As tendas brancas dos garimpeiros, vistas do alto, pareciam lençóis estendidos pelo vale. Foi assim que nasceu o nome de Lençóis, no coração da Chapada Diamantina, uma vila que enriqueceu com o diamante no século XIX e hoje é o principal ponto de partida para as trilhas, cachoeiras e grutas do interior da Bahia.
Da febre do diamante ao casario tombado
Lençóis foi, na segunda metade do século XIX, uma das maiores produtoras mundiais de diamante, e essa riqueza moldou a cidade que se vê hoje. O comércio das pedras era tão intenso que a França chegou a instalar um vice-consulado na vila para facilitar a exportação rumo a Paris.
Quando o garimpo declinou, ficou o conjunto de casarões coloridos, ruas de pedra e igrejas do auge diamantífero. Esse acervo de cerca de 570 imóveis é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1973, conforme o IPHAN. Caminhar pelo centro é percorrer a memória das antigas Lavras Diamantinas.

O que fazer no Centro Histórico de Lençóis?
O Centro Histórico se explora a pé, entre casas coloridas e trilhas curtas que partem da própria vila. É a base ideal para começar a viagem antes de seguir para os atrativos mais distantes:
- Casario colonial: ruas de pedra e sobrados do século XIX, com pousadas, cafés e ateliês instalados nas antigas casas de garimpeiros.
- Mercado Cultural: um dos prédios tombados da cidade, ponto de encontro e de artesanato local.
- Ribeirão do Meio: a cerca de 3 km do centro, tem um tobogã natural de pedra que termina num poço de água cristalina.
- Serrano e Parque da Muritiba: trilha que sai da vila e leva a piscinas naturais esculpidas na rocha pelo rio.

Cachoeiras e grutas a partir da porta de entrada
Lençóis é a principal porta de entrada do Parque Nacional da Chapada Diamantina, criado em 1985 e administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com 152 mil hectares na Serra do Sincorá. A partir da cidade saem os passeios para os cartões-postais da região, alguns deles em municípios vizinhos:
- Morro do Pai Inácio: mirante mais famoso da Chapada, com vista de 360 graus, ponto clássico do pôr do sol.
- Cachoeira do Mosquito: queda cercada de mata, com poço para banho, uma das mais bonitas dos arredores.
- Gruta da Lapa Doce: caverna de quartzito com salões imensos, percorrida em trilha guiada.
- Gruta da Pratinha e Gruta Azul: águas transparentes que ganham tons de azul intenso com a luz do sol.
O acesso à maioria desses pontos exige carro ou passeio com guia, já que ficam entre 20 km e 70 km do centro, alguns sob gestão do IPHAN, como o conjunto paisagístico do Morro do Pai Inácio.
Quem busca cachoeiras, rios e vistas espetaculares sem abrir mão do conforto urbano, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Lucas da Chapada, que conta com mais de 5.100 visualizações, onde Lucas da Chapada mostra as atrações naturais e a infraestrutura de Lençóis na Chapada Diamantina:
Quando ir a Lençóis?
A cidade pode ser visitada o ano inteiro, mas a estação muda a experiência. No verão, as chuvas enchem os rios e as cachoeiras ganham força; no inverno seco, o clima firme favorece as trilhas longas e os mirantes. Veja como cada estação se comporta:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Lençóis?
A forma mais rápida é de avião, já que a cidade tem o Aeroporto Horácio de Mattos, que recebe voos a partir de Salvador. O trajeto aéreo encurta a viagem para pouco mais de uma hora.
Por terra, o acesso se dá pela rodovia BA-242, em viagem de cerca de seis horas desde a capital baiana. Há também ônibus diários saindo de Salvador. Dentro da cidade, o centro se percorre a pé, e os atrativos do parque exigem carro ou transporte contratado.
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Vale desbravar a Chapada
Lençóis reúne num só lugar a memória do ciclo do diamante, um casario tombado e o acesso direto a algumas das paisagens mais impressionantes do Brasil. Poucos destinos misturam história e natureza com tanta intensidade.
Você precisa dormir no casario colorido de Lençóis e acordar cedo para ver o sol nascer sobre a Serra do Sincorá.

