No leste do Tocantins, a cerca de 180 km da capital Palmas, a água brota do chão com tanta força que ninguém consegue submergir. O Jalapão reúne dunas alaranjadas, cachoeiras e nascentes cristalinas em pleno Cerrado, num cenário que parece de outro planeta. Conheça o paraíso que virou febre entre aventureiros.
O que são os fervedouros que não deixam ninguém afundar?
São nascentes subterrâneas onde a água jorra do fundo arenoso com tanta pressão que empurra o corpo para a superfície. O fenômeno se chama ressurgência, e impede que o banhista afunde.
A sensação é de flutuar sem esforço numa piscina natural de água transparente, cercada por buritis. Os fervedouros são raros e aparecem em concentração na região, o que tornou o Jalapão conhecido como o deserto de águas. Cada poço tem uma característica própria, da profundidade ao volume que brota da areia.

O ouro do cerrado que vira joia nas mãos das artesãs
Nas veredas do Jalapão brota uma planta de hastes finas que ganham brilho metálico ao secar: o capim dourado. Ele só nasce ali e virou símbolo da região.
O artesanato é tradição da comunidade quilombola da Mumbuca, perto de Mateiros, fundada por descendentes de pessoas escravizadas vindas do sertão baiano. A técnica de costurar o capim com a seda do buriti foi aprendida com os indígenas Xerente. A colheita é controlada e só pode ocorrer entre 20 de setembro e 20 de novembro, por determinação do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), para garantir a renovação da planta.

Quais reconhecimentos o Jalapão já conquistou?
A fama do capim dourado rendeu proteção oficial. Em 2011, a Região do Jalapão recebeu o registro de Indicação Geográfica do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), na modalidade Indicação de Procedência, para o artesanato em capim dourado.
O selo garante o uso do nome do Jalapão apenas às comunidades locais e protege o produto da concorrência de outras regiões, conforme registrou também o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A delimitação abrange oito municípios, entre eles Mateiros, São Félix do Tocantins e Ponte Alta do Tocantins. O território é protegido por unidades de conservação como o Parque Estadual do Jalapão, criado em 2001 e gerido pelo Naturatins.
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O que fazer no Jalapão entre dunas e cachoeiras?
O roteiro mistura aventura, contemplação e cultura, sempre com deslocamentos longos por estradas de terra. Entre as principais atrações, destacam-se:
- Dunas do Jalapão: montanhas de areia alaranjada formadas pela erosão das serras, perfeitas para assistir ao pôr do sol.
- Fervedouro Bela Vista: um dos mais famosos da região, com água cristalina onde se boia sem afundar.
- Cachoeira da Velha: queda larga no rio Novo, com grande volume de água e prática de rafting.
- Cachoeira do Formiga: poço de água esverdeada e transparente cercado de vegetação, ideal para banho.
- Comunidade Mumbuca: visita ao quilombo para conhecer a produção do capim dourado direto com as artesãs.
A cozinha local é rústica e acompanha o ritmo da vida no cerrado. Vale provar:
- Doces de buriti: a palmeira onipresente na região rende doces, cremes e licores de sabor marcante.
- Paçoca de carne de sol: carne socada no pilão com farinha, o combustível dos aventureiros, servida com arroz e feijão.
- Galinha caipira: preparada no fogão a lenha, prato comum nas pousadas e casas de Mateiros.
Quem deseja explorar um dos destinos mais impressionantes do Brasil e curtir fervedouros de águas cristalinas, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 822 mil visualizações, onde os apresentadores mostram um guia completo com roteiro de 5 dias pelo Jalapão:
Qual a melhor época para visitar o Jalapão?
A estação seca, de maio a setembro, é a janela ideal, quando as estradas de areia ficam firmes e os fervedouros mais cristalinos. A tabela a seguir resume o clima ao longo do ano:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao coração do Tocantins
O acesso mais comum parte de Palmas, que tem aeroporto, em direção a Ponte Alta do Tocantins ou Mateiros, principais portas de entrada da região. São cerca de 180 a 300 km, boa parte em estradas de terra e areia.
O trajeto exige veículo 4×4 e, na maioria dos casos, guia ou agência local. Por causa das longas distâncias e da ausência de sinalização, viajar com transfer ou expedição organizada é a forma mais segura de conhecer os atrativos.
Vá sentir o Jalapão
O Jalapão reúne fervedouros que desafiam a gravidade, dunas douradas e uma cultura quilombola que transforma capim em joia. É um dos últimos cenários quase intocados do Brasil, feito para quem topa trocar o conforto pela aventura.
Você precisa conhecer o Jalapão e boiar num fervedouro pelo menos uma vez para entender por que esse pedaço do cerrado encanta o mundo.

