No noroeste do Rio Grande do Sul, a 395 km de Porto Alegre, Ijuí nasceu de um experimento incomum. Enquanto a maioria das colônias gaúchas reunia uma ou duas etnias, ela foi pensada para abrigar imigrantes de várias origens ao mesmo tempo. Mais de um século depois, essa mistura virou a marca registrada e o maior orgulho da cidade.
Por que Ijuí é a Capital Nacional das Etnias?
O título é oficial e reconhece a diversidade que formou a cidade. A Lei nº 14.280, sancionada em dezembro de 2021, conferiu a Ijuí o título de Capital Nacional das Etnias, conforme registro da Agência Senado.
A origem dessa diversidade está na colonização. Fundada em 1890 como colônia, Ijuí foi concebida como núcleo misto, recebendo alemães, italianos, poloneses, portugueses e outros povos, além de afro-brasileiros e indígenas que já habitavam a região. Essa convivência deu à cidade uma identidade plural rara no estado.
O guardião dessa herança é o movimento étnico local. A União das Etnias de Ijuí (UETI), criada em 1994, reúne hoje mais de 30 grupos culturais e cerca de 5 mil integrantes voluntários, segundo a Secretaria da Cultura do Rio Grande do Sul.

O que significa Ijuí e como a cidade foi formada
O nome vem do guarani e remete às águas da região. “Ijuhy”, grafia antiga, significa “Rio das Águas Claras” ou “Rio das Águas Divinas”, conforme a prefeitura municipal. A cidade fica no vale do Rio Ijuí, numa das últimas áreas do estado a serem colonizadas.
O grande impulso veio a partir de 1899, quando o governo passou a incentivar a vinda de colonos com experiência agrícola, muitos deles de colônias mais antigas do Rio Grande do Sul, sob coordenação do diretor Augusto Pestana. A emancipação política do município de Cruz Alta ocorreu em 31 de janeiro de 1912.
Hoje Ijuí tem cerca de 87,8 mil habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2025, e é o principal centro da região Noroeste do estado.

O que fazer em Ijuí e quando visitar
O turismo em Ijuí gira em torno da cultura e dos grandes eventos. A cidade tem clima subtropical, com as quatro estações bem definidas e invernos frios, o que torna o fim do ano e o verão os períodos mais agradáveis para passear ao ar livre e acompanhar as festas. Vale conhecer:
- Festa Nacional das Culturas Diversificadas (Fenadi): maior evento da cidade, reúne a gastronomia, a dança e as tradições dos grupos étnicos num só lugar.
- Expoijuí: uma das maiores feiras de negócios do interior gaúcho, realizada junto à Fenadi.
- Casas Étnicas da UETI: espaços que preservam a memória de cada povo, abertos durante a programação cultural.
- Universidade Regional do Noroeste (Unijuí): referência acadêmica que ajudou a transformar Ijuí em cidade universitária, fora do roteiro óbvio de turismo.
Quem deseja planejar a viagem perfeita para a famosa “Terra das Culturas Diversificadas” no noroeste gaúcho, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal ANDER PELO MUNDO, que conta com mais de 3 mil visualizações.
No conteúdo, o canal ANDER PELO MUNDO mostra um roteiro completo com a Praia da República, a Avenida das Nações, o Estádio do São Luiz de Ijuí, o Parque da Expofest (Parque de Eventos), o Parque da Pedreira e dicas imperdíveis do que fazer em Ijuí, Rio Grande do Sul.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como é a qualidade de vida em Ijuí?
Os indicadores apontam uma cidade pequena com estrutura de centro regional. O índice de desenvolvimento humano municipal é de 0,781, considerado alto, e a escolarização entre 6 e 14 anos chega a 99,4%, segundo o IBGE.
A mortalidade infantil registrada em 2023 foi de 2,85 óbitos por mil nascidos vivos, número baixo para os padrões nacionais, conforme o mesmo instituto. A presença da universidade e de uma rede hospitalar relevante faz Ijuí atrair moradores e visitantes de toda a região Noroeste, somando um fluxo bem maior que sua população fixa.
Vá conhecer a cidade das muitas origens
Ijuí transformou a mistura de povos em motivo de festa e identidade. Poucos lugares do Brasil celebram a diversidade de forma tão organizada e tão presente no dia a dia. Você precisa visitar Ijuí em época de Fenadi para entender como dezenas de culturas cabem, com orgulho, numa só cidade.

