Erguida sobre rochedos às margens do Rio São Francisco, a 173 km de Maceió e a 120 km de Aracaju, uma das cidades mais antigas de Alagoas mantém intacto um dos maiores conjuntos arquitetônicos coloniais do Nordeste brasileiro. Penedo foi fundada em 1560 pelos portugueses, invadida por Maurício de Nassau em 1637 durante a ocupação holandesa e recebeu o imperador Dom Pedro II em 1859 durante sua expedição pelo Nordeste. Guarda um esconderijo secreto ao lado do altar da Igreja de Nossa Senhora da Corrente, usado por famílias abolicionistas para proteger pessoas escravizadas em fuga.
A igreja com um compartimento secreto para libertar escravizados
A Igreja de Nossa Senhora da Corrente, também conhecida como Igreja dos Lemos, começou a ser construída em 1764 e teve as obras concluídas apenas na última década do século XIX. Segundo o IPHAN, o exterior típico do barroco alagoano esconde um interior de riqueza rara. O altar-mor é folheado a ouro, os retábulos são em estilo neoclássico com influência baiana e imitação de mármore, os púlpitos são finamente entalhados e os azulejos vieram das fábricas lisboetas, os mesmos artistas que decoraram o antigo convento dos Loios em Refogos do Lima, em Portugal.
À esquerda do altar existe um compartimento secreto que se tornou o maior símbolo penedense de resistência. O espaço era utilizado por famílias abolicionistas locais para proteger pessoas escravizadas em fuga durante o século XIX, um detalhe que fez o historiador francês Germain Bazin, autor de um dos principais estudos sobre a arquitetura religiosa barroca brasileira, classificar a igreja como uma das mais bonitas do Brasil. O forro da capela-mor tem pintura em tons vermelhos e azuis escuros, e o piso da nave é feito de cerâmica inglesa importada no auge do ciclo do açúcar.

De entreposto colonial em 1560 à Atenas Alagoana
Penedo foi o primeiro povoado alagoano ainda no século XVI, quando toda a região pertencia à Capitania de Pernambuco. Sua posição estratégica em rochedos que controlavam o acesso ao Rio São Francisco, principal rota fluvial para o interior do continente, transformou o núcleo em entreposto comercial fundamental. Foi essa importância que atraiu os holandeses. Em 1637, tropas de Maurício de Nassau invadiram a cidade e mantiveram o domínio holandês da navegação fluvial por oito anos, até 1645.
O traço plural das colonizações portuguesa, holandesa e francesa moldou a arquitetura híbrida que se vê hoje nas ruas de paralelepípedo. O apelido Atenas Alagoana, herdado do século XIX, traduz a vocação intelectual e artística que ainda hoje define a cidade. Em 1859, o imperador Dom Pedro II visitou Penedo durante sua expedição pelo Nordeste. Hospedou-se na residência que hoje é o Museu do Paço Imperial e participou de cerimônia exclusiva na Igreja da Corrente. A visita imperial deu à cidade o título de vila-testemunha do Brasil colonial e imperial.

Um conjunto arquitetônico tombado pelo IPHAN em 1996
O tombamento federal do conjunto histórico e paisagístico de Penedo aconteceu em 1996, colocando a cidade ao lado de Ouro Preto, Paraty e Diamantina no mapa do patrimônio colonial brasileiro. A área protegida inclui a Igreja de Nossa Senhora da Corrente, o Mercado Público, o Pavilhão da Farinha, a Casa da Aposentadoria (que virou Paço Imperial após a visita de Dom Pedro II), a Igreja de São Gonçalo Garcia dos Homens Pardos, várias praças e ruas históricas e a orla do São Francisco.
O Complexo Franciscano, formado pelo Convento de São Francisco e pela Igreja de Santa Maria dos Anjos, é outro conjunto tombado. O primeiro convento foi fundado em 1661 e o novo edifício começou a ser construído em 1682, com obras que se prolongaram até 1694. No século XVIII, os adornos em pedra ganharam motivos fitomórficos, conchas e figuras humanas em estilo barroco. O teto interno tem pintura ilusionista assinada por Libório Lázaro Lial, artista pernambucano que trabalhou em várias igrejas do Nordeste no século XIX.
O que fazer entre o Circuito das Igrejas e o Rio São Francisco
Penedo pode ser conhecida em dois ou três dias caminhando pelo centro histórico. Reserve pelo menos um dia extra para a foz do São Francisco.
- Igreja de Nossa Senhora da Corrente: barroco e rococó com esconderijo secreto de escravizados e altar folheado a ouro.
- Complexo Franciscano: Convento de São Francisco e Igreja de Santa Maria dos Anjos com claustro de azulejos portugueses.
- Igreja de São Gonçalo Garcia: fachada em pedra calcária na Praça Floriano Peixoto, dedicada ao mártir português.
- Museu do Paço Imperial: casarão que hospedou Dom Pedro II em 1859 com acervo colonial e imperial.
- Theatro Sete de Setembro: teatro mais antigo em atividade em Alagoas, inaugurado em 1884 com fachada neoclássica.
- Orla do Rio São Francisco: casario colorido refletido nas águas ao entardecer.
- Foz do Rio São Francisco: passeio de barco a 45 km, saindo de Piaçabuçu, até o encontro do rio com o mar.
Quem sonha em explorar a história e as paisagens ribeirinhas de uma das cidades mais charmosas de Alagoas, vai curtir este vídeo do canal Marcio Vital Valença, que conta com mais de 107 mil visualizações, onde é possível fazer um passeio visual, com belas imagens de drone, pela arquitetura colonial e a vista do Rio São Francisco em Penedo.
Como é o clima e a melhor época para visitar
Penedo tem clima tropical semiárido com temperaturas elevadas o ano inteiro e chuvas concentradas no primeiro semestre. O segundo semestre é seco e ensolarado, ideal para passeios de barco e caminhadas pelo centro histórico.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar em Penedo
De Maceió são 173 km pela AL-101 Sul, cerca de duas horas e trinta minutos de carro. De Aracaju, no vizinho Sergipe, são 120 km pela BR-101 e SE-335, com opção pitoresca de chegada pela balsa que atravessa o Rio São Francisco a partir de Neópolis, na margem sergipana. A travessia oferece a visão privilegiada de Penedo surgindo no horizonte, com torres de igrejas destacadas no alto do rochedo. Os aeroportos mais próximos são o Zumbi dos Palmares em Maceió e o Santa Maria em Aracaju.
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Cruze o Velho Chico e conheça a Atenas Alagoana
Penedo guarda um pedaço raro do Nordeste brasileiro, onde uma cidade fundada no século XVI ainda preserva um esconderijo secreto para escravizados, hospedou Dom Pedro II no meio do século XIX e mantém intactos casarões que sobreviveram à invasão holandesa. Poucos lugares combinam quatro séculos de história, tombamento federal pelo IPHAN e uma orla que reflete o pôr do sol dourado no maior rio do Nordeste.
