A 101 km da capital paulista, Itu recebe os visitantes com um orelhão de 3 metros e um sobrado que mudou a história do Brasil. Foi neste município que, em 18 de abril de 1873, começou o movimento que levou à Proclamação da República.
De vila bandeirante a berço da República paulista
A história do município começou em 1610, com a construção de uma capela dedicada a Nossa Senhora da Candelária pelo bandeirante Domingos Fernandes e seu genro, Cristóvão Diniz, segundo o portal histórico da Prefeitura. O nome vem do tupi Ytu-Guaçu, que significa cachoeira grande.
A vila se firmou como entreposto de comércio na rota entre o sul e as regiões mineradoras de Mato Grosso e Goiás. A partir de 1850, foi considerada a cidade mais rica da Província de São Paulo, sustentada primeiro pelo açúcar e depois pelo café.
O grande marco político veio em 1873, quando mais de cem fazendeiros e políticos se reuniram em um sobrado do centro para fundar o Partido Republicano Paulista. O encontro entrou para a história como a Convenção Republicana de Itu e rendeu à cidade o título de Berço da República.

Vale a pena morar nessa cidade do interior paulista?
Sim, a cidade combina infraestrutura de polo industrial com o ritmo calmo do interior, além de patrimônio histórico raro a uma hora de São Paulo. Com cerca de 174 mil habitantes, segundo a página oficial do município no Cidades IBGE, o destino oferece centro tombado, parques urbanos e bairros residenciais arborizados.
O município é Estância Turística reconhecida pelo Governo de São Paulo desde 1979, status que garante repasses específicos para a promoção do turismo regional, conforme a Prefeitura. A economia diversificada inclui indústrias cerâmicas, têxteis e de bens de consumo, instaladas principalmente após a abertura da Rodovia Castelo Branco em 1970.
O dia a dia tem ritmo de cidade média: o centro se resolve a pé, a zona rural fica a cerca de 10 minutos de carro e a vizinha Salto está a apenas 8 km, conectada pelo Trem Republicano.

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O que fazer entre exageros história e rochas de 280 milhões de anos
O município reúne atrações que misturam humor, geologia e patrimônio colonial em poucos quilômetros. Entre os principais pontos turísticos da Estância Turística, destacam-se:
- Praça Padre Miguel: abriga o famoso Orelhão de Itu, com cerca de 3 metros de altura, e o Semáforo Gigante, símbolos da fama de Cidade dos Exageros.
- Praça dos Exageros: parque temático com jogo de xadrez, formigas, joaninhas e bonecos do personagem Simplício em escala ampliada, ao lado do Centro Esportivo Franco Montoro.
- Parque Geológico do Varvito: rochas sedimentares de 280 milhões de anos formadas durante uma extensa era glacial, segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo.
- Museu Republicano: instalado no sobrado da Convenção de 1873, é mantido pelo Museu Paulista da Universidade de São Paulo (USP), com entrada gratuita.
- Igreja Matriz Nossa Senhora da Candelária: inaugurada em 1780, reúne um dos principais acervos barrocos e rococós do estado paulista.
- FAMA Museu: ocupa 25 mil m² em uma antiga fábrica têxtil de 1911 e reúne cerca de 2 mil obras de arte moderna e contemporânea.
- Trem Republicano: percorre 7 km entre Itu e Salto em cerca de 40 minutos, com guias que contam a história da Convenção, inaugurado em dezembro de 2020.
A gastronomia mistura raízes caipiras, alemãs, italianas e portuguesas, com o filé à parmegiana como prato-símbolo da cidade. Entre os sabores e endereços imperdíveis, vale provar:
- Filé à parmegiana de Itu: prato que virou ícone, criado pela família Steiner ainda no início do século 20, copiado em todo o estado.
- Bar do Alemão: fundado em 1902 na rua Paula Souza, no centro histórico, serve a parmegiana original junto a pratos típicos alemães como Eisbein e Kassler.
- Orelha de elefante: criação da casa Steiner, com filé mignon à milanesa em porção generosa coberta de molho de tomate da família.
- Tonilu: tradicional desde 1968, com duas unidades na cidade e especialidade em parmegiana farta servida em porção familiar.
- Pratos alemães e cervejas artesanais: heranças dos imigrantes que se estabeleceram em Itu e moldaram o cardápio do centro histórico.
Quando é a melhor época para visitar Itu?
O período seco, entre maio e setembro, é o mais indicado para visitar Itu. Os dias têm céu limpo, temperaturas amenas e baixa probabilidade de chuvas, condições ideais para o passeio no Trem Republicano e para caminhar pelo centro histórico.
O clima é tropical, com verões quentes e úmidos e invernos secos. A cidade fica a 583 metros de altitude, o que garante noites frescas mesmo no auge do calor. Veja como cada estação combina com os passeios:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar até a Cidade dos Exageros
O acesso a Itu é simples e rápido para quem sai da capital paulista. De carro, o trajeto principal é feito pela Rodovia Castelo Branco (SP-280) ou pela Bandeirantes (SP-348), em cerca de uma hora e quinze minutos para os 101 km que separam as duas cidades.
Para quem vem de outros estados, o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, fica a apenas 47 km. Ônibus intermunicipais saem do Terminal Rodoviário Barra Funda, em São Paulo, com horários frequentes ao longo do dia.
Conheça a cidade onde tudo é grande de verdade
A combinação de orelhão de 3 metros, sobrado da República e paredões geológicos de 280 milhões de anos faz de Itu uma escapada única no interior paulista. Poucas cidades conseguem reunir humor, patrimônio barroco e geologia rara a uma hora da capital.
Você precisa subir no Trem Republicano, tirar foto no orelhão gigante e provar a parmegiana de Itu para entender por que esta Estância Turística virou refúgio favorito de quem vem da capital.

