimentício, principalmente a partir dos anos 1950, com empresas como Nestlé e Marilan instaladas na cidade. Hoje, cerca de 50 indústrias específicas do setor alimentício produzem cerca de 32 mil toneladas de alimentos por mês, o que consolida o apelido nacional. Grandes empresas brasileiras também nasceram em Marília, como o Banco Bradesco e a antiga TAM Linhas Aéreas.

Como os fósseis de dinossauros foram descobertos em Marília?
A história começa em 1993. Segundo o Museu de Paleontologia de Marília, o paleontólogo William Nava fez a primeira descoberta de ossos de dinossauro na região naquele ano, na estrada vicinal Padre Nóbrega–Rosália. O achado ganhou repercussão nacional na época.
A vantagem do local é geológica. As rochas da região pertencem à Formação Marília, sequência de sedimentos que aflora no oeste paulista e no Triângulo Mineiro. Nelas, foram identificados fósseis do Cretáceo, com idade estimada em cerca de 66 milhões de anos, incluindo peixes, tartarugas, crocodilianos e dinossauros das ordens dos saurópodes (grandes herbívoros) e terópodes. Um fêmur de titanossauro medindo 1,10 metro de comprimento foi um dos achados mais importantes das últimas décadas.

O que é o Museu de Paleontologia de Marília?
Inaugurado em 2004, o museu foi criado para preservar e divulgar os achados fósseis da região. Fica no Centro Cultural Lauro Monteiro e Silva, no centro da cidade, sob coordenação do próprio paleontólogo William Nava, responsável pela maioria das descobertas nos últimos 33 anos.
O acervo inclui fósseis reais e réplicas de crocodilianos e ossos de dinossauros, além de ovos fossilizados e restos de tartarugas. Duas réplicas em tamanho real chamam atenção: uma de Titanossauro, com cerca de 12 metros de comprimento na parte externa, e uma de Abelissauro, com 4 metros, instalada internamente. O espaço tem equipamentos tecnológicos como óculos 3D de realidade virtual e QR Codes que fazem o público interagir com o universo dos dinossauros.
O que fazer em Marília além do museu e das indústrias?
O município reúne atrações que combinam patrimônio histórico, natureza e cultura popular. Muitas ficam a poucos minutos do centro.
- Museu de Paleontologia: com fósseis reais de titanossauros, ovos de crocodilos e réplicas em tamanho real.
- Horto Florestal: com trilhas ecológicas e áreas de lazer, refúgio urbano para amantes da natureza.
- Primeira Rodoviária do Brasil: inaugurada em 1938, com influências Art Déco, projeto de José Ferreira Dias.
- Comunidade nipônica: uma das maiores do interior brasileiro, com o evento Japan Fest e recepção de membros da Casa Imperial do Japão em várias ocasiões.
- Rota do Café e Rota Gastronômica de SP: com fazendas produtoras como a Fazenda Dona Santina.
Quais curiosidades históricas Marília guarda?
A cidade tem uma coleção de fatos incomuns que ajudam a explicar por que virou Município de Interesse Turístico em 2019.
- Origem do nome: inspirado no clássico Marília de Dirceu, do inconfidente Tomás Antônio Gonzaga, escolhido pelo fundador Bento de Abreu por causa da letra M das estações ferroviárias.
- Primeira fotografia em 360°: registrada em Marília em 1957, por uma câmera inventada pelo fotógrafo Sebastião Leme, natural de Ribeirão Preto e radicado na cidade.
- Primeira rodoviária do Brasil: inaugurada em 1938, projeto em estilo Art Déco.
- Berço do Bradesco e da TAM: duas grandes empresas brasileiras nasceram na cidade.
Este vídeo do canal viajando barato, com 62,6 mil visualizações, apresenta um guia completo sobre Marília (SP), destacando suas principais atrações, história e curiosidades sobre a cidade conhecida como a “Capital Nacional do Alimento” e a “Jurassic Park brasileira”.
Como é o clima em Marília?
O clima é subtropical de altitude, com quatro estações bem definidas. A cidade está a 675 metros de altitude, no ponto mais ocidental da Serra de Agudos, o que garante temperaturas mais amenas que outras cidades do interior paulista.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Marília?
De São Paulo, o trajeto de 443 km é feito pela SP-280 (Rodovia Castello Branco) até a saída 210, seguindo pela SP-209, depois SP-300 (Rodovia Marechal Rondon) até a saída 347, e finalmente pela SP-294 (Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros) até a saída 446-A. A viagem leva em média 6 horas.
Marília também é atendida pelo Aeroporto Estadual Frank Miloye Milenkowichi, com voos regionais em determinados períodos. Os aeroportos mais próximos com voos regulares são o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (a 350 km), e o Aeroporto de Bauru (a 100 km), com operações regionais.
Leia também: Montanhas, clima europeu e paisagens de cartão-postal fazem deste destino a famosa Suíça Brasileira
Vá conhecer a cidade onde alimentos modernos e dinossauros dividem o mesmo território
Marília é o tipo de destino que combina, em uma única cidade paulista, duas identidades separadas por 66 milhões de anos: o parque industrial mais importante do setor alimentício do Brasil e um dos principais sítios paleontológicos do estado. É uma dobra do interior paulista onde o presente da produção e o passado geológico convivem lado a lado.
Você precisa reservar alguns dias, visitar o Museu de Paleontologia, tocar num fóssil real de titanossauro, provar um chinelão e sentir por que essa cidade do centro-oeste paulista foi, ao mesmo tempo, um dos berços mais férteis do capitalismo brasileiro e um dos territórios mais bem preservados da vida na Terra no fim da Era dos Dinossauros.

