Entre as montanhas da Serra da Mantiqueira, no sul de Minas Gerais, Caxambu guarda um patrimônio raro. Em uma única área urbana, doze fontes de água mineral com composições químicas diferentes entre si brotam do solo, ao lado de um gêiser de água fria que jorra sozinho, sem calor vulcânico. A cidade de pouco mais de 21 mil habitantes transformou esse fenômeno geológico em economia, turismo e identidade, atraindo visitantes de todo o Brasil.
Por que Caxambu reúne 12 fontes diferentes em um só lugar?
O fenômeno tem explicação geológica e está concentrado no Parque das Águas Lysandro Carneiro Guimarães, com 210.000 m² no centro da cidade. Segundo a Câmara Municipal de Caxambu, a cidade é considerada o maior complexo hidromineral do planeta, com 12 fontes de águas minerais naturais e medicinais, cada uma com propriedades químicas distintas. Há ainda um gêiser raro, que jorra sem calor vulcânico, movido pela pressão natural do gás carbônico dissolvido na água.
A fama atravessou o século 19. Em 1868, a princesa Isabel e o Conde d’Eu chegaram a Caxambu em busca da cura para a suposta infertilidade da herdeira do trono, atribuída a uma anemia profunda. Eles ficaram um mês na cidade. Conforme registra a Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais (SETUR-MG), a fama dos poderes curativos das águas se espalhou tão rápido que a visita imperial selou o destino da cidade.
A princesa fez uma promessa: se engravidasse, mandaria construir uma igreja dedicada a Santa Isabel da Hungria. Lançou a pedra fundamental em 22 de novembro de 1868, no alto da colina onde já existia um cruzeiro. Voltou ao Rio de Janeiro, curou-se da anemia com as águas ferruginosas e teve quatro filhos. A Igreja de Santa Isabel da Hungria, em estilo neogótico, foi consagrada em 1897, quando a família imperial já estava no exílio, e hoje é tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA).

Vale a pena viver na cidade das águas?
Caxambu combina o ritmo de cidade pequena com infraestrutura turística raras vezes vista em municípios de 21 mil habitantes. A vocação hidromineral atrai movimento o ano inteiro, com hotéis, restaurantes e comércio voltados ao bem-estar e à saúde. O Parque das Águas é frequentado por moradores no dia a dia, que tomam o café da manhã ao lado das fontes ou caminham pelo entorno arborizado.
O clima ameno da Mantiqueira, com noites frias e dias secos no inverno, é um dos atrativos para aposentados e profissionais que buscam um endereço tranquilo perto de grandes centros. A 376 km de Belo Horizonte, 290 km do Rio de Janeiro e 340 km de São Paulo, a cidade atrai compradores de imóveis em busca de segundo lar.
O município tem comércio movido pelo turismo, com lojas de doces, queijos e artesanato em rua larga e arborizada. A cidade conserva o ar de estância imperial, com mansões do ciclo do café e prédios em estilo neoclássico, e tem rotina pacata, ideal para quem quer fugir do barulho urbano sem abrir mão de conforto.

O que fazer em Caxambu entre fontes, balneário e mirantes?
A cidade reúne atrações concentradas em um centro caminhável e arredores naturais. Entre os principais pontos, destacam-se:
- Parque das Águas Lysandro Carneiro Guimarães: o coração da cidade, com as 12 fontes minerais, o gêiser e jardins centenários, tombado pelo IEPHA.
- Balneário Hidroterápico: construção do início do século 20 em estilo neoclássico, com vitrais franceses e pisos importados, oferece banhos de imersão em água mineral, piscinas e saunas.
- Igreja de Santa Isabel da Hungria: o templo neogótico erguido pela promessa da princesa Isabel, com acesso por uma escadaria de 126 degraus.
- Teleférico de Caxambu: leva ao Morro do Caxambu, com vista panorâmica do vale e das montanhas da Mantiqueira.
- Igreja Nhá Chica, em Baependi: a 10 km de distância, abriga o santuário da primeira santa mineira beatificada pela Igreja Católica.
- Cachoeira do Juju: queda de água nos arredores, acesso por trilha leve, opção para banhos em dias quentes.
A culinária local mistura tradição mineira com o ritmo de cidade turística. Entre os pratos que valem a parada, destacam-se:
- Pão de queijo e biscoitos de polvilho: feitos em padarias e cafeterias do centro, acompanham bem o café mineiro.
- Doces caseiros e compotas: leite, figo, abóbora e goiabada vendidos em lojas tradicionais que abastecem visitantes há gerações.
- Queijos da Mantiqueira: produção artesanal das fazendas vizinhas, com selo de origem reconhecido pelo estado.
- Truta na brasa: peixe criado nas águas frias da serra, servido em restaurantes regionais com legumes da roça.
Quem planeja explorar estâncias hidrominerais e quer descobrir as atrações do circuito das águas mineiras, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 131 mil visualizações, onde Tati Marmon mostra um roteiro pelas fontes terapêuticas e belezas de Caxambu – MG:
Quando o clima favorece a visita a Caxambu?
O município tem clima tropical de altitude, com verões chuvosos e invernos secos e frios para os padrões mineiros. A tabela a seguir resume as estações:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O inverno costuma ser a alta temporada, com céu seco, noites geladas e a temporada de festivais gastronômicos. Quem prefere paisagens verdes e cachoeiras cheias deve apostar no início do verão, quando as chuvas voltam e o entorno serrano fica mais úmido.
Como chegar à estância das águas curativas?
O acesso mais comum parte de São Paulo, a 340 km pela Rodovia Presidente Dutra e pela BR-354, com cerca de 5 horas de viagem. Quem sai do Rio de Janeiro percorre 290 km pelo mesmo eixo. De Belo Horizonte, são 376 km pela BR-040 e BR-267, em torno de 6 horas. Há linhas rodoviárias regulares ligando Caxambu às três capitais, e o aeroporto mais próximo é o de Pouso Alegre, a cerca de 80 km.
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Conheça a cidade que virou nome no Brasil imperial
Poucos lugares no Brasil conseguem unir geologia rara, história imperial e o silêncio das montanhas em um centro tão pequeno. Caxambu é a cidade onde uma princesa veio buscar cura, doze fontes nasceram lado a lado e o gás carbônico ainda joga água para o alto sem aviso.
Você precisa subir a Mantiqueira e conhecer Caxambu, a estância onde o tempo desacelera e as águas contam histórias que atravessaram dois séculos.

