Quem entra em Rio Verde pela BR-060 dá de cara com pilhas de abóboras enormes nos canteiros centrais. A cena parece fora de lugar em uma cidade que hoje é a segunda maior produtora de soja do Brasil, mas conta a origem do apelido que os moradores carregam com orgulho desde a Guerra do Paraguai.
Por que Rio Verde é chamada de Cidade das Abóboras?
O apelido nasceu por volta de 1840, quando soldados a caminho da fronteira sul acamparam no então Arraial de Nossa Senhora das Dores. Segundo registros históricos da Câmara Municipal de Rio Verde, a tropa passou dias se alimentando da abóbora abundante nos quintais e plantações do povoado.
O que começou como piada dos militares virou identidade. A prefeitura decora rotatórias e canteiros com abóboras gigantes o ano inteiro e organiza o Arraiá das Abóboras, um dos maiores eventos culturais do município, com dois dias de shows e comidas típicas. As 11 feiras de rua espalhadas pelos bairros vendem o fruto em galinhadas, pamonhas e doces, receitas herdadas dos primeiros ocupantes.

Da abóbora à segunda maior soja do Brasil
A virada aconteceu em 1970, com a abertura do Cerrado à agricultura mecanizada. Segundo a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SEAPA), produtores vindos de São Paulo e da região Sul trouxeram máquinas, tecnologia e capital que transformaram os campos do sudoeste goiano em uma das áreas mais produtivas do país.
O resultado apareceu nos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na Produção Agrícola Municipal de 2022, Rio Verde ocupou a 2ª posição nacional em soja com 1,6 milhão de toneladas, atrás apenas de Sorriso, no Mato Grosso. Também aparece como 4º maior produtor de milho do país, com 1,8 milhão de toneladas.
O que fazer em Rio Verde além das feiras?
A cidade combina turismo de negócios com natureza serrana no entorno. O centro é organizado, com praças arborizadas e o calçadão da Rua Rafael Nascimento como ponto de encontro.
- TecnoShow Comigo: uma das maiores feiras de agronegócio do Brasil, realizada anualmente pela Cooperativa Comigo em parque de exposições próprio.
- Parque Ecológico do Jardim Adriana: 17 hectares de área verde com lago, pista de caminhada e estrutura para esportes na encosta urbana.
- Arraiá das Abóboras: festa junina oficial da Secretaria Municipal de Turismo com shows de artistas nacionais e culinária típica.
- Expo Rio Verde: feira agropecuária tradicional organizada pelo Sindicato Rural, com mais de 63 edições realizadas.
- Centro de Tradições Gaúchas: espaço cultural que celebra a Semana Farroupilha, herança da imigração sulista dos anos 1970.
- Calçadão da Rua Rafael Nascimento: rua histórica no centro, com prédios antigos, comércio e cafés.
Quem planeja conhecer Rio Verde, em Goiás, vai curtir este vídeo especialmente selecionado do canal Horrana Ribeiro, que conta com mais de 26 mil visualizações, onde ela apresenta um roteiro de um dia com três sugestões de lugares que valem a pena visitar.
Como é o clima em Rio Verde durante o ano?
O clima é tropical de savana, típico do Cerrado, com verão chuvoso e inverno seco. As melhores janelas para conhecer a cidade coincidem com a Expo e o Arraiá.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Rio Verde?
A cidade fica a 220 km de Goiânia, cerca de três horas de carro pela BR-060. O Aeroporto Municipal General Leite de Castro recebe voos regionais, e o Aeroporto Santa Genoveva em Goiânia é o mais próximo com voos diários para as capitais. Ônibus interestaduais operam ligações diretas com São Paulo, Brasília e Cuiabá.
Conheça a cidade que virou soja sem esquecer da abóbora
Rio Verde condensa duas paisagens improváveis: o gigantismo do agronegócio moderno e o sabor caipira das feiras de rua. Poucas cidades do Cerrado combinam identidade tão marcada com escala econômica de peso nacional.
Você precisa reservar um fim de semana para conhecer Rio Verde e provar uma galinhada com abóbora na cidade que virou capital do grão sem largar o apelido antigo.

