A 96 km de Maceió, Coruripe é um dos destinos mais completos do litoral sul de Alagoas. Reúne praias quase desertas emolduradas por coqueirais, cinco lagoas costeiras e um farol de 1948 que virou símbolo do município. Mas o que colocou o nome da cidade nos livros de história do Brasil aconteceu em 16 de junho de 1556, quando a nau Nossa Senhora da Ajuda naufragou próximo à foz do Rio Coruripe levando o bispo Dom Pero Fernandes Sardinha, primeiro bispo do Brasil, e mais de cem tripulantes. O episódio, ainda hoje debatido por historiadores, serviu de pretexto para a decretação de guerra contra os índios Caetés, que ocupavam a região e batizaram o rio como Corurygip, “rio de peixes escuros”.
O naufrágio que virou pretexto para uma guerra
A nau Nossa Senhora da Ajuda zarpou de Salvador em junho de 1556 rumo a Portugal. Levava o bispo Dom Pero Fernandes Sardinha, que ia se reportar à Corte após um conflito com o governador-geral Duarte da Costa. A embarcação naufragou 24 léguas ao sul da capital baiana, próximo à foz do Rio Coruripe, segundo o relato do senhor de engenho Gabriel Soares de Souza em seu Tratado Descritivo do Brasil, publicado em 1587.
A tradição historiográfica registra que sobreviventes do naufrágio foram capturados pelos índios Caetés nos baixios que hoje levam o nome de Dom Rodrigo. Em resposta, a rainha regente Catarina de Áustria decretou em 1557 a escravização de todos os Caetés e seus descendentes. Historiadores contemporâneos, como Moacyr Soares Pereira, questionam a localização exata do episódio e o próprio protagonismo dos Caetés, mas o fato entrou no imaginário coletivo como um dos capítulos mais violentos do período colonial brasileiro.

Dois naufrágios no mesmo litoral em quatro anos
Coruripe não teve apenas o naufrágio do bispo. Em 1560, os mesmos arrecifes fizeram nova vítima: o navegador espanhol Dom Rodrigo de Acuaña, cujo nome batizou os baixios em frente à costa. Hoje os Baixios de Dom Rodrigo são um dos pontos mais procurados para mergulho no litoral sul alagoano, com águas claras e vida marinha rica ao redor dos recifes que um dia foram armadilha para os grandes veleiros europeus.
Para orientar embarcações e evitar novas tragédias, o município ganhou em 1948 o Farol Almirante Moraes Rego, na parte mais alta do Pontal do Coruripe. Segundo o portal turístico oficial da região, tem 20 metros de altura e foco luminoso com alcance de 14 milhas náuticas. Virou tão simbólico que aparece no brasão do time de futebol local e na logomarca da Prefeitura.

O que fazer em Coruripe?
A cidade combina praia deserta, patrimônio colonial e roteiros de lagoas em passeios que costumam durar de dois a quatro dias.
- Pontal do Coruripe: praia mais famosa do município, com piscinas naturais na maré baixa, mar cristalino e o Farol Almirante Moraes Rego no ponto alto do povoado.
- Praia da Lagoa do Pau: cenário raro em que a areia forma um pontal cercado de coqueirais, com águas mornas e faixa deserta.
- Praia de Miaí de Cima: procurada para longas caminhadas na areia firme, com pequenos bares no povoado e pôr do sol na foz do Rio Coruripe.
- Praia de Miaí de Baixo: mar mais agitado, ondas fortes e coqueirais intocados ao fundo.
- Praia do Poço: acessível pela Miaí de Baixo, com areia fina e água azul quase transparente.
- Baixios de Dom Rodrigo: banco de arrecifes onde naufragou o navegador espanhol em 1560, hoje ponto de mergulho.
- Igreja de São José do Poxim: templo do século XVIII em antiga freguesia, com data registrada em lavabo da sacristia de 1762, hoje com pequeno museu no primeiro andar.
- Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição: cartão-postal do centro histórico em estilo neoclássico, com imagens religiosas do século XVIII.
- Beco do Amor: passagem revitalizada no Pontal, virou ponto obrigatório de fotos junto ao mar.
Quem deseja desbravar o litoral sul de Alagoas vai curtir este vídeo especialmente selecionado do canal Eu no Nordeste, que conta com mais de 146 mil visualizações, onde a apresentadora explora as belezas de Coruripe, destacando praias paradisíacas e desertas, a estrutura para motorhomes, o famoso “Beco do Amor” e os encantadores passeios pela foz do rio.
Artesanato em palha de ouricuri como marca da cidade
Entre as heranças mais visíveis do modo de vida caiçara, o artesanato de Coruripe merece atenção. A Associação das Artesãs de Pontal do Coruripe reúne dezenas de mulheres que produzem bolsas, tapetes, mandalas e jogos americanos trançados a partir da palha do ouricuri, uma palmeira nativa do Nordeste.
Nos povoados vizinhos, outro grupo trabalha com a palha de taboa, planta aquática das lagoas, produzindo bandejas, potes e cestas. A produção é vendida em barracas na Praia do Pontal e virou uma das principais fontes de renda das famílias que vivem entre a orla e as lagoas.
Como é o clima em Coruripe durante o ano?
O clima tropical litorâneo mantém sol e mar mornos na maior parte do ano. As chuvas se concentram entre maio e julho.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Coruripe saindo de Maceió
De carro, o trajeto é feito pela AL-101 Sul ao longo do litoral, com paradas em cidades como Marechal Deodoro, Barra de São Miguel e Jequiá da Praia. São cerca de 96 km em 2 horas de viagem. Outra opção é a BR-101, seguindo pelo interior até o acesso pela AL-105.
Do Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, em Maceió, o percurso é de aproximadamente 100 km. Também há linhas regulares de ônibus intermunicipais partindo do Terminal Rodoviário da capital.
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Vale a pena conhecer Coruripe
Poucos lugares do Brasil conseguem juntar em um mesmo território um dos capítulos mais dramáticos da colonização portuguesa, praias que parecem intocadas e um farol que virou brasão. Coruripe faz isso preservando o clima de vila costeira, com peixe fresco na barraca e artesanato no varal.
Você precisa reservar um fim de semana e sentir a cidade que entrou nos livros de história pela força do mar e ainda encanta pela força da natureza.

