A 354 km da costa de Pernambuco, Fernando de Noronha guarda a praia mais premiada do planeta, golfinhos que aparecem todo amanhecer e uma história que começou em 1503, antes mesmo das capitanias hereditárias do Brasil. Durante quase três séculos, o paraíso vulcânico no meio do Atlântico foi um presídio temido. Hoje, é Patrimônio Natural da Humanidade e limita o número de visitantes diários para preservar cada centímetro do ecossistema.
Como a ilha presídio virou Patrimônio Natural da Humanidade
O arquipélago foi descrito pela primeira vez em 10 de agosto de 1503 pela expedição de Américo Vespúcio, financiada pelo fidalgo português Fernão de Loronha, que acabou batizando o lugar. A partir de 1737, Portugal fixou presença definitiva e construiu dez fortificações, incluindo o Forte de Nossa Senhora dos Remédios, e a ilha virou destino de presos políticos, segundo a Administração de Fernando de Noronha.
Por mais de 200 anos, o arquipélago recebeu desde ciganos e farroupilhas até envolvidos na Revolução Pernambucana e na Confederação do Equador. Em 1942, o presídio deu lugar a uma base militar da Segunda Guerra Mundial. Em 1988, a maior parte da ilha virou Parque Nacional Marinho, e em 13 de dezembro de 2001 a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) reconheceu o conjunto formado por Noronha e o Atol das Rocas como Patrimônio Natural da Humanidade. Em 2017, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) também tombou o conjunto histórico do arquipélago como Patrimônio Cultural do Brasil.

Reconhecimento internacional que fez Noronha virar destino disputado
A Baía do Sancho, dentro do Parque Nacional Marinho, foi eleita sete vezes a melhor praia do mundo pelo prêmio Travellers Choice Best of the Best, conforme a página oficial da praia no TripAdvisor, que reúne mais de 8.800 avaliações cinco estrelas e mantém o selo Best of the Best entre o 1% das atrações mais bem avaliadas do mundo. As vitórias se acumularam em sete edições do prêmio, deixando para trás destinos do Caribe, das Maldivas e do Havaí.
O reconhecimento se soma a outros prêmios consolidados pelo Ministério do Turismo, como o de Melhor Destino de Praia do Brasil pela revista Viagem e Turismo. Em 2026, o arquipélago levou ainda dois primeiros lugares no prêmio O Melhor do Turismo Brasileiro, do Estadão, nas categorias Destino Top of Mind e Praia do Nordeste, segundo a Administração da ilha. O acesso, no entanto, é regulado: apenas cerca de 500 turistas podem desembarcar por dia, segundo o sistema de controle ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O que fazer em Fernando de Noronha além da Baía do Sancho
O Parque Nacional Marinho ocupa 70% do arquipélago, e quase tudo de mais bonito está dentro dele. O ingresso é válido por 10 dias, custa um valor diferenciado para brasileiros e estrangeiros e dá acesso às principais praias. Entre os atrativos cadastrados pela Administração, destacam-se:
- Baía do Sancho: chega-se por escadaria metálica encravada em uma fenda de falésia. Águas com visibilidade que ultrapassa 40 metros.
- Baía dos Golfinhos: mirante onde golfinhos-rotadores aparecem diariamente ao amanhecer. A entrada na água é proibida para preservar a espécie.
- Praia do Leão: principal área de desova de tartarugas marinhas no arquipélago entre dezembro e junho.
- Praia do Sueste: ponto de snorkel onde é possível nadar ao lado de tartarugas em águas rasas.
- Forte de Nossa Senhora dos Remédios: parte do maior sistema fortificado do século XVIII no Brasil, com vista panorâmica do mar.
- Mirante do Boldró: ponto clássico para ver o pôr do sol com vista para os Morros Dois Irmãos.
Na gastronomia, a cozinha noronhense mistura peixe fresco, frutos do mar e o tradicional sabor pernambucano:
- Peixe na folha de bananeira: prato típico assado em fogo lento, geralmente com pargo ou cioba pescados ali mesmo.
- Moqueca de banana-da-terra: versão noronhense da moqueca, com a fruta substituindo parte do peixe.
- Bolinho de farinha de mandioca com tapioca: acompanha frituras e drinques nos quiosques de praia.
- Caipirinha de fruta-pão: drinque autoral feito com a fruta abundante na ilha, servido nos bares do Porto e da Vila dos Remédios.
Quem planeja desbravar um dos destinos mais paradisíacos do Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vou Levar Na Viagem, que conta com mais de 144 mil visualizações, onde os apresentadores mostram as melhores praias, taxas, passeios e preços em um roteiro completo de 5 dias por Fernando de Noronha:
Quando o clima de Fernando de Noronha favorece cada tipo de passeio
O arquipélago tem clima tropical oceânico, com temperaturas estáveis entre 25°C e 31°C o ano inteiro e duas estações bem definidas: seca de agosto a janeiro, chuvosa de fevereiro a julho. A tabela a seguir resume o comportamento ao longo do ano:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
De agosto a novembro, o mar fica espelho e a visibilidade ultrapassa 40 metros, condição rara que faz da ilha um dos melhores destinos de mergulho do Atlântico Sul. Já entre dezembro e março, a praia da Cacimba do Padre vira o cenário das ondas que dão fama ao surfe noronhense, com etapas do circuito brasileiro acontecendo no período.
Como chegar à ilha que limita 500 visitantes por dia
Não existe transporte marítimo regular de passageiros para Fernando de Noronha. O acesso é exclusivamente aéreo, com voos diários partindo do Aeroporto Internacional do Recife (REC) e do Aeroporto de Natal (NAT), no Rio Grande do Norte. O voo leva cerca de uma hora e quarenta minutos a partir do Recife e cerca de uma hora a partir de Natal.
Ao desembarcar, o visitante paga a Taxa de Preservação Ambiental (TPA), cobrada por dia de permanência, e adquire o ingresso do Parque Nacional Marinho online ou nos postos do ICMBio na ilha. Os dois bilhetes são separados e ambos são obrigatórios para circular pelas principais praias do arquipélago.

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Vá conhecer o paraíso que o Brasil aprendeu a preservar
Fernando de Noronha é a soma improvável de uma história dura e uma natureza que sobreviveu intacta. Os mesmos séculos que mantiveram a ilha longe dos olhos do mundo preservaram um ecossistema marinho que hoje atrai mergulhadores, biólogos e viajantes de dezenas de países.
Você precisa visitar Fernando de Noronha e descobrir como o presídio que ninguém queria virou o destino brasileiro mais cobiçado do planeta.

