Em Torres, no litoral norte do Rio Grande do Sul, três torres de pedra dão nome ao município e quebram a planície que domina toda a costa gaúcha. Reconhecida desde 2022 pelo Geoparque Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a cidade reúne paredões vulcânicos, praias para surfe, balões coloridos no céu e um sítio marinho único na América Latina.
Os paredões de 150 milhões de anos que dão nome ao destino
O contraste entre o oceano e a Serra Geral começou ainda no supercontinente Gondwana. Durante o Jurássico, areias do antigo deserto Botucatu cobriram a região, e mais tarde derrames vulcânicos da Formação Serra Geral se sobrepuseram à areia petrificada, conforme registra comunicado da Prefeitura de Torres.
Esse empilhamento de rochas deu origem aos três paredões que viraram cartão-postal: a Torre Norte (Morro do Farol), a Torre do Meio (Morro das Furnas) e a Torre Sul. Em 2022, o município passou a integrar o Geoparque Mundial UNESCO Caminhos dos Cânions do Sul, um território de sete cidades entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
O ponto mais especial fica no mar. A Ilha dos Lobos, refúgio de leões-marinhos a poucos quilômetros da costa, foi reconhecida como o primeiro Geossítio Marinho da América Latina. A área concentra ainda registros raros como os fulguritos, formações criadas quando um raio atinge a areia e a petrifica.

Vale a pena visitar a Capital Brasileira do Balonismo?
Sim. Torres é o único ponto do litoral do Rio Grande do Sul com morros de pedra à beira-mar, e a paisagem se transforma a cada mês. Entre as praias de areia branca, as rochas vulcânicas e a fauna migratória, o município entrega uma variedade rara em um destino de 40 mil habitantes.
O grande momento do calendário acontece no fim do outono. A 36ª edição do Festival Internacional de Balonismo está marcada para 30 de abril a 3 de maio de 2026, segundo anúncio da prefeitura. O evento é o maior da América Latina na modalidade e reúne pilotos de mais de seis países. Em 2025, a cidade recebeu cerca de 70 mil pessoas em um único dia de programação, conforme balanço oficial.
O reconhecimento internacional vai além do festival. A cidade integra também a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e abriga unidades de conservação como o Parque Estadual de Itapeva e o Refúgio de Vida Silvestre da Ilha dos Lobos, fatores que contribuíram para o selo do Geoparque.

O que fazer na Rainha das Praias?
O destino combina geologia rara, praias para todos os perfis e atrações em meio à natureza preservada. Entre os pontos mais procurados, destacam-se:
- Parque Estadual José Lutzenberger (Parque da Guarita): criado em 1971 com participação de Roberto Burle Marx e do ambientalista José Lutzenberger, concentra as três torres de pedra e a praia mais fotografada do município, segundo a Prefeitura de Torres.
- Praia Grande: faixa de areia com mais de 4 km, a mais movimentada do município, com dunas para sandboard e melhor estrutura de quiosques.
- Morro do Farol: mirante natural com vista para todas as praias e a Lagoa do Violão, ponto de saltos de voo livre e cenário do pôr do sol mais famoso.
- Ilha dos Lobos: avistamento de leões-marinhos em passeio de barco ou observação a partir do farol no centro.
- Praia da Itapeva: cenário tranquilo de mar calmo, dentro do Parque Estadual de Itapeva, com sítios arqueológicos preservados.
- Molhes do Rio Mampituba: na divisa com Santa Catarina, funcionam como passarela entre dois estados separados por poucos metros de água.
A culinária local mistura tradição gaúcha, pescados e o tempero de quem cresce no litoral. Entre os sabores típicos, vale conhecer:
- Tainha assada na telha: peixe abundante no inverno gaúcho, servido em restaurantes da orla com farofa e arroz branco.
- Camarão na moranga: clássico do litoral sul, com molho cremoso servido dentro da abóbora.
- Churrasco gaúcho: presença obrigatória em qualquer roteiro pela região, com cortes nobres e o tradicional chimarrão.
- Galeto ao primo canto: prato típico da serra que desceu ao litoral, com frango assado lentamente e polenta.
- Sequência de frutos do mar: combinados de peixes, lulas e mariscos servidos à beira do Rio Mampituba.
Quem quer explorar o litoral gaúcho com cenários impressionantes, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Nossas Historias, que conta com mais de 108 mil visualizações, onde mostram o Parque da Guarita e as belezas de Torres, Rio Grande do Sul:
Quando o clima de Torres favorece cada tipo de passeio?
O clima de Torres é subtropical, com verões quentes e chuvosos e invernos frios e secos. A localização ao nível do mar e a presença dos paredões de pedra criam ventos constantes, fator que sustenta o calendário do balonismo no fim do outono.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade dos paredões de pedra
O acesso mais comum parte da capital gaúcha. Porto Alegre fica a 197 km, distância vencida em cerca de 2h30 pela Estrada do Mar (RS-389) ou pela BR-101, com paisagem litorânea quase ininterrupta.
Quem vem de Florianópolis percorre 290 km também pela BR-101 e cruza a fronteira entre os estados no Rio Mampituba. O aeroporto mais próximo é o Salgado Filho, em Porto Alegre, e há linhas regulares de ônibus que ligam a rodoviária da capital ao centro do município várias vezes ao dia.
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Conheça o paraíso onde a rocha vulcânica encontra o mar
Torres reúne em poucos quilômetros de costa o que a maioria dos destinos brasileiros não consegue oferecer junto: geologia reconhecida pela UNESCO, fauna migratória visível da areia e o maior festival de balonismo da América Latina. É o tipo de paisagem que muda completamente conforme a estação.
Você precisa subir ao topo da Torre Sul e ver o Atlântico abrir-se entre paredões de pedra que existem desde antes dos dinossauros caminharem por aqui.

