O cheiro de pequi e o som do Rio das Almas recebem quem chega a Pirenópolis, no interior de Goiás. Carinhosamente chamada de Piri, a cidade guarda ruas de pedra do século 18 entre as serras do Cerrado e leva o nome dos Pireneus, a cordilheira entre França e Espanha.
Fundada como arraial de garimpo, a vila cresceu sem perder o ritmo do interior. Hoje equilibra patrimônio colonial, festas centenárias e uma das maiores concentrações de cachoeiras do país.
O ouro que fez nascer uma cidade
Pirenópolis surgiu em 7 de outubro de 1727, quando bandeirantes paulistas acharam ouro às margens do Rio das Almas. O arraial se chamava Minas de Nossa Senhora do Rosário Meia Ponte e era ponto de parada na rota do garimpo.
Desse passado restou a maior herança da cidade: o centro histórico, com casarões coloniais e ruas de paralelepípedo, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, iniciada em 1728, é uma das construções religiosas mais antigas de Goiás.

Como é a vida em Piri?
É a tranquilidade do interior com fôlego cultural de cidade grande. Com pouco mais de 20 mil habitantes, Pirenópolis tem economia movida pelo turismo, e o cotidiano gira em torno do centro histórico, das pousadas e do artesanato.
As joias de prata feitas à mão são tão tradicionais que ganharam Indicação Geográfica, selo que protege a produção local. A localização ajuda: entre Brasília e Goiânia, a cidade recebe visitantes o ano todo sem perder o sossego nos dias de semana.

Cachoeiras para todos os ritmos
A Serra dos Pireneus guarda mais de 80 cachoeiras catalogadas, de poços rasos para crianças a quedas imponentes. Vale reservar ao menos dois dias só para as águas.
- Cachoeira do Rosário: queda de 42 metros em meio à mata, uma das mais fotografadas da região, com entrada limitada por dia.
- Cachoeira do Abade: antiga mina de ouro do século 18, hoje com trilhas, pontes suspensas e amplo poço para banho.
- Pico dos Pireneus: a 1.385 metros, segundo ponto mais alto de Goiás, com vista que alcança Anápolis e Brasília em dias claros.
- Cachoeira do Lázaro: poço raso de até 1,5 metro, ideal para famílias com crianças pequenas.
Quem deseja conhecer Pirenópolis, em Goiás, uma joia histórica e natural, vai curtir este vídeo do canal DEVA NO AR, que conta com mais de 68 mil visualizações. O roteiro destaca o centro histórico da cidade com suas construções coloniais, a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, a Rua do Lazer, além de um roteiro pela Cachoeira Bom Sucesso e outras quedas d’água da região:
Batalhas medievais que duram quase 200 anos
Cinquenta dias após a Páscoa, a cidade vira palco da Festa do Divino Espírito Santo, registrada pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em 2010. O ponto alto são as Cavalhadas, encenadas desde a década de 1820.
Por três dias, cavaleiros vestidos de azul e vermelho representam batalhas medievais entre cristãos e mouros no cavalhódromo. Pelas ruas, os Mascarados de roupas coloridas e máscaras fazem brincadeiras e completam um dos folclores mais vivos do Brasil.
Qual a melhor época para visitar?
O clima é tropical com duas estações marcadas. A seca, de maio a setembro, traz dias firmes para trilhas; a chuvosa, de outubro a abril, enche os poços e dá força às cachoeiras.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Onde fica e como chegar
Pirenópolis está a 150 km de Brasília e a 120 km de Goiânia. De Brasília, o trajeto segue pela BR-070 e GO-225, em cerca de 2h30; de Goiânia, pela BR-153 até Anápolis e depois pelas rodovias estaduais, em torno de 1h40. Não há aeroporto na cidade, e o carro é praticamente indispensável para alcançar as cachoeiras fora do centro.
Conheça a joia colonial de Goiás
Pirenópolis reúne o que poucos destinos brasileiros conseguem: ouro colonial nas ruas, águas cristalinas na serra e uma festa que emociona há quase dois séculos. É história e natureza no mesmo fim de semana.
Você precisa conhecer Pirenópolis e caminhar sem pressa por suas ruas de pedra para entender por que essa vila goiana encanta quem chega.

