O navegador português Gonçalo Coelho chegou à enseada em 6 de janeiro de 1502, Dia dos Reis Magos. A enorme baía recortada de ilhas rendeu o nome. Mais de cinco séculos depois, Angra dos Reis ainda surpreende: são 365 ilhas, mais de 2 mil praias de águas verde-esmeralda e uma Mata Atlântica que desce direto até o mar, tudo protegido pela Serra do Mar contra as ondas do oceano aberto.
Reconhecida pelo mundo: o primeiro título misto da UNESCO no Brasil
Em julho de 2019, o Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO reconheceu Paraty e Ilha Grande como Patrimônio Mundial da Humanidade na categoria de sítio misto, ou seja, reconhecido tanto pela cultura quanto pela natureza. Foi o primeiro do Brasil e da América Latina nessa categoria, um feito que coloca Angra dos Reis ao lado de Machu Picchu. A área protegida abrange quase 149 mil hectares de Mata Atlântica preservada, dois territórios indígenas, dois quilombolas e 28 comunidades caiçaras.

A Praia de Lopes Mendes, no lado sul da Ilha Grande, reforçou o reconhecimento internacional: foi eleita a 2ª melhor praia do Brasil pelo TripAdvisor (Travellers’ Choice) e entrou na lista das 10 praias mais bonitas do mundo pelo jornal espanhol El País, conforme publicado pela Prefeitura de Angra dos Reis. A praia só pode ser acessada a pé, por trilha de cerca de 20 minutos pela mata, o que mantém o lugar preservado e fora do circuito de turismo de massa.

O que fazer em Angra dos Reis
O roteiro em Angra é quase todo feito pelo mar. As principais atrações partem de barco, escuna ou lancha, saindo do centro ou das marinas. As paradas mais procuradas pelos visitantes são:
- Ilha Grande: a maior ilha do estado do Rio, com mais de 100 praias, trilhas abertas por indígenas e o título de Patrimônio Mundial pela UNESCO. O acesso é feito por barcas (1h10) ou lanchas rápidas (30 min) saindo do centro de Angra.
- Lagoa Azul: piscina natural entre ilhotas na região de Freguesia de Santana, com águas transparentes ideais para mergulho com snorkel. Parada quase obrigatória nos passeios de lancha.
- Ilhas Botinas: duas pequenas ilhas de águas azul-turquesa que lembram o Caribe. Cartão-postal de Angra nos passeios de barco.
- Ilha da Gipóia: a 35 minutos do centro, tem praias para todos os estilos, de agitadas a tranquilas, além de quiosques e restaurantes de frutos do mar à beira-mar.
- Praia de Lopes Mendes: areia branca, ondas generosas e acesso apenas por trilha ou barco. Uma das praias mais elogiadas do Brasil por quem já esteve lá.
- Centro Histórico de Angra: construções dos séculos XVII e XVIII, entre elas o Convento do Carmo, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e as ruínas do Convento de São Bernardino de Sena.
- Trilhas na Ilha Grande: caminhos abertos por povos indígenas que cruzam a floresta densa e chegam a mirantes, cachoeiras e praias afastadas. O circuito da Praia de Lopes Mendes é o mais famoso.
A cozinha de Angra tem forte presença dos frutos do mar frescos, com influência caiçara. Os pratos e sabores mais encontrados na Costa Verde são:
- Moqueca de peixe caiçara: cozida em panela de barro com leite de coco, azeite de dendê e temperos frescos. Prato símbolo das comunidades tradicionais da região.
- Camarão na moranga: camarão cremoso servido dentro de uma abóbora assada. Clássico dos restaurantes à beira-mar.
- Casquinha de siri: carne de siri temperada e gratinada na própria casca. Entrada obrigatória em quase todos os quiosques das ilhas.
- Peixe grelhado com banana frita: combinação típica das barracas e quiosques de praia de toda a Costa Verde.
- Bolinho de arraia: petisco local feito com carne do peixe-arraia desfiada, empanada e frita. Encontrado nas comunidades de pescadores e em restaurantes do centro.
Quem deseja economizar e ainda assim curtir praias de tirar o fôlego, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Bloco de Viagens, que conta com mais de 23 mil visualizações, onde o Apresentador mostra um roteiro econômico e passeios incríveis em Angra dos Reis:
Qual a melhor época para visitar Angra dos Reis?
Angra dos Reis tem temperatura agradável durante o ano inteiro, entre 18°C e 32°C. A diferença entre as épocas está na chuva e na quantidade de pessoas. Veja a tabela abaixo:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O inverno é considerado a melhor janela por muitos visitantes: céu limpo, mar calmo como um tapete e água ainda boa para mergulho. No verão, as praias ficam cheias e as chuvas chegam quase toda tarde, mas os passeios de barco pela manhã ainda valem muito. O outono e a primavera equilibram sol, preços mais acessíveis e tranquilidade nas ilhas.
Como chegar a Angra dos Reis
O caminho mais cênico é pela BR-101, conhecida como Rodovia Rio-Santos, a cerca de 158 km do Rio de Janeiro, com viagem de carro em aproximadamente 2h30. A estrada acompanha o litoral e oferece visuais da Serra do Mar e da Baía da Ilha Grande durante o trajeto. Quem vem de São Paulo percorre cerca de 400 km, com viagem de aproximadamente 5 horas. A empresa Viação Costa Verde opera linhas de ônibus regulares saindo da Rodoviária Novo Rio. O site oficial de turismo da prefeitura traz informações sobre embarques para as ilhas e os cinco corredores turísticos do município.
Leia também: Essa cidade mineira foi eleita uma das 10 melhores para viver e abriga uma gruta com pinturas rupestres de 6 mil anos
Angra dos Reis merece mais do que um fim de semana
São 365 ilhas para explorar, cada uma com um mar diferente, uma trilha nova, um pôr do sol único. Com o título da UNESCO protegendo quase 149 mil hectares de floresta e cultura viva, a Costa Verde entrega uma versão do litoral brasileiro que poucos lugares conseguem igualar.
Reserve ao menos três dias, embarque numa lancha rumo à Lagoa Azul numa manhã de inverno sem nuvens e entenda por que Angra dos Reis tem esse nome.

