Teatros em BH enfrentam crise profunda

Temporadas cada vez mais curtas, salas inadequadas e a concorrência do lazer digital indicam que é hora de mudar

por Márcia Maria Cruz 06/09/2018 22:03
Euler Jr./EM/D.A Press
(foto: Euler Jr./EM/D.A Press)

Com o avanço das novas tecnologias de informação e comunicação, os teatros precisam se reinventar para atrair a atenção do público – principalmente dos jovens, seduzidos por outras formas de lazer. O diagnóstico é feito por Magdalena Rodrigues, presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de Minas Gerais (Sated-MG). Recentemente, em entrevista ao Estado de Minas, a atriz Fernanda Montenegro advertiu: “Há uma crise de produção de teatro, há uma crise de encenação no teatro brasileiro, há uma crise cultural em torno do teatro”.

As temporadas são cada vez mais curtas. A maioria das peças costuma ficar em cartaz de sexta-feira a domingo. Para manter a estrutura em funcionamento, as salas tanto recebem espetáculos quanto abrem as portas para outros eventos, sobretudo corporativos.

É o caso de um dos palcos mais tradicionais da capital mineira: o Teatro Francisco Nunes. A casa recebe, em média, 2,8 mil pessoas por mês, de acordo com o gerente, Ezaú Fernandes. Ele acredita que a programação poderia ser ampliada, principalmente no que se refere à dança. Porém, lembra que espetáculos tradicionais costumam atrair público maior, ao contrário de projetos com linguagens contemporâneas. “Em dezembro, só teremos quatro apresentações de dança”, conta.

Em setembro, o Chico Nunes vai receber espetáculos do Festival Internacional de Teatro de Belo Horizonte (FIT-BH). Parte da programação não é formada por peças. Estão previstas palestras do Fire Festival, nos dias 28 e 29, além de eventos corporativos. Amanhã, haverá a última apresentação do espetáculo, que comemora os 21 anos da No Ar Cia. de Dança.

O Teatro Sesiminas apresenta temporadas curtas, de sexta-feira a domingo, mas com bom público. “Na maioria das vezes, recebemos o total da capacidade da casa ou pelo menos atingimos 60%”, afirma Karla Bittar, gerente do Centro Cultural Sesiminas. A programação de setembro contará com espetáculos do FIT-BH, shows da banda Cobra Coral e de Kiko Klaus e concerto da Orquestra de Câmara Sesiminas com o violoncelista Antonio Meneses.

“Apresentamos importantes espetáculos da cidade e de outros estados. Nosso palco já recebeu Bibi Ferreira, Letícia Sabatella, Denise Fraga, Juca de Oliveira, o maestro Antônio Carlos Martins e Christiane Torloni, por exemplo”, lembra Karla.

Ela destaca o papel do Sesiminas no fomento à produção cultural de BH. “Apoiamos e incentivamos ações sociais como o Projeto Escola, que leva ao teatro, quase sempre pela primeira vez, alunos da rede pública e privada da capital”, informa.

Com 602 lugares, o Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube, que abre as portas de terça-feira a domingo, receberá 22 eventos este mês, entre shows e peças. A casa participa de festivais de teatro, dança e música da capital – entre eles o FIT-BH, o Fórum Internacional de Dança (FID), o Verão de Arte Contemporânea (VAC) e a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança.

FESTIVAL De outubro de 2017 a julho de 2018, a peça Intimidade indecente, com texto de Leilah Assumpção, ficou em cartaz no Teatro da Cidade, no Centro da capital. “Somos um espaço construído por artistas para a realização de nossas próprias montagens”, diz Pedro Paulo Cava, diretor e criador da casa.

Pela primeira vez, o espaço vai promover o Festival de Teatro Mínimo, com entrada franca. De 12 de setembro a 12 de dezembro, a agenda prevê 14 espetáculos com até 30 minutos.

“O Teatro da Cidade é referência política e cultural desde sua fundação. Já fez história, por ser a única casa que abre as portas republicanamente a todos que se interessam pela cultura”, diz Pedro Paulo. No período eleitoral, o espaço recebe debates políticos.

O drama das salas vazias

Magdalena Rodrigues, presidente do Sated-MG, diz que a subocupação das salas não é um problema apenas de Minas Gerais. “Isso é geral. Ocorre também no Rio de Janeiro e em São Paulo”, afirma. Ela aponta entre as causas da redução do público a mudança de paradigmas devido às tecnologias de informação, a perda da relevância social das peças e o pouco conforto oferecido ao público.

“O teatro não vai morrer, mas é preciso mudar a forma de encarar e direcionar o público-alvo”, adverte Magdalena. Para a atriz, o teatro perdeu status como espaço onde as pessoas buscavam referências de mundo e de comportamento. “Nos meus 40 anos de profissão, percebo uma diferença tremenda.”

Magdalena lembra o quanto peças como Amor de vampira, de Carl Schumacher, e Ascensão e queda da família mineira, de Ronaldo Boschi, impactaram o público da cidade. Artistas levavam para o palco mudanças de comportamento que, muitas vezes, chocavam. Na avaliação dela, o teatro perdeu essa abrangência, embora companhias contemporâneas realizem espetáculos abordando novas questões. “Esses grupos falam para nichos, não falam para o público em geral”, acredita.

A atriz ressalta que não há mais temporadas longas que durem meses e até anos, como ocorria antigamente. “A não ser quando é um ‘encosto’ que patrocina. Veja Um espírito baixou em mim, que está há mais de 20 anos em cartaz. Alguns grupos dão sorte e acertam na linguagem.”

A presidente do Sated-MG adverte: muitas casas não contam com estrutura para receber o público. Salas não têm ar-condicionado e cadeiras são minimamente confortáveis. “Não há um ambiente de conforto mínimo para as necessidades imediatas do público, como tomar refrigerante ou um café. Teatros não oferecem lugar para que as pessoas possam aguardar o início do espetáculo. O público fica de pé até o início da sessão”, critica.

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