Com o filho, a ex e a atual mulher, Antonio Fagundes traz peça a BH

Com apresentações hoje e amanhã no Sesc Palladium, comédia argentina 'Baixa terapia' mostra três casais que são surpreendidos por sua terapeuta com sessão em grupo

por Ana Clara Brant 19/05/2018 11:50
CAIO GALLUCCI/DIVULGAÇÃO
(foto: CAIO GALLUCCI/DIVULGAÇÃO)
Quem acompanha a carreira de Antonio Fagundes, sobretudo na televisão, se acostumou a vê-lo na pele de coronéis, empresários, vilões inescrupulosos ou outros tipos mais sérios. O gago Caio, de Rainha da sucata (1990), ou o divertido Giácomo, de Meu pedacinho de chão (2014), são papéis de humor que figuram como exceções numa carreira primordialmente marcada pelo drama. Mas, nos palcos, fazer rir não é novidade para o ator, que valoriza o gênero da comédia. “Tem gente que fala que a comédia é um gênero de segunda categoria, mas quem diz isso é porque não consegue fazer ou tem inveja. É extremamente difícil”.

Fagundes escolheu exibir seu domínio do tempo cômico em Baixa terapia, texto do argentino Matias Del Federico sobre o encontro de três casais de diferentes gerações numa sessão terapêutica. A montagem tem sessões hoje (19, com ingressos esgotados) e amanhã (20) em Belo Horizonte. Com direção de Marco Antonio Pâmio, Fagundes tem ao seu lado no elenco Mara Carvalho, Alexandra Martins, Ilana Kaplan, Fábio Espósito e Bruno Fagundes.

Na peça, a psicóloga que atende aos casais não comparece ao encontro, mas deixa bilhetes com instruções que eles devem seguir para conduzir a conversa sobre seus problemas. Na improvisada terapia em grupo a dose de informações (surpreendentes, intrigantes ou chocantes) aumenta, assim como as desconfianças dos casais entre si e em relação aos demais.

As duplas são formadas por Ariel (Antonio Fagundes) e Paula (Mara Carvalho); Estevão (Bruno Fagundes) e Tamara (Alexandra Martins); Roberto (Fábio Espósito) e Andrea (Ilana Kaplan). “Assisti à peça em Buenos Aires e não consegui parar de rir. No mesmo dia, já saí correndo atrás do endereço do autor para adquirir os direitos. Esse espetáculo está em cartaz em mais de 20 países. Ele tem uma universalidade e uma atemporalidade que impressionam. Leon Tolstói (escritor russo) costumava dizer que se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia. Matias conseguiu isso – ser argentino e, ao mesmo tempo, universal”, avalia Fagundes.

Ilana Kaplan, cujo desempenho como Andrea tem sido aplaudidíssimo tanto pelo público quanto pela crítica, salienta que a montagem é uma comédia bem argentina, focada no cotidiano e com as sacadas típicas e engraçadas presentes nas produções dos nossos vizinhos. “Mesmo assim, não deixa de haver uma identificação, porque são três casais, cada um de uma geração, que estão discutindo conflitos de relacionamento, criação dos filhos, ciúmes, sexo, mas com leveza, humor e ironia”, observa.

A adaptação é de Daniel Veronese, e a tradução foi feita pela atriz Clarisse Abujamra, ex-mulher de Antonio Fagundes. Aliás, Baixa terapia é uma grande família. No palco estão Mara Carvalho, que também foi casada com o ator; o filho deles, Bruno Fagundes, e a atual mulher de Fagundes, a atriz Alexandra Martins. O diretor de produção, Carlos Martin, é marido de Mara.

“A gente brinca que eu e o Fábio Espósito, que faz o meu par na peça, nos tornamos um puxadinho dessa família. É bem divertido e é bacana ver que as relações são bem resolvidas, todo muito é superprofissional”, comenta Ilana, vencedora do prêmio Shell de melhor atriz por seu papel em Baixa terapia. “O engraçado é que muita gente fala que comédia é um gênero difícil, mas na hora de premiar – e não é só no Brasil – ela não é valorizada. Por isso fico muito feliz com essa premiação porque estou representando uma porção de colegas que fazem comédia”, celebra.

Não é de agora que o talento humorístico de Ilana Kaplan é notório, tanto na TV (Sai de baixo), quanto no cinema (TOC - Transtornada Obsessiva Compulsiva) e no teatro (Terça Insana). “Tenho uma veia cômica muito forte. É uma coisa minha, então fazer rir está na minha personalidade. Mas é o público que decide, no fim das contas, se algo ou alguém é engraçado ou não. É ele que define se a piada encurta ou alonga; é o sétimo elemento. Por isso fazer comédia é um exercício de atenção constante”, afirma.

PÚBLICO

Há alguns anos Antonio Fagundes tem colocado o público mais próximo de suas produções, convidando-o a participar de ensaios abertos ou permanecer para bate-papos após as sessões – um convite que será feito à plateia da sessão de hoje em BH. O ator avalia que essa participação do espectador acaba enriquecendo o trabalho dos artistas. “Em Baixa terapia, por exemplo, chegamos a ter mais de 800 pessoas acompanhando todo o processo de criação. O público acaba se tornando um integrante da produção, ainda mais na comédia, em que as pessoas interagem mais. E, no fim dos espetáculos, eles fazem perguntas, a gente debate. É garantia de mais risadas.”

Outra prática adotada pelo ator já há algum tempo é a recusa em usar recursos de leis de incentivo. Ele se orgulha do fato de que todas as suas últimas montagens têm ficado meses e até anos em cartaz conseguindo se bancar sozinhas. “E a gente vê muitos espetáculos com patrocínio que ficam dois, três meses só e depois que o patrocínio cai fora, a peça acaba. Minhas peças se bancam com bilheteria. Isso mostra que uma produção pode, sim, se autossustentar. No caso de Baixa terapia, já fizemos até hoje 100 mil espectadores e devemos chegar a 400 mil rodando o país inteiro e até o exterior, como os Estados Unidos, para onde vamos em julho, e Portugal, onde faremos temporada no fim do ano. Conseguimos fazer com que os ingressos não ficassem tão caros, porque não é uma produção que exige muito, como o Vermelho (espetáculo que encenou ao lado do filho Bruno), que tinha um cenário grandioso”, comenta.

Mesmo com uma presença constante na TV – seu último trabalho na telinha foi em Velho chico (2016) – Fagundes nunca abriu mão do palco. “Teatro é a pátria do ator. É onde ele se realiza plenamente. Pelo menos essa é a visão da minha geração. Tem uma turma nova que nem gosta de teatro; faz mais TV e cinema. Mas, para mim, o teatro é insubstituível e uma experiência muito mais impactante. Sem contar a troca de energia, que é rica não só para quem está atuando como para quem está na plateia.”

Ele só deve voltar à TV no ano que vem, na minissérie Se eu fechar os olhos agora. A trama escrita por Ricardo Linhares e baseada no livro homônimo de Edney Silvestre teve boa parte das cenas rodadas em Catas Altas, na região central de Minas. “O texto é muito bom, e o lugar é lindo, cheio de montanhas e muito bucólico. Foi bacana gravar lá”, diz Fagundes, que também fez uma participação no filme O grande circo místico, de Cacá Diegues, exibido na semana passada do Festival de Cannes e que também deve virar série na Globo.

Baixa terapia

Hoje (19), às 21h, e amanhã (20), às 16h e 19h, no Grande Teatro Sesc Palladium (Av. Augusto de Lima, 420, Centro). Ingressos: Plateia I: R$ 90 (inteira) e R$ 45 (meia). Plateia II: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia) e Plateia III: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia). A sessão deste sábado está esgotada. Vendas na bilheteria do teatro ou pelo site www.ingressorapido.com.br. Classificação etária: 14 anos. O espetáculo começa rigorosamente no horário e não é permitida a entrada após o início. Mais informações: (31) 3270-8100. As sessões contarão com tradução em Libras. 

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