A 716 metros de altitude, cercada pela Serra do Curral, Belo Horizonte é a primeira cidade planejada do Brasil moderno. Inaugurada em 12 de dezembro de 1897 sob o nome de Cidade de Minas, virou capital de Minas Gerais no lugar de Ouro Preto, abriga as primeiras quatro obras de Oscar Niemeyer tombadas pela UNESCO em 2016 e ostenta o título informal de Capital dos Botecos do Brasil.
Do antigo Arraial de Curral del Rei à Cidade de Minas
A capital nasceu no lugar do antigo Arraial de Curral del Rei, escolhido em 1893 pela Comissão Construtora liderada pelo engenheiro Aarão Reis. O projeto foi pensado para receber até 200 mil habitantes, com avenidas largas, traçado xadrez no centro e a Avenida do Contorno delimitando o perímetro original.
Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, a cidade foi inaugurada em 12 de dezembro de 1897 na Praça da Liberdade, sob o nome de Cidade de Minas. Em 1901, ganhou o nome atual em referência ao horizonte da Serra do Curral. Do antigo arraial resta apenas a Casa do Conde de Santa Marinha, hoje Museu Histórico Abílio Barreto.

O cotidiano em uma das maiores capitais do Sudeste
A cidade tem cerca de 2,5 milhões de habitantes e é o centro da terceira maior região metropolitana do Brasil, com mais de 6 milhões de pessoas. A economia gira em torno de serviços, indústria, mineração e tecnologia, com o San Pedro Valley reconhecido como um dos principais polos de startups do país.
O ritmo combina cosmopolitismo de capital com o jeito mineiro de receber. A rotina inclui pão de queijo nas padarias, cafezinhos em pé no balcão e a tradição do “boteco” como ponto de encontro social. Belo Horizonte tem o maior número de bares por habitante do Brasil, mais de 14 mil estabelecimentos cadastrados, e cerca de 50 festivais gastronômicos no calendário anual.

Por que a Pampulha virou Patrimônio Mundial da Humanidade?
Em 1940, o então prefeito Juscelino Kubitschek convocou o jovem arquiteto Oscar Niemeyer para projetar o Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Pampulha, com paisagismo de Roberto Burle Marx e painéis de Cândido Portinari. Foi a primeira grande encomenda da carreira de Niemeyer e a obra que firmou seu nome internacionalmente.
O complexo reúne a Igreja de São Francisco de Assis (1943), a Casa do Baile (1943), o Iate Tênis Clube (1942) e o atual Museu de Arte da Pampulha (antigo cassino, 1942). A Igreja só foi consagrada 17 anos depois da inauguração, porque o bispo local rejeitou o estilo modernista. Em 17 de julho de 2016, o conjunto foi declarado Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO.
O que visitar entre Pampulha, Circuito Liberdade e Mercado Central?
As atrações se distribuem entre o centro histórico, a Praça da Liberdade e o entorno da Lagoa da Pampulha. Três ou quatro dias dão para conhecer o essencial.
- Conjunto Arquitetônico da Pampulha: Patrimônio Mundial da UNESCO com a Igrejinha de Niemeyer, painéis de Portinari, Casa do Baile, Museu de Arte e a Casa Kubitschek com telhado em “asa de borboleta”.
- Praça da Liberdade e Circuito Liberdade: 15 instituições culturais em prédios históricos, incluindo o Memorial Minas Gerais Vale, CCBB, MM Gerdau Museu das Minas e do Metal e o icônico Edifício Niemeyer de 1955.
- Mercado Central: mais de 400 lojas em 12 mil m², recebe cerca de 15 mil pessoas por dia para provar queijos artesanais, doces, cachaças e a famosa cerveja com torresmo.
- Mirante do Mangabeiras: a 1.200 metros de altitude, oferece uma das vistas mais belas da capital, ideal no entardecer.
- Parque das Mangabeiras: maior parque urbano da América Latina em área verde, com 2,3 milhões de m² na Serra do Curral.
- Praça do Papa: gramado com vista panorâmica da cidade, palco da histórica visita do Papa João Paulo II em 1980.
- Feira Hippie: ocupa a Avenida Afonso Pena aos domingos pela manhã, com mais de 3 mil expositores de artesanato e culinária.
- Mercado Novo: antigo shopping reinventado, hoje é o reduto da cena gastronômica contemporânea e cervejarias artesanais.
Quem deseja planejar um roteiro completo em Belo Horizonte, descobrindo seus parques, centros culturais, gastronomia e atrações nos arredores, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 74 mil visualizações, onde apresentam 16 lugares imperdíveis como o complexo da Pampulha, o Circuito Liberdade e dicas de bares e restaurantes:
A gastronomia mineira de boteco
A cozinha mineira é Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, com pratos preparados em fogão a lenha e ingredientes da roça. Os botecos da Savassi, Lourdes e Santa Tereza são parada obrigatória.
- Feijão tropeiro: feijão com farinha de mandioca, linguiça, torresmo e ovos, prato símbolo da mesa mineira.
- Queijo Minas artesanal: produzido em fazendas desde o século XVIII, declarado Patrimônio Cultural Imaterial pelo Iphan.
- Pão de queijo: receita mineira que virou referência nacional, com queijo curado e polvilho azedo.
- Torresmo e tira-gosto de boteco: cardápio clássico dos festivais “Comida di Buteco” e dos bares tradicionais.
Como é o clima ao longo do ano na capital mineira?
O clima tropical de altitude tem duas estações bem definidas. O verão é quente e chuvoso, com tempestades de fim de tarde. O inverno tem dias secos, temperaturas amenas e baixa umidade do ar.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à capital mineira
O Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, fica a 40 km do centro e recebe voos de todo o país. Por estrada, a cidade fica a 586 km de São Paulo pela BR-381 (Fernão Dias), 434 km do Rio de Janeiro pela BR-040 e 740 km de Brasília pela mesma BR-040. O Aeroporto da Pampulha, dentro da cidade, opera voos regionais. Inhotim, considerado um dos maiores museus de arte contemporânea do mundo a céu aberto, fica a 60 km da capital em Brumadinho.
Conheça a capital onde as primeiras curvas de Niemeyer encontraram a comida de fogão a lenha
Poucas capitais brasileiras conseguem reunir título inédito de primeira cidade planejada do Brasil moderno, conjunto arquitetônico tombado pela UNESCO e a maior cena de botecos do país em um só território. A capital mineira entrega tudo isso entre as montanhas da Serra do Curral.
Você precisa sentar em um boteco da Savassi depois de visitar a Pampulha e entender por que os mineiros têm tanto orgulho da capital.

