No trecho mais visitado da Costa Verde, duas cidades dividem fronteira e oferecem cenários radicalmente diferentes em pouco mais de uma hora de estrada. Paraty, no sul do Rio de Janeiro, abriga ruas de pedra do século XVII e alambiques que produzem cachaça desde os tempos coloniais. Ubatuba, no litoral norte paulista, soma 102 praias e o título de Capital do Surfe do estado.
O que torna a região tão singular no litoral brasileiro?
A combinação de Serra do Mar avançando até o oceano e centros históricos vivos transforma esse pedaço de litoral em um corredor único. A rodovia Rio-Santos costura as duas cidades em meio à Mata Atlântica preservada e abre caminho para enseadas, ilhas e cachoeiras.
Paraty conquistou em 2019 o reconhecimento mais raro do país. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a cidade tornou-se o primeiro sítio misto da América Latina a unir cultura viva e ambiente natural na lista da UNESCO, com área núcleo de quase 149 mil hectares. Já Ubatuba é reconhecida por lei estadual como Capital do Surfe do Estado de São Paulo, com 102 praias catalogadas pela Secretaria Municipal de Turismo de Ubatuba.

Quais reconhecimentos internacionais a rota carrega?
Paraty acumula dois títulos da UNESCO em frentes diferentes. Em 2017, recebeu o selo de Cidade Criativa da Gastronomia, valorizando a culinária caiçara e a produção centenária de cachaça. Em 2019, conquistou o status de Patrimônio Mundial Misto, único no Brasil, abrangendo o centro histórico tombado e o Parque Nacional da Serra da Bocaina.
Ubatuba, por sua vez, é referência nacional do surfe desde a chegada dos irmãos Paulo e Ricardo Issa em 1967. A cidade abriga etapas da World Surf League (WSL), com a próxima disputa do Qualifying Series prevista para Itamambuca entre abril e maio de 2026, e foi palco da formação de atletas como Filipe Toledo. A história da região guarda ainda um marco anterior: o Tratado de Iperoig, assinado em 1563 entre portugueses e tupinambás, considerado o primeiro tratado de paz das Américas.

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O que fazer entre as duas cidades?
O passeio combina o ritmo desacelerado de Paraty com a vibração esportiva de Ubatuba. Para aproveitar o melhor da rota, vale incluir os seguintes pontos:
- Centro Histórico de Paraty: ruas de pedras irregulares, casarões coloniais e igrejas do século XVIII, fechado para carros.
- Passeio de escuna pela Baía de Paraty: visita a praias e piscinas naturais acessíveis apenas por barco.
- Cachoeira do Tobogã: descida natural em pedra polida pela água, em Penha, distrito de Paraty.
- Praia de Itamambuca: principal palco do surfe ubatubense, com ondas que recebem etapas da WSL.
- Ilha Anchieta: parque estadual ubatubense com sete praias e ruínas do antigo presídio político.
- Aquário de Ubatuba: fundado em 1996, exibe tubarões, pinguins e cavalos-marinhos no centro da cidade.
- Projeto Tamar: base de Ubatuba dedicada à conservação das tartarugas marinhas, aberta à visitação.
A mesa local conta a história das duas cidades e mistura raízes caiçaras com técnicas modernas. Entre os pratos e produtos que vale provar, destacam-se:
- Camarão casadinho: especialidade paratiense feita com camarão fresco da baía servido na própria casca.
- Peixe na folha de bananeira: preparo tradicional caiçara presente nos restaurantes das duas cidades.
- Cachaça artesanal de Paraty: produzida em alambiques históricos desde o século XVI, com selo de indicação geográfica.
- Azul-marinho: peixe cozido com banana-verde, ícone da cozinha caiçara do litoral norte paulista.
- Doces de tabuleiro: rapaduras, cocadas e quindins vendidos por todo o centro histórico de Paraty.
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Quando visitar a Costa Verde paulista-fluminense?
O clima das duas cidades é tropical úmido, com verões chuvosos e invernos mais secos. Os meses entre maio e setembro costumam ser os mais estáveis para trilhas e centro histórico. A tabela a seguir resume as condições da região:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo para Paraty e Ubatuba. Condições podem variar.
Como chegar à rota e circular entre as cidades?
A capital paulista fica a cerca de 220 km de Ubatuba pela Rodovia dos Tamoios, seguida pela Rio-Santos. Quem parte do Rio de Janeiro chega primeiro a Paraty, a cerca de 240 km pela BR-101. As duas cidades são vizinhas e estão separadas por aproximadamente 75 km de rodovia litorânea, percurso que pode ser feito em pouco mais de uma hora em direção sentido SP-RJ ou vice-versa.
Atravesse a Costa Verde sem pressa
Poucos trechos do litoral brasileiro entregam tanta variedade num intervalo tão curto. Paraty e Ubatuba mostram como história colonial, gastronomia premiada e Mata Atlântica preservada cabem no mesmo roteiro.
Você precisa percorrer a Rio-Santos sem pressa e conhecer a Costa Verde, a faixa de mar e serra que costura dois estados em um dos cenários mais fotografados do Sudeste.

