FIT-BH começa hoje com performances políticas e participação do público

O diálogo entre arte e política marca a 14ª edição do festival, que começa hoje. Cidadãos foram convocados a participar de Batucada, a performance de abertura, no Parque Municipal

por Ana Clara Brant 13/09/2018 08:00
Caddah/divulgação
A performance 'Batucada', com atores e não artistas, propõe carnaval e protesto (foto: Caddah/divulgação)
Máscaras, panelas e latas vão invadir o Parque Municipal na noite desta quinta-feira (13). Trata-se do espetáculo Batucada, ou melhor, “de um acontecimento que oscila entre a carnavalização e o protesto”, como prefere seu idealizador, o coreógrafo piauense Marcelo Evelin. Às 19h, ele abre a 14ª edição do Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte (FIT-BH). Até dia 23, 30 espetáculos locais, nacionais e estrangeiros ficarão em cartaz.

Batucada é apenas uma das intervenções cênicas da abertura do FIT. Logo depois, às 20h, começa Looping: Bahia overdub, com o coletivo formado por Felipe de Assis, Leonardo França e Rita Aquino. Tanto a primeira performance, uma paisagem sonora de batuques em panelas e latas, quanto a segunda, unindo sonoridades e coreografias das festas do largo de Salvador, convidarão o público a experiências que remetem a arranjos e encontros entre corpos, arte e política no espaço urbano.

Mais que isso: as duas intervenções contam com elenco formado por artistas e não artistas, esses últimos recrutados por meio de um chamado à população de Belo Horizonte. Desde o fim de semana, Marcelo Evelin realizou audições e residências artísticas com os interessados. Ele admite que esperava mais pessoas, sobretudo em se tratando de uma cidade como BH, com muita efervescência cultural.

“No caso da Batucada, 30 participantes vão se unir aos 10 artistas que vieram conosco. Eu já havia participado do FID (Fórum Internacional da Dança) em BH, mas abrir um evento como o FIT me dá muito orgulho. Essa performance tem tudo a ver com o contexto que estamos vivendo”, acredita o coreógrafo. Concebida em 2014 para o Kunsten Festival desArts, na Bélgica, a primeira versão de Batucada reuniu 50 cidadãos selecionados por convocatória pública.

“A gente sempre tenta adaptar (o espetáculo) ao lugar onde estamos. No caso de Belo Horizonte, vamos nos apresentar num local público no coração da cidade, cheio de árvores. Isso já representa uma ação democrática. Não há hierarquia, os corpos de artistas e de não artistas se misturam e todos perdem sua identidade. Parece uma nuvem que transita”, explica.

A versão para os palcos de Batucada será encenada nos dias 17 e 18, em um galpão na Rua Itambé, na Floresta. A concepção do espetáculo é a mesma da performance. “A produção propõe a nudez, mas não no sentido da pornografia. É o nu destituído de rótulos, identidades, lugares e sistemas que as vestimentas impõem”, adianta Evelin.

Nesta quinta-feira, logo depois das intervenções, as paulistas Anelis Assumpção e Linn da Quebrada fazem show no Ponto de Encontro do FIT-BH, também no parque. Com entrada franca, é necessário credenciamento mediante apresentação de documento oficial com foto.

BLACK OFF


A 14ª edição do FIT adotou o conceito Corpos-Dialetos, propondo um olhar sobre as diásporas africanas e a cena nordestina. A seleção traz trabalhos que dialogam com a realidade brasileira e peças do teatro contemporâneo que, entre várias questões abordadas, remetem a discussões sobre gênero e racismo.

Um dos destaques é Black off, em cartaz sábado (15) e domingo (16), no Teatro Sesiminas. Sul-africana radicada na Suíça, Ntando Cele aborda os estereótipos racistas. Na primeira parte, a performer e atriz assume o alter ego Bianca White, comediante sul-africana, viajante pelo mundo e filantropa que julga saber tudo sobre os negros e quer ajudá-los a superar sua “escuridão interior”. Na segunda parte, Ntando, ao lidar com estereótipos de mulheres negras, tenta descobrir como o público a vê.

“Black off nasceu de diferentes ideias e evoluiu a partir de duas apresentações mais curtas, combinando música, performance e vídeo. Sua principal ideia é aumentar a consciência e a sensibilidade para o outro, sem preconceitos”, explica.

Ntando espera que a montagem instigue a plateia a refletir sobre várias questões. “Como a política no Brasil, cada vez mais, assemelha-se à dos Estados Unidos, onde ideias homofóbicas, conservadoras, populistas e racistas usam medos e preocupações cotidianas dos brancos para conquistar poder por meio do preconceito, Black off tenta, com humor, contar outra história. Espero que o espetáculo abra espaço para a compreensão do outro”, revela.

ALEGORIA


Produção mineira, Assembleia comum é uma proposta horizontal, aberta, que aposta na relação com o público. Alegorias-personagens interagem com a plateia, buscando estimular uma reflexão crítica sobre questões contemporâneas. “Fazemos alguns jogos cênicos a partir de arquétipos que dizem muito da nossa sociedade atual, ligados a amor, ódio e alienação. Convocamos o público a participar”, explica o ator Joviano Mayer. O projeto colaborativo foi criado pelo Núcleo de Teatro do Espaço Comum Luiz Estrela, que funciona num casarão histórico de BH preservado por seus ocupantes. Em 2017, o espaço recebeu o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade em reconhecimento ao seu compromisso com a preservação do patrimônio cultural brasileiro. “No Luiz Estrela, desenvolvemos uma série de ações em várias áreas. O prêmio veio coroar tudo isso”, celebra o ator.

Assembleia comum será apresentada na sexta-feira (14), às 19h, no Viaduto Santa Tereza, no Centro; no sábado (15), às 16h, na Ocupação Vitória, entre Belo Horizonte e Santa Luzia, e no domingo (16), às 16h, na Ocupação Dandara, no Bairro Trevo, na Pampulha.

“É importante levar a nossa arte para territórios periféricos. Sem contar que ela se casa com a proposta do FIT de descentralização e inclusão, promovendo o encontro com o outro, o ser democrático. Também vamos ministrar oficinas de teatro nessas comunidades”, informa Joviano.



Destaques


Hoje
19h: Batucada (PI). 20h: Looping: Bahia overdub (BA). 22h: show de Anelis Assumpção (SP). 23h30: show de Linn da Quebrada (SP), para maiores de 18 anos. Parque Municipal. Ingressos distribuídos a partir das 18h, mediante apresentação de documento de identidade

Sexta-feira (14)
19h: Assembleia comum. Embaixo do Viaduto de Santa Tereza, Centro.
18h: A gente combinamos de não morrer (PB). Centro Cultural da UFMG
19h: Um museu vivo de memórias pequenas e esquecidas (Portugal). Teatro Marília

Sábado (15)
18h: Arde brillante en los bosques de la noche (Argentina). Teatro Francisco Nunes
21h: Black off (Suíça/África do Sul). Teatro Sesiminas
16h: Chapeuzinho vermelho (RS). Sesc Palladium

Domingo (16)
18h: Sublime travessia. Espaço Cênico Yoshifumi Yagi
16h e 22h: Espécie (BH). Galpão Cine Horto



14º FIT
Até 23 de setembro, com espetáculos gratuitos e pagos. Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), à venda na internet (vaaoteatromg.com.br e www.fitbh.com.br), Mercado das Flores (Av. Afonso Pena, 1.055, Centro) e Biblioteca Pública Estadual (Praça da Liberdade, 21, Funcionários). Programação completa: www.fitbh.com.br.

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