Encravada na Serra do Sincorá, no coração da Chapada Diamantina, Igatu parece cenário de filme. Casas de pedra irregulares, muros centenários e ruínas de garimpo se misturam à vegetação nativa em uma vila que o próprio Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) chama de museu vivo.
Por que a chamam de Machu Picchu Baiana?
O apelido não é invenção de guia de turismo. Aparece nos documentos oficiais do IPHAN, em referência à cidade peruana de pedra construída pelos incas. A comparação faz sentido quando se caminha entre as habitações que garimpeiros ergueram no século XIX com pedras irregulares assentadas com barro.
Segundo o IPHAN, o conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico foi tombado em 2000 e reúne cerca de 200 imóveis. O núcleo original data de meados do século XIX, período em que a corrida do diamante trouxe barões, escravos e aventureiros para a Serra do Sincorá.

De 10 mil habitantes a menos de 400
Igatu, também chamada de Xique-Xique do Igatu e Cidade de Pedras, chegou a abrigar cerca de 10 mil pessoas no auge da mineração diamantífera. Ruas, comércios e casarões coloniais dividiam espaço com tocas de garimpeiros pobres, formando uma paisagem que hoje sobrevive em ruínas.
Com o esgotamento do diamante no início do século XX, a vila se esvaziou. Segundo o IPHAN, o distrito hoje conta com cerca de 380 habitantes, em sua maioria descendentes daqueles primeiros garimpeiros. O nome vem do tupi y katu, que significa água boa, referência aos vários rios que cortam o território.

Um cenário para caminhar entre séculos
O acesso é por 15 km de estrada de terra a partir do centro de Andaraí. O casario histórico fica em ótimo estado de conservação, com pontes, calçamentos e ruínas ainda visíveis ao longo de trilhas que atravessam o distrito.
- Galeria Arte e Memória: museu a céu aberto com utensílios usados por garimpeiros e escravizados, instalado entre as ruínas.
- Igreja e Cemitério de São Sebastião: templo em pedra e cal do século XIX ao lado de cemitérios em estilo bizantino, tombado pelo IPHAN.
- Mina Brejo-Verruga: antiga mina de diamante com 380 metros de galerias, aberta à visitação com condutor local.
- Poço da Madalena: poço natural em meio a paredões rochosos, dentro do perímetro tombado.
- Trilha das Ruínas: percurso entre casas abandonadas do antigo bairro dos garimpeiros, às margens da Estrada Velha do Garimpo.
- Vale do Pati: uma das travessias mais famosas do Brasil, tem em Igatu um dos pontos de partida clássicos.
Quem deseja descobrir os encantos de Igatu, na Bahia, vai curtir este vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 37 mil visualizações, onde eles apresentam um roteiro fascinante.
Como é o clima em Igatu ao longo do ano?
Igatu fica a cerca de 700 m de altitude e tem clima tropical de altitude, mais ameno do que o do sertão baiano. Junho a agosto marcam a estação seca, ideal para trilhas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo de Andaraí. Condições podem variar.
Como chegar a Igatu?
De Salvador são 400 km pela BR-324 e BR-242 até Lençóis, mais 112 km pela BA-142 até o entroncamento com a estrada de terra. A partir daí, 7 km de piso de terra e pedra até a vila. O aeroporto mais próximo com voos comerciais é o de Lençóis, com conexões sazonais para as capitais.
Suba a serra e caminhe entre pedras do século XIX
Igatu condensa história do garimpo, arquitetura vernacular e paisagem serrana em raio curto. Poucos lugares no Brasil oferecem uma vila inteira preservada como museu a céu aberto, com moradores vivos que carregam a memória do ciclo do diamante.
Você precisa reservar dois dias para conhecer Igatu e caminhar entre ruínas de pedra na vila que a Bahia guarda como sua Machu Picchu.
