A 231 km de Goiânia, no sudoeste goiano, Rio Verde reúne títulos econômicos raros no Brasil. Fundada em 5 de agosto de 1848, a cidade é a 1ª produtora de proteína animal do país, a 2ª maior produtora de grãos e o 5º município mais rico do agronegócio brasileiro, com PIB de R$ 16,3 bilhões e cerca de 250 mil habitantes.
Do Arraial das Dores ao polo agroindustrial do Centro-Oeste
A ocupação do sudoeste goiano começou no início do século XIX com a Lei 11, que dava isenção de impostos por 10 anos para criadores de gado. Em 1840, José Rodrigues de Mendonça e sua esposa Florentina Cláudia de São Bernardo chegaram à região e se estabeleceram na Fazenda São Tomaz. Em 25 de agosto de 1846, o casal doou sete sesmarias para a construção de uma capela em louvor a Nossa Senhora das Dores.
Segundo a Câmara Municipal de Rio Verde, o povoado virou distrito pela Lei Provincial de 5 de agosto de 1848, foi elevado a vila em 6 de novembro de 1854 e ganhou o nome atual em referência ao rio cujas águas esverdeadas cortam a cidade. As abóboras eram tão abundantes que o município quase se chamou Rio Verde das Abóboras, e até hoje a fruta enfeita as ruas durante as festas juninas.

O cotidiano em uma das cidades com maior PIB do interior do Brasil
A cidade tem 8.379 km² de área e 250 mil habitantes, com Índice de Progresso Social de 63,57, que a posiciona em 19º lugar entre as melhores cidades para se viver em Goiás. A economia diversificada combina agronegócio (com a cooperativa Comigo), agroindústria, comércio e serviços. O Distrito Agroindustrial atraiu grandes empresas dos setores alimentício, farmacêutico e de biocombustíveis.
O município foi pioneiro em duas frentes históricas. Foi a primeira cidade de Goiás a receber água encanada e a primeira do Brasil a receber sinal de televisão 100% digital. Em 2009, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) classificou Rio Verde como o município mais rico em produção agropecuária do Brasil. A presença educacional inclui o Instituto Federal Goiano e várias universidades regionais.

Por que essa cidade goiana virou potência do agronegócio nacional?
O salto começou nos anos 1970 com a abertura do Cerrado à agricultura e a chegada das estradas pavimentadas que ligaram a cidade a Goiânia e Itumbiara. Vieram produtores do Sul e Sudeste, além de uma colônia de agricultores americanos, que trouxeram tecnologias e maquinários inéditos para a região.
Hoje, segundo o Portal da Alego, a cidade é referência na produção de arroz, soja, milho, algodão, sorgo, feijão e girassol, com destaque crescente para a cultura do tomate. A Tecnoshow Comigo, organizada pela segunda maior cooperativa do Brasil, é uma das maiores feiras de tecnologia agropecuária do país e atrai milhares de visitantes.
O que visitar entre cachoeiras, parques e centro histórico?
As atrações se distribuem entre o centro urbano, os distritos rurais e os arredores. Dois a três dias dão para conhecer com calma.
- Cachoeiras do Distrito de Ouroana: conjunto de quedas d’água em meio ao Cerrado preservado, ideal para banho e prática de esportes de aventura.
- Cachoeiras de Água Limpa Fama e São Tomás: refúgios naturais em propriedades rurais com piscinas naturais e trilhas de média dificuldade.
- Lago dos Buritis: cartão-postal urbano com área de caminhada, restaurantes e contemplação ao entardecer.
- Parque Ecológico: área verde no perímetro urbano com pistas de caminhada e estrutura de lazer para famílias.
- Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores: construção iniciada em 1907, ganhou as torres com sinos quatro décadas depois, atualmente com sinos digitais.
- Igreja de São Sebastião: patrimônio histórico tombado, símbolo religioso do início do povoado.
- Cristo Redentor: estátua de braços abertos sobre a cidade, ponto de visitação com vista panorâmica.
- Silvestre Park: maior parque aquático do Sudoeste Goiano, com mais de 15 atrações, hospedagem e área temática infantil.
Quem deseja conhecer três pontos de interesse em Rio Verde, Goiás, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Horrana Ribeiro, que conta com mais de 26 mil visualizações, onde a apresentadora mostra um roteiro de um dia visitando uma exposição de carros antigos, um restaurante de comida caseira e o calçadão do centro da cidade:
A gastronomia goiana raiz com toque do agronegócio
A culinária local mistura tradição goiana com a fartura típica de uma cidade do agronegócio. Os restaurantes e bares ficam concentrados na Praça dos Coqueiros.
- Galinhada com pequi: prato símbolo do Centro-Oeste, com frango, arroz e a fruta nativa do Cerrado, presença obrigatória nos cardápios.
- Pamonha: doce ou salgada, com queijo ou linguiça, herança da tradição goiana de aproveitar o milho da safra.
- Empadão goiano: massa amarela recheada com frango, linguiça, queijo, azeitona e ovos, presença em restaurantes regionais.
- Carnes assadas de churrasco: a força da pecuária local se reflete nos cortes nobres e nas costelas no fogo de chão.
Como é o clima ao longo do ano no sudoeste goiano?
O clima tropical seco tem duas estações bem definidas. A seca, de maio a setembro, traz dias ensolarados e baixa umidade. A chuvosa, de outubro a abril, marca tempestades de fim de tarde típicas do Cerrado.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao polo do agronegócio goiano
A cidade fica a 231 km de Goiânia pela BR-060, cerca de 3 horas, e a 430 km de Brasília. O Aeroporto Municipal General Leite de Castro opera voos regulares das companhias Gol e Azul. Por estrada, a cidade tem acesso direto pela BR-060 e BR-452, com ônibus de longa distância vindos de Goiânia, Brasília, Cuiabá e Uberlândia. O Distrito Agroindustrial recebe carga ferroviária pelo ramal da Ferrovia Centro-Atlântica.
Conheça a cidade goiana que alimenta o Brasil
Poucos municípios brasileiros conseguem reunir liderança em proteína animal no país, qualidade de vida superior à média do interior e história centenária preservada em um só território. O sudoeste goiano entrega tudo isso entre o Cerrado e o agronegócio mais avançado da América Latina.
Você precisa visitar as cachoeiras de Ouroana e provar uma galinhada com pequi para entender por que essa cidade virou referência em desenvolvimento no Centro-Oeste.

